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Moradores do Dique da Vila Gilda e do Paquetá se unem a lideranças internacionais em projetos para os territórios

Participantes de nove países chegam a Santos para uma imersão do programa Guerreiro Sem Armas e, a partir da metodologia Elos, vão construir ações baseadas nos sonhos e nas potências identificadas pelas próprias comunidades

Da Redação

Da Redação

20/07/2026 — segunda-feira às 08h00

Moradores do Dique da Vila Gilda e do Paquetá se unem a lideranças internacionais em projetos para os territórios

Divulgação

Em 2000, moradores do Dique da Vila Gilda se mobilizaram para criar o primeiro espaço de contraturno para crianças do território. Sete anos depois, no Paquetá, jovens que participaram de um processo de desenvolvimento comunitário passaram a atuar como lideranças, com conhecimentos sobre participação cidadã e formulação de propostas para o bairro.

Em comum, as duas experiências nasceram durante as edições do Guerreiro Sem Armas (GSA) e continuaram a se desdobrar nos territórios nos anos seguintes. Agora, moradores do Dique e do Paquetá voltam a receber o programa e vão atuar ao lado de participantes de nove países e sete estados brasileiros na construção de novos projetos para as comunidades.

Durante o mês de julho, pessoas de Angola, Bangladesh, Brasil, Colômbia, Holanda, México, Moçambique, Zâmbia e Zimbábue participam da etapa presencial do GSA, em Santos. A formação reúne participantes de quatro continentes e propõe uma experiência de desenvolvimento de lideranças a partir da atuação direta nos territórios.

A iniciativa é realizada pelo Instituto Elos, organização da cidade de Santos/SP, especializada em metodologias, tecnologias sociais e mentorias para pessoas e organizações interessados em investigar e desenhar pistas de ação ao redor dos maiores desafios sociais dos nossos tempos.  

Territórios que transformaram sua própria história

Além dos dias de trabalho para realizar os sonhos das comunidades, os participantes do Guerreiro Sem Armas também vivenciam dias de diálogo e debate com facilitadores do Instituto Elos e com ativistas e especialistas de renome na área de impacto social. O programa conta com a participação especial do ativista, escritor e pesquisador Kaká Werá - inspiração para o nome do projeto e que é parceiro da organização desde o seu início. 

O fim da etapa presencial abre dois caminhos de continuidade. Os participantes retornam às suas cidades e países e são estimulados a desenvolver novos projetos a partir dos aprendizados da formação. Já os territórios permanecem como parceiros do Instituto Elos e recebem acompanhamento para fortalecer a organização comunitária e desenvolver as iniciativas que surgem dos sonhos e prioridades identificados pelos próprios moradores.

A partir da continuidade dessa relação, novos desdobramentos provocaram resultados que impactaram toda a região da Baixada Santista. O retorno ao Dique da Vila Gilda acontece 26 anos depois da primeira edição do Guerreiro Sem Armas, realizada no território, em 2000. Naquele momento, a mobilização em torno do primeiro espaço de contraturno para crianças ajudou a aproximar moradores que ainda não se reconheciam como parte de uma comunidade organizada.

A articulação entre as pessoas fortaleceu a organização comunitária e ampliou as conexões do território com novos parceiros. Nos anos seguintes, a continuidade da mobilização e das parcerias abriu caminho para a criação do Instituto Arte no Dique, inicialmente incubado pelo Instituto Elos e hoje uma organização independente que atua na ampliação do acesso à cultura e a oportunidades para moradores da região.

No Paquetá, a passagem do Guerreiro Sem Armas, em 2007, também teve desdobramentos para além das ações realizadas durante o programa. Grupos de jovens formados naquele período passaram a atuar como lideranças comunitárias, levando para sua atuação conhecimentos sobre participação cidadã e construção de propostas que contribuíram para diversas conquistas da região nos últimos anos.

Para Mariana Gauche, diretora da área de Educação do Instituto Elos, o retorno aos dois territórios também permite reconhecer como experiências construídas localmente podem continuar produzindo aprendizados ao longo dos anos e compartilhá-los com pessoas que atuam em diferentes contextos.

“Voltar ao Dique e ao Paquetá tantos anos depois também é reconhecer tudo o que essas comunidades construíram a partir dos seus próprios sonhos e da capacidade de se organizar para realizá-los. Agora, pessoas de diferentes partes do Brasil e do mundo chegam a esses territórios e encontram comunidades que têm suas próprias histórias, conhecimentos e experiências para compartilhar”, afirma.

Experiências locais, aprendizados que atravessam fronteiras

Após a etapa presencial no Brasil, os participantes do Guerreiro Sem Armas iniciam um novo momento da formação, voltado ao desenvolvimento de projetos em suas cidades e países. A proposta é que os aprendizados vivenciados nos territórios sejam adaptados a diferentes realidades, sem a reprodução de soluções prontas.

As experiências do programa também estão abertas ao público geral. No próximo dia 18, o Espaço Elos, no Morro da Nova Cintra, em Santos, recebe o Encontro dos Sonhos, evento que reúne comunidades que participaram de edições anteriores do Guerreiro Sem Armas e que compartilham aprendizados com integrantes da edição atual. O momento também é uma oportunidade de escuta sobre as principais demandas de territórios de toda a Baixada Santista.

Nos dias 25 e 26 de julho, o mutirão acontece no Dique da Vila Gilda e no Paquetá, em locais e horários ainda a serem definidos. Nesta etapa, moradores das comunidades e participantes do Guerreiro Sem Armas trabalham juntos na realização de um sonho escolhido coletivamente nos territórios.

SOBRE O INSTITUTO ELOS
 

Instituto Elos é uma organização santista referência mundial em Tecnologias Sociais e metodologias para formação de lideranças e transformação social. Alinhado com o Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11, contribui para tornar as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. Com atuação de impacto desde 1999, teve sua metodologia disseminada em mais de 50 países, formou mais de 3 mil lideranças e alcançou mais de 500 mil pessoas em pouco mais de 990 comunidades no mundo. As formações unem teoria e prática por meio de cursos, jogos sociais e vivências. A organização atua para conectar e articular os diferentes setores da sociedade em torno de objetivos comuns de desenvolvimento social, garantia de direitos e  acesso à políticas públicas. Por seu trabalho, o Instituto Elos foi reconhecido como uma das 100 melhores ONGs do Brasil em cinco edições da premiação. E foi premiado pela Fundação Banco do Brasil pela tecnologia Jogo Oasis na categoria Política Pública.

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