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DIA DE FESTA NA APARECIDA

Com 'tudo por perto', moradores da Aparecida, em Santos, nem sonham em se mudar de lá

Bairro é um dos mais populosos da cidade, com cerca de 50 mil habitantes

Redação BS9

14/05/2022 - sábado às 13h00

Amigos se reúnem em praça para 'jogar conversa fora' - (foto: divulgação/PMS)

Considere vender 14 caixas com 30 dúzias de ovos por semana. Multiplique a soma por 29 anos. Quantos ovos foram vendidos no total? Esqueça a matemática - sequer o autor da façanha se preocupou em fazer esta conta - e vamos ao que interessa: tudo isso foi feito pelo vendedor Waltemiro dos Santos em sua barraca de ovos em frente à Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Ele é um dos personagens do bairro Aparecida que, neste sábado, dia 14, completa 54 anos de fundação.

Região com forte apelo comercial - "tem de tudo aqui" é uma das respostas mais citadas por seus moradores -, a Aparecida também ostenta a marca de uma das mais populosas de Santos, com seus cerca de 50 mil habitantes. Circulando pelas avenidas Pedro Lessa, Afonso Pena, Joaquim Montenegro, Almirante Cochrane e Bartolomeu de Gusmão pipocam comércios e serviços de todos os tipos: de restaurantes a bares, de lojas de colchões a papelarias, de lotéricas a supermercados etc. Difícil alguém de outro bairro de Santos não precisar ou querer ir a um comércio na Aparecida.

A lista de serviços públicos é igualmente variada: policlínica, Ambulatório Médico de Especialidades (AME), as UMEs Lourdes Ortiz e dos Andradas I e II, além das escolas estaduais Escolástica Rosa e Aristóteles Ferreira. Isso sem citar que muitos santistas colocam outra importante unidade de Saúde, a UPA Zona Leste, na "conta" da Aparecida quando, de fato, ela fica no Estuário.

Os donos de pets dispõem de várias praças onde podem levar os amigos de quatro patas. Na Caio Ribeiro de Moraes e Silva, em frente ao Sesc, a opção é a 'Parcão', onde eles correm soltos e protegidos. Já a praia, parte do jardim da orla, a Fonte do Sapo, e o Praiamar Shopping estão entre as opções de lazer do bairro, criado a partir do Plano Diretor do Município de 1968.

Praça receberá melhorias
Voltando a Waltemiro, o responsável pela Barraca do Miro, ele conta que presenciou a transformação do bairro nos últimos 29 anos. De seu negócio, ele acompanha as intervenções que a Prefeitura finaliza na Praça da Aparecida - entre outras intervenções, o local vai receber piso novo e um espaço pet.

Tranquilidade e fé
A Praça da Aparecida foi o local escolhido pelo marinheiro aposentado Edvin Federovicz, 84 anos, tomar seu lanche na manhã desta sexta-feira, dia 13. "Moro no Macuco, mas gosto de vir aqui pela tranquilidade".

Falando em tranquilidade, a agitação urbana é interrompida quando se entra na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, local que pode receber até 300 fiéis. Quem vai à paróquia para um momento de fé e oração se depara com um amplo painel dos artistas Cesário Ceperó e Pedro Perozi, elaborado em 1993, retratando a aparição de Jesus no Lago de Tiberíades.

De domingo a domingo
A força do comércio do bairro está em exemplos como a Livrolândia que, apesar do nome, vende vários outros produtos, como opções de presente, itens de papelaria, jornais e revistas. Localizado no 748 da Avenida Pedro Lessa, o estabelecimento abre de domingo a domingo. "Só não abrimos em 25 de dezembro, 1° de janeiro e na terça de carnaval", conta a proprietária Celina Vivian Salgado.

A Livrolândia surgiu porque o pai de Celina, Antonio Vivian Alvarez, dono de uma padaria no bairro, pensou em abrir outro estabelecimento para a família. Isso foi há 43 anos. Desde então, os clientes mais antigos, mesmo que tenham mudado para outros bairros, acabam passando com filhos e netos, especialmente aos domingos, no local. "Às vezes lembram que precisam de uma caixa para um presente, um cartão festivo ou material para um trabalho de escola". A marca da tradição também é mantida por um baleiro giratório no balcão, herdado da antiga padaria.

O passeio do 'moleque'
'Moleque' passeia duas vezes por dia na Praça Caio Ribeiro de Moraes e Silva. O cão é levado por sua tutora, a jornalista aposentada Solange Fernandes, que mora na Aparecida há 42 anos. "Gosto de tudo aqui. Tenho praia, cinema, shopping e o Sesc na frente da minha casa".

Atenta, Solange já contou mais de 15 diferentes árvores frutíferas na praça e sugere a identificação das espécies, como ocorre nos parques públicos. "Seria interessante as pessoas saberem qual é cada uma".

Resistência arquitetônica
O crescimento vertical do bairro, como os demais de Santos, contrasta com a resistência dos chalés de madeira, reforçando um ar histórico. Quem tem o privilégio de morar em um desses é o aposentado Antonio Rodrigues, 71. "Estou aqui há mais de 50 anos. Adoro o sossego deste bairro". Talvez ele mude apenas o formato de sua residência: tem ideia de substituir as madeiras por uma casa sobreposta para poder morar junto ao filho. "Do bairro, não penso em sair".

Já quem não pensa em substituir as madeiras da casa é o também aposentado João de Moraes Ferreira, 58. "Essas madeiras vieram de outro chalé da família, lá da Ponta da Praia. Devem ter cerca de 100 anos". A tinta cinza escuro aplicada ao material as mantém bem conservadas. "Este bairro aqui não tem igual. Temos tudo aqui".

Sem as magrelas
Na música 'Tudo o que ela gosta de escutar' a banda Charlie Brown Júnior fez um hino ao bairro ao citar o primeiro conjunto habitacional do País no trecho "Eu só tenho uma magrela e um apê no BNH", mas os amigos Antônio da Silva, 88, e Alfredo Vieira da Silva, 67, nem precisam de bicicletas para saír de seus apartamentos e, com poucos passos, chegar à praça onde diariamente se encontram com a turma para contar histórias e dar boas risadas. O BNH é uma referência ao Banco Nacional de Habitação, que custeou a construção do Conjunto Habitacional Castelo Branco. Falar o nome completo do residencial dá mais trabalho, e não demorou muito para BNH ser referência popular na Cidade.

"A gente vem mesmo para jogar conversa fora", admite Alfredo. "Aqui temos de tudo por perto. Este bairro é maravilhoso", completa Alfredo. Sobre a possibilidade de mudar da Aparecida, Alfredo arremata, com bom humor: "Só saio daqui para ir para a Areia Branca ou para o Saboó (bairros com cemitérios municipais)".

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