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ELEIÇÕES 2026

João Campos abre oito pontos sobre Raquel Lyra em Pernambuco e disputa pelo Senado segue aberta

Pesquisa mostra ex-prefeito do Recife com 48,3% contra 40,2% da governadora; Marília Arraes lidera primeiro voto para o Senado, enquanto Lula alcança 52,9% na corrida presidencial e vence Flávio Bolsonaro por 26 pontos em eventual segundo turno

Pedro Juvenal

Pedro Juvenal

06/09/2026 — domingo às 15h10

João Campos abre oito pontos sobre Raquel Lyra em Pernambuco e disputa pelo Senado segue aberta

João e Raquel

A nova pesquisa do Instituto Badra sobre as eleições em Pernambuco mostra João Campos à frente da governadora Raquel Lyra na disputa pelo Governo do Estado. No cenário estimulado, o ex-prefeito do Recife registra 48,3% das intenções de voto, contra 40,2% de Raquel, uma diferença de 8,1 pontos percentuais. Os demais candidatos somam individualmente até 1,5%. O resultado consolida uma mudança observada ao longo das últimas rodadas da Badra, que vem medindo quinzenalmente o desempenho dos candidatos. Alguns dos resultados, no entanto, não puderam ser divulgados por conta de liminares obtidas pelo grupo político de Raquel Lyra, em um explícito sinal de censura ao trabalho do instituto Badra.

Gráfico intenção de votos


A série indica uma eleição competitiva, mas também revela que João Campos chega à reta decisiva em posição mais confortável. A distância atual supera a margem de erro da pesquisa, de 2,5 pontos percentuais, embora o levantamento retrate o momento da coleta e não constitua previsão do resultado eleitoral.


Outro dado reforça o grau de consolidação do cenário, ou seja, entre os eleitores que declararam voto em algum candidato, 77,1% afirmam que sua decisão já é definitiva, enquanto 21,5% admitem que ainda podem mudar até a eleição.


Ao mesmo tempo, a rejeição demonstra que a polarização estadual não produz vantagem absoluta para nenhum dos dois principais concorrentes. Raquel Lyra é rejeitada por 28,3% e João Campos por 26,8%, diferença de apenas 1,5 ponto percentual e, portanto, dentro da margem de erro.


Lula é ativo importante na disputa estadual


Os cruzamentos da Badra ajudam a explicar parte da vantagem de João Campos. O presidente Lula mantém forte influência eleitoral em Pernambuco e aparece como um ativo relevante na composição da disputa pelo Governo.
Quando o eleitor é questionado se prefere um candidato a governador apoiado por Lula ou por Flávio Bolsonaro, 49,5% escolhem o candidato apoiado pelo presidente, contra 26,2% que preferem o nome apoiado por Flávio. Para 21%, esse apoio é indiferente.


A transferência, entretanto, não é automática. Entre os eleitores que votariam em Lula num eventual segundo turno presidencial contra Flávio Bolsonaro, 71,4% declaram voto em João Campos, mas 19,8% ficam com Raquel Lyra.
No campo oposto, a associação é ainda mais acentuada. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial, 74% votam em Raquel Lyra para governadora, enquanto 17,3% escolhem João Campos.


O cruzamento mostra um dos aspectos centrais da eleição pernambucana: João Campos está fortemente associado ao eleitorado lulista, enquanto Raquel concentra grande parte do voto identificado com o campo bolsonarista. A governadora, porém, consegue preservar alguma penetração entre eleitores de Lula, elemento importante para sua competitividade.


Senado tem duas vagas e disputa permanece aberta


Se a corrida pelo Governo apresenta dois polos claramente estabelecidos, a disputa pelas duas vagas ao Senado é mais fragmentada e oferece maior espaço para movimentações até a eleição. No primeiro voto estimulado, Marília Arraes lidera com 24,7%, seguida por Humberto Costa, com 18,6%. Mendonça Filho aparece com 10%, Eduardo da Fonte com 8,9% e Túlio Gadêlha com 5,4%.


A fotografia muda significativamente quando o eleitor informa seu segundo voto. Nesse caso, Eduardo da Fonte assume a liderança, com 14,6%, seguido por Humberto Costa, com 13,4%, Marília Arraes, com 12,2%, e Mendonça Filho, com 10,5%.


Os números evidenciam uma característica decisiva da eleição para o Senado em 2026, isto é, não basta observar isoladamente quem lidera o primeiro voto. Com duas cadeiras em disputa, a capacidade de cada candidato de aparecer como primeira ou segunda escolha do eleitor será determinante.


Marília Arraes demonstra a maior força como voto prioritário. Humberto Costa aparece competitivo nas duas escolhas. Eduardo da Fonte, por sua vez, revela grande capacidade de capturar o segundo voto, enquanto Mendonça Filho permanece no grupo com condições de disputar espaço ao longo da campanha.


A própria pesquisa espontânea confirma a vantagem inicial dos nomes mais conhecidos, mas também demonstra que há eleitorado disponível. Marília aparece com 19,2%, Humberto com 13,7%, Mendonça com 7,7% e Eduardo da Fonte com 4,8%. Ao mesmo tempo, 19,3% não indicam nenhum candidato, 13,8% apontam branco ou nulo e 15,3% ainda não sabem responder.


Lula mantém ampla vantagem em Pernambuco


Na eleição presidencial, Pernambuco continua apresentando forte vantagem para Lula. Na pesquisa estimulada, o presidente registra 52,9%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 27,7%. O escritor Augusto Cury alcança 8,2%; os demais nomes ficam abaixo de 1%.


A liderança de Lula também aparece na pergunta espontânea, considerada um indicador importante da cristalização do voto. Nada menos do que 51,7% citam espontaneamente o presidente, contra 25,9% que mencionam Flávio Bolsonaro.
Em um eventual segundo turno entre os dois, a distância aumenta. Lula teria 58,4%, contra 32% de Flávio Bolsonaro, vantagem de 26,4 pontos percentuais.


Também chama atenção a rejeição presidencial. Flávio Bolsonaro é o nome em que 45,2% dos pernambucanos afirmam que não votariam de jeito nenhum, enquanto a rejeição a Lula alcança 32,5%.


O conjunto dos dados mostra, portanto, que a força eleitoral de Lula continua sendo uma variável central para compreender a eleição pernambucana, com efeitos que ultrapassam a disputa presidencial e alcançam a corrida pelo Governo do Estado.


Metodologia


O Instituto Badra ouviu 1.500 eleitores, presencialmente, entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro de 2026, em diferentes pontos de fluxo de 13 municípios de Pernambuco. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.


O estatístico responsável é Marcos Rogério Simonetti, registrado no CONRE da 1ª Região sob nº 10.744/SP e no CONRE da 5ª Região sob nº 8483. A Badra Comunicação possui registro no Conselho Regional de Estatística da 3ª Região, nº J3238, e registro secundário no CONRE da 5ª Região, nº 8618. As pesquisas estão registradas no sistema PesqEle, do Tribunal Superior Eleitoral, sob os números PE-07979/2026 e BR-06901/2026.

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