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Casal LGBTQIA+ celebra sonho de oficializar união no Casamento Comunitário de São Vicente neste domingo (13)

Valesca Leal e Aline Araújo compartilham emoções da história

Da Redação

Da Redação

10/09/2026 — quinta-feira às 09h00

Casal LGBTQIA+ celebra sonho de oficializar união no Casamento Comunitário de São Vicente neste domingo (13)

Divulgação

Entre os casais que se preparam para participar do Casamento Comunitário de São Vicente, que acontece neste domingo (13), na Chácara do Mosteiro (Morro dos Barbosas), estão Valesca Leal e Aline Araújo, moradoras do Centro que estão juntas há um ano. Para elas, a cerimônia representa a oportunidade de realizar um sonho que, diante das condições financeiras atuais, não seria possível concretizar da mesma forma.

"O Casamento Comunitário está nos dando a oportunidade de realizar um sonho, um objetivo, que é o casamento. Se fosse por conta própria, diante da nossa vida hoje, a gente não teria possibilidade de ter uma cerimônia, muito menos vestida de noiva da forma que o Fundo Social está nos proporcionando", contou Aline.

As duas se conheceram pelas redes sociais, e descobriram que, apesar de morarem a cerca de 20 minutos uma da outra, ainda não haviam se encontrado. As conversas fluíram rapidamente, e, depois do primeiro encontro, a relação se desenvolveu. Segundo Valesca, a conexão foi imediata. Em poucos meses, as duas já conversavam sobre a possibilidade de casamento e construíam planos para o futuro.
"Apesar da pouca idade, somos duas mulheres maduras, vividas, inclusive. Quando a gente se conheceu, bateu tudo, desde a história, a beleza e, obviamente, o afeto, que a gente já sentiu acelerar o coração instantaneamente. Com dois, três meses, já falávamos na possibilidade de casamento, pensando no futuro", relatou Aline.

Ao longo do relacionamento, o casal também passou por momentos de dificuldade. Para elas, foi justamente nas situações de vulnerabilidade que a força da relação se tornou ainda mais evidente.
"Foi nos momentos difíceis que a gente viu o quanto uma podia contar com a outra. Passamos por situações adversas, questões físicas, financeiras e outras dificuldades, mas a gente sempre passava por cima disso para poder se escolher e estar uma com a outra. Toda vez que algo queria nos afastar, a gente sempre optava por se encontrar, por estar juntas, independente da dificuldade. E isso permanece na nossa rotina diária", afirmou Valesca.

A participação na cerimônia também representa, para as duas, uma forma de ampliar a representatividade de casais LGBTQIA+ dentro de uma iniciativa comunitária.
"Estamos abrindo portas para aquelas pessoas que não viam que seria possível participar de algo comunitário como um casamento por ter essa visão de heterossexualidade. Acho que estamos quebrando um tabu, não só relacionado ao Casamento Comunitário, mas também dentro da nossa comunidade, porque ainda passamos por preconceitos fora e dentro de casa. É uma honra para nós duas poder ser o primeiro casal LGBT", destacou Aline.

Segundo o casal, o preconceito ainda faz parte do cotidiano, inclusive em ambientes familiares. Olhares, comentários e piadas são algumas das situações enfrentadas pelas duas, que afirmam escolher lidar com essas experiências sem esconder o relacionamento.
"Todos os dias acontece alguma situação. Muitas vezes, até dos nossos familiares, e isso é bem complicado. Também acontece na rua, com um olhar, com piadinhas que as pessoas soltam, como se fosse errado amar. São coisas que acontecem no cotidiano, mas que lidamos da melhor forma, porque somos resilientes e não temos que ter vergonha do nosso amor", disse Valesca.

Com a cerimônia se aproximando, a expectativa mistura ansiedade e a correria dos preparativos. "Receber a notícia foi incrível e assustador, porque demorou para cair a ficha de que poderíamos estar fazendo parte", contaram.

Sobre os preparativos, elas resumem o momento em uma palavra: ansiedade, principalmente pelo pouco tempo para resolver todos os detalhes.

No grande dia, a expectativa é viver uma sensação de realização, segurança e construção de uma vida ao lado de quem escolheram.
"O que a gente espera é ter uma sensação de realização. Ter a sua família, ter uma pessoa que você possa chamar de sua, ter ali uma construção de uma vida inteira com alguém. É uma sensação de segurança, de construção, de realização", afirmou Valesca.

Para outros casais LGBTQIA+, a mensagem deixada por Valesca e Aline é de coragem para viver o amor de forma plena: "Não tenham medo de amar, não tenham medo de mostrar aquilo que é importante para vocês. O amor é lindo, puro, bondoso e respeitoso. Se você ama alguém, independentemente da orientação sexual ou do gênero, ame sem medo. Viva, seja feliz, porque amar é a coisa mais linda do mundo, é a coisa mais pura. O amor tem que ser visto, tem que ser gritado em voz alta. Ainda existe algo real pelo qual vale a pena lutar e escolher todos os dias. O casamento ainda tem o significado de proporcionar uma família, um laço, uma união e um companheirismo. Love is love, amor é amor", finalizaram.

Casamento Comunitário

Em sua terceira edição, o evento celebrará a união de 17 casais. O Casamento Comunitário acontece neste domingo (13), a partir das 10h, na Chácara do Mosteiro (Rua Luís Vaz de Camões, 109 - Morro dos Barbosas)

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