Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,14

EuroR$ 5,85

Santos

16ºC

MANIFESTAÇÃO BOLSONARISTA

Exército cancelou duas operações para desmonte de acampamento bolsonarista

operações foram suspensas por haver risco de confronto com manifestantes

Da FolhaPress

Da FolhaPress

03/01/2023 — terça-feira às 08h45

Exército cancelou duas operações para desmonte de acampamento bolsonarista

carreata apoio apoiadores bolsonaro covid19 coronavirus 125 1 848x477 - (foto: reprodução Facebook)

O Exército suspendeu ao menos duas operações conjuntas com o Governo do Distrito Federal para retirar tendas e instalações do acampamento bolsonarista em frente ao quartel-general da Força, em Brasília.
As ações estavam previstas para ocorrer durante o mês de dezembro e incluíam o desmonte das estruturas que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) montaram para pedir um golpe militar contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Integrantes das forças de segurança, no entanto, afirmaram à Folha de S.Paulo que as operações foram suspensas por haver risco de confronto com manifestantes –o que, na avaliação de militares e autoridades do Governo do DF, poderia ter efeito inverso e incendiar os atos.


Interlocutores no Exército dizem que a Força advoga por uma saída conciliada, lenta e gradual. Parte dos acampados no local iniciou uma desmobilização no domingo, dia 1º, dia da posse de Lula e pouco depois de Bolsonaro viajar aos Estados Unidos. O ex-mandatário deve permanecer ao menos um mês no exterior.


Ações conjuntas vêm ocorrendo desde novembro, com o Detran-DF (Departamento de Trânsito do Distrito Federal) disponibilizando guinchos e o SLU (Serviço de Limpeza Urbana) realizando o recolhimento de lixo e entulho. O DF Legal, por sua vez, ficou responsável pela retirada de comerciantes em situação irregular.
Apesar da atuação, duas operações conjuntas planejadas para acelerar o desmonte do acampamento acabaram frustradas.


A primeira ocorreria na semana anterior à diplomação de Lula, no dia 12 de dezembro. O cancelamento ocorreu na véspera e por ordem do Exército, segundo relatos de pessoas envolvidas na operação.
A justificativa apresentada foi que o momento não seria o mais propício para uma ação mais drástica na retirada de estruturas.


Chegou-se a avaliar a possibilidade de adiamento da operação para o dia da diplomação, mas integrantes do Governo do DF afirmaram que, diante da tensão, não seria prudente realizar a retirada do material.


Horas depois da diplomação de Lula, um grupo de bolsonaristas que estava acampado no QG protagonizou cenas de violência em Brasília. Após a prisão de um indígena bolsonarista por ordem judicial, eles tentaram invadir a sede da Polícia Federal e atearam fogo em carros e ônibus na região central da capital federal.
O principal desconforto, no entanto, ocorreu em 29 de dezembro. A Polícia Militar e o DF Legal mobilizaram cerca de 500 agentes para retirar tendas e instalações no acampamento, em operação que seria coordenada pelo Exército.


Após manifestantes serem hostis contra as forças de segurança, o Comando Militar do Planalto decidiu suspender a operação e afirmou ao Governo do Distrito Federal que retomaria a desmobilização do acampamento de forma gradual, por conta própria.


Em nota, o Exército afirmou que suspendeu a ação "no intuito de manter a ordem e a segurança de todos os envolvidos"


Oficiais-generais disseram à reportagem que a decisão foi tomada pelo general Gustavo Dutra, comandante militar do Planalto, e não pelo então comandante do Exército, Freire Gomes.


Eles afirmaram que uma retirada à força poderia causar conflito e elevar a temperatura –cenário que, na avaliação dos militares, deveria ser evitado.


A equipe de segurança de Lula tem a expectativa de que a troca do comando do Exército acarrete numa mudança de postura da Força sobre as manifestações antidemocráticas em frente aos quartéis.


O general Júlio César de Arruda assumiu nesta sexta-feira, dia 30,o principal cargo do Exército. A cerimônia de passagem do cargo ocorreu de forma fechada e contou com a presença do ministro da Defesa indicado por Lula, José Múcio Monteiro.


O ex-presidente do TCU (Tribunal de Contas da União) tem ponderado que deve ocorrer uma costura delicada para evitar novos atritos com bolsonaristas.


Ao tomar posse nesta segunda-feira, dia 2, Múcio voltou a defender uma abordagem moderada em relação às manifestações nos quartéis. Disse que são movimentos "da democracia" e que devem perder apoio aos poucos, sem repressão.


"Na hora que o ex-presidente [Bolsonaro] entregou o seu cargo, saiu [do país], e o [ex-vice-presidente Hamilton] Mourão fez o pronunciamento e pediu que as pessoas voltassem aos seus lares. Aquelas manifestações no acampamento, e eu digo com muita autoridade porque tenho familiares e amigos lá, é uma manifestação da democracia", disse a jornalistas.


Os atos antidemocráticos, que pediam um golpe militar para manter o então presidente Bolsonaro o poder, tiveram diferentes casos de violência que incluíram ato de terrorismo, depredações, agressões, sabotagem, saques, sequestro e tentativa de homicídio.

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

O filme lendário que se passa em apenas uma sala

CINEMA

O filme lendário que se passa em apenas uma sala

Preço de alimentos recua, e inflação oficial de junho fica em 0,16%

ECONOMIA

Preço de alimentos recua, e inflação oficial de junho fica em 0,16%

Vacinas contra covid-19 serão atualizadas contra novas variantes

SAÚDE

Vacinas contra covid-19 serão atualizadas contra novas variantes

2
Entre em nosso grupo