POR DENTRO DA POLÍTICA DA BAIXADA SANTISTA
Vereadora Débora Camilo e os deputados federais Glauber Braga e Sâmia Bomfim defenderam maior mobilização popular e fizeram críticas à estratégia de conciliação política
14/07/2026 — terça-feira às 01h00
Por Dentro da Política
Esquerda em campo
Em meio ao avanço da extrema direita no País, o auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Santos e Região (Sintrasaúde) ficou lotado, na noite de ontem, para acompanhar as análises de importantes lideranças do PSOL sobre o cenário político atual e os rumos da esquerda brasileira. Participaram do encontro os deputados federais Sâmia Bomfim, de São Paulo, e Glauber Braga, do Rio de Janeiro, além da vereadora santista Débora Camilo.
Radicalismo assumido
Pré-candidata à Assembleia Legislativa, Débora defendeu que a esquerda abandone a política de conciliação e enfrente a situação de forma mais contundente. Para a parlamentar, a disputa exige firmeza de posições e enfrentamento das causas estruturais dos problemas sociais. "A nossa luta é para ir a fundo e combater os problemas desde a raiz. A gente não quer conciliação, porque a extrema direita não quer dialogar com a gente, quer nos exterminar", disse.
Sem baixar a guarda
A vereadora também sustentou que a atuação institucional deve estar conectada à mobilização popular. Embora reconheça os limites do processo eleitoral, afirmou que as mudanças dependem da organização coletiva. "Eu sei que os nossos sonhos não cabem na urna, mas a partir desse momento a gente também pode construir algo melhor", reiterou.
Contra a moderação
Glauber Braga criticou as estratégias de moderação adotadas por setores da esquerda para tentar conquistar o eleitorado conservador. Na avaliação dele, esconder posições ideológicas fortalece os adversários. "A apresentação por completo no enfrentamento à extrema direita é uma necessidade, porque consegue dialogar com quem quer verdade nas posições daqueles que organizam a luta política", destacou.
Pressão pela esquerda
Embora reconheça a importância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conter o avanço da extrema direita no País, o deputado defendeu que os partidos de esquerda preservem sua independência política e pressionem o governo por uma agenda mais transformadora, apresentando propostas próprias, como a reversão da autonomia do Banco Central e o fim do arcabouço fiscal, que limita os investimentos nas áreas da saúde e da educação. "Nós temos que tensionar e mobilizar, sim, pela esquerda", resumiu.
Autonomia partidária
Sâmia complementou ao destacar a importância da autonomia do PSOL para ter a liberdade de denunciar escândalos, como o "orçamento secreto" (mecanismo de destinação de emendas parlamentares sem critérios transparentes), defender pautas, como a reforma agrária, sem as amarras da governabilidade tradicional.
Mandatos como trincheira
A parlamentar mencionou que a extrema direita avança quando a esquerda deixa de apresentar respostas concretas para a população. Também reforçou a necessidade da esquerda radical utilizar os mandatos no Congresso Nacional para "hackear" o orçamento, ou seja, direcionar recursos e emendas para financiar projetos que dificilmente recebem a atenção do Estado em uma lógica tradicional, como projetos de economia solidária.
Haja fôlego
Para a deputada, os mandatos devem ser instrumentos de organização popular e de pressão política para impulsionar uma agenda governamental para pautas que beneficiem diretamente a maioria da população e os trabalhadores. Ao comparar o cenário político a uma disputa de longo prazo, concluiu: "O enfrentamento e a derrota da extrema direita e do fascismo não é uma corrida de 50 metros. É uma maratona, que exige muito preparo físico".
Convenção marcada
A convenção estadual da federação União Progressista (formada por União Brasil e PP) será realizada na próxima segunda-feira, às 17 horas, no Plenário Juscelino Kubitschek da Assembleia Legislativa (Alesp). Na ocasião, o deputado federal e ex-secretário de Estado da Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) será oficializado como candidato ao Senado.
Candidaturas regionais
Conforme apurado pela coluna, a federação lançará dois nomes da Baixada Santista ao Parlamento paulista: o vereador de Guarujá Santiago Ângelo (PP) e a jornalista Solange Freitas (União), que tentará a reeleição. Para a Câmara Federal, Delegado da Cunha (União) buscará um novo mandato, após ter sido eleito pelo PP, em 2022. A jornalista e ex-secretária de Assuntos Portuários e Aeroviários de Guarujá, Thaís Margarido (União), também disputará uma vaga no Congresso Nacional.
Suspense no ar
O presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, afirmou ontem à coluna que o partido anunciará hoje o nome que concorrerá à Presidência da República nas eleições deste ano. Segundo o dirigente, a legenda é a única de perfil conservador capaz de desafiar as estruturas tradicionais da política brasileira.
Antissistema
Avalanche destacou que a sigla não será uma mera espectadora no pleito e que o Brasil precisa de uma liderança que represente uma mudança concreta e racional. "Nosso objetivo é oferecer ao povo um candidato com coragem para romper com o sistema e defender, sem rodeios, os interesses da população", garantiu.
Medicamento em falta
O deputado estadual Paulo Corrêa Jr. (Republicanos) protocolou, no fim do mês passado, um requerimento direcionado à Secretaria de Estado da Saúde cobrando esclarecimentos sobre a falta da Leflunomida 20 mg, medicamento distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de pacientes com artrite reumatoide e artrite psoriática.
Cobrança ao Estado
No documento, o parlamentar questionou quais fatores provocaram a interrupção da distribuição do remédio e se já existe previsão para o restabelecimento do abastecimento na Farmácia de Medicamentos Especializados de Santos, responsável pelo atendimento dos pacientes da Baixada Santista.
Tratamento sem interrupção
Na justificativa, Corrêa Jr. ressaltou que a continuidade do tratamento é fundamental para evitar o agravamento do quadro clínico de pessoas com doenças crônicas. O deputado reiterou que a interrupção da medicação pode comprometer o controle da dor, do processo inflamatório e da evolução da doença, além de aumentar o risco de danos permanentes às articulações.
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