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Campos Salles é nome de rua em Guarujá

O ex-presidente e propagandista morreu na cidade

Da Redação BS9

30/05/2022 - segunda às 10h25

Manuel Ferraz de Campos Salles governou o Brasil de 15 de novembro de 1898 a 15 de novembro de 1902 - Fonte: Google Maps/Reprodução

Em Guarujá, a Rua Campos Salles, na Enseada, conta com vários tipos de comércios entre as áreas residenciais e leva o nome de um importante político brasileiro.
 
Com cerca de 530 metros dividios em cinco quadras, ela começa na Rua Santos, cruza a Av. 9 de Abril, e termina na Rua Ignácio Miguel Estéfano..
 
Nela é possível encontrar escolas e restaurante.

Um pouco de história

Manuel Ferraz de Campos Salles governou o Brasil de 15 de novembro de 1898 a 15 de novembro de 1902, assumindo o cargo por eleição direta. Advogado, nascido em Campinas em 15/2/1841, estava no hotel La Plage, quando se sentiu mal e faleceu na madrugada de 28 de junho de 1913.

Por ter herdado uma séria crise econômica, com altos índices de inflação, uma de suas primeiras medidas foi a renegociação da dívida externa com credores ingleses. Estes concordaram com um novo acordo financeiro, oferecendo um empréstimo de 10 milhões de libras e aceitando a suspensão temporária do pagamento dos juros da dívida existente. No entanto, como garantia, exigiram a renda das alfândegas do Rio de Janeiro e de outros Estados se necessário, bem como as receitas da Estrada de Ferro Central do Brasil e da companhia de abastecimento de água do Rio de Janeiro caso o governo brasileiro não cumprisse o acordo. Exigiram ainda que o governo reduzisse a inflação, valorizando a moeda nacional, medidas que foram implementadas pelo então ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, que reduziu drasticamente as despesas do governo, cancelando a construção de obras públicas e investimentos industriais. Também aumentou e criou impostos, além de uma política austera em relação aos salários dos trabalhadores.

Foi o primeiro presidente a defender abertamente a privatização. Ao final conseguiu equilibrar as contas públicas, Campos Sales iniciou o governo com um rombo de 44 mil contos, e terminou com sobras de 43 mil contos em dinheiro e 23 mil em reservas de ouro.

Em seu mandato, foi solucionado o litígio sobre a delimitação da fronteira entre o Brasil e a França. Tal litígio era sobre a demarcação da fronteira entre e estado do Amapá e a Guiana Francesa, que havia invadido o território brasileiro, anexando cerca de 260 mil km² do estado. Depois de quase dois séculos de disputas, o litígio foi vencido pelo Brasil em 1900, através do acordo que ficou conhecido como Questão do Amapá, determinando que a fronteira entre os dois territórios fosse o rio Oiapoque e retornando ao Brasil a área que havia sido tomada.

Campos Salles na Baixada Santista

(Da nossa sucursal). - A notícia do passamento do eminente brasileiro, havendo-se espalhada por toda a cidade, causou à população verdadeira consternação.

O ilustre estadista que com a sua exma. família chegara aqui no dia 24 do corrente, com destino à aprazível praia do Guarujá, ficou hospedado no chalé n. 17.

Embora viesse, por determinação médica, respirar ares marítimos, s. exa. passava os dias animado, e os seus incômodos haviam até quase desaparecido.

Ontem passou o dia bem disposto; à noite, palestrava com a sua exma. família, quando às 9 horas, mais ou menos, sentiu uns tremores pelo braço esquerdo.

Sua exma. esposa, pressurosamente, fez-lhe fricções, passando imediatamente os tremores.

S. exa., animando sua família, garantiu que nada mais sentia, sem manifestar incômodos maiores, pelo que continuou no salão de jantar conversando despreocupadamente.

Depois do chá, o ilustre paulista, levantando-se, dirigiu-se à escada que dá acesso para o pavimento superior, onde estavam os seus aposentos.

Quando pretendia subir os primeiros degraus, caiu por terra, já sem ação, pelo que as suas palavras eram imperceptíveis.

S. exa. perdeu a noção, desconhecendo as próprias pessoas da sua família.

Uma grande confusão apoderou-se da família do ilustre brasileiro, que, sem atinar, procurava aflitivamente acudir seu chefe.

Momentos depois, chegava o sr. dr. Walter Seng, hóspede do Hotel de La Plage, que empregou todos os recursos da ciência pra salvar o ex-presidente da República.

Às 3 e meia da manhã, o distinto patrício, entre cruciantes dores da sua inconsolável família, exalava o último alento.

Logo que s. exa. caiu prostrado, foi comunicado ao governo do Estado o seu melindroso e desesperador estado.

Desde as 5 e meia da manhã que os drs. Altino Arantes e Oscar Rodrigues Alves comunicaram-se com o Guarujá, e em nome do governo do Estado procuraram cercar a desolada família de todos os confortos, pondo à sua disposição tudo quanto necessário fosse pela auxiliá-la neste transe doloroso.

Nas primeiras barcas, seguiram para o Guarujá diversas pessoas gradas, que apressaram-se em oferecer à ilustre família do extinto os seus préstimos.

Às 10 horas, fomos àquela praia, apresentando pêsames à família, em nome do Estado.

Na ocasião em que penetramos na vivenda em que se hospedava o ilustre paulista, estava o corpo sobre um sofá, no centro da sala de visitas, coberto com lençol alvíssimo, tendo aos pés uma corbelha de flores naturais.

Rodeavam os despojos do pranteado brasileiro a sua exma. sra. d. Anna Gabriella de Campos Salles, sues filhos Helena, Sophia, Leonor e Paulo; d. Alice de Campos Salles, d. Miquelina Pereira de Queiroz, senhorita Carlota Pereira Queiroz, Manoella Vallares, d. Elisa Guilherme Alvaro, d. Julia de Toledo Piza, d. Amelia Romero, d. Mercedes Seng, dr. Padua Salles, dr. Guilherme Alvaro, senador Luiz Piza, deputado José Pereira de Queiroz, coronel Antonio Carlos de Salles, dr. Nilo Costa, dr. Walter Seng, Padua Sales Filho, Ranulpho Salles, dr. Paulo de Campos Salles, coronel José André de Maia Filho, senador Lacerda Franco, deputado Salles Junior, Aristides Salles, dr. Roberto Moreira e outras pessoas cujos nomes não nos ocorrem, de momento.

O dr. Padua Salles recebeu no Guarujá um longo telegrama do dr. Altino Arantes, pedindo que juntamente com o senador Luiz Piza determinasse tudo que fosse preciso para o transporte do cadáver do sr. dr. Campos Salles para essa capital.

Enquanto iam as barcas com pessoas gradas vindas dessa capital, que se dirigiam para o Guarujá, em Santos todo o comércio cerrava as suas portas.

A Associação Comercial, Câmara Sindical, repartições públicas, bancos, consulados, cerraram as suas portas e hastearam os seus pavilhões em funeral. O nosso porto, com grande número de vapores de todas as nacionalidades atracados nos cais e ao largo, na baía, apresentava um aspecto de tristeza, pois todas as embarcações estavam com as suas bandeiras em funeral.

A Câmara Municipal, assim que teve conhecimento da triste nova, pôs à disposição da família do pranteado extinto os seus préstimos, solicitando licença para prestar algumas homenagens à sua memória.

"Atestado de óbito - Atesto que faleceu hoje, às 3 horas e 30 minutos da madrugada, em consequência de hemorragia cerebral, o sr. dr. Manuel Ferraz de Campos Salles, ex-presidente da República Brasileira, branco, casado, com 72 anos de idade, residente em S. Paulo; Rua Vicente de Paulo n. 11-A. - Dr. W. Seng, Guarujá, 28 de junho de 1913".

O dr. Guilherme Álvaro fez, com permissão da família, algumas injeções de formol no cadáver do ex-presidente da República.

Depois de diversas medidas tomadas, ficou resolvido que o corpo seria transportado para a cidade em trem e barca especiais, dando-se o desembarque na ponte em frente à Guardamoria.

O Partido Municipal, de acordo com a Câmara, resolvendo prestar as mais sinceras homenagens, fez espalhar o seguinte convite:

"Ao povo. - Dr. Campos Salles. - O Diretório do Partido Municipal, abaixo assinado, convida o povo de Santos a comparecer às 2 e meia da tarde no ponto das barcas do Guarujá, a fim de prestar a última homenagem ao grande brasileiro, falecido esta madrugada, recebendo aí o seu cadáver e conduzindo-o ao carro mortuário da São Paulo Railway. - Santos, 28 de junho de 1913. - O diretório: A. S. Azevedo Junior, Carlos L. de Affonseca, Belmiro R. de Moraes e Silva".

Por ordem da Câmara foi, desde as 2 horas da tarde, feita a iluminação das ruas, sendo todos os lampiões cobertos de crepe.

Desde as 2 e meia da tarde, em todo o cais, em frente à Alfândega, postava-se uma multidão de pessoas de todas as classes sociais, notando-se médicos, advogados, engenheiros, cônsules, funcionários públicos, alto comércio, comissões de associações, jornalistas etc.

Às 2,40 atracava a barca especial trazendo a seu bordo os despojos do ilustre brasileiro.

Retiraram o ataúde de bordo para terra os srs. Carlos Luiz d'Affonseca, presidente da Câmara, coronel Belmiro Ribeiro de Moraes e Silva, prefeito municipal; Vicente Pires Domingues, Cincinato Martins Costa, Luiz Ayres da Gama Bastos, Oswaldo Cockrane, o coronel Gil Araujo, vereadores municipais e Antonio da Silva Azevedo Junior, presidente do Partido Municipal.

A Banda do Corpo de Bombeiros, ao descer à terra o féretro, executou sentidas marchas que provocavam lágrimas de muitos dos assistentes, principalmente de senhoras que, em grande número, também ali se achavam.

Depois foi colocado o ataúde numa carreta da Municipalidade, sendo puxada pelos membros da Câmara e pessoas de alta representação social.

O cortejo calculado em mais de 10 mil pessoas desfilou pelas praças da República, Barão Rio Branco; ruas 15 de Novembro, Frei Gaspar, Largo Rosário, Rua Santo Antonio e Estação da Ingleza.

As janelas das casas em cujas ruas passou o imponente e solene cortejo apinhavam-se de famílias, algumas das quais atiravam sobre o féretro flores naturais.

Na gare da Ingleza, quase era impossível o trânsito, tal a grande multidão que enchia as suas plataformas. No meio do mais profundo silêncio, ergueu-se o dr. João Carvalhal Filho e, emocionado, pronunciou, em nome do povo de Santos, um eloquente discurso, enaltecendo as qualidades do eminente político que desaparece do cenário da vida, abençoado por todos os brasileiros.

 

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