MONGAGUÁ
A roda propôs, ainda, uma nova perspectiva sobre o que significa estar "à margem"
Da Redação
11/09/2026 — sexta-feira às 07h34
Divulgação
A periferia não é apenas um lugar marcado pela falta de recursos. Também é onde conhecimentos são construídos, soluções são encontradas e diferentes formas de cultura são produzidas. Essa foi a ideia central da roda de conversa "A Arte da Inteligência Periférica", realizada nesta quarta-feira (9), no Centro Cultural Raul Cortez. A atividade fez parte da programação do 23º Festival Estudantil Mongaguá de Cultura (FEMC) e reuniu cerca de 40 jovens da região.
Conduzida pelo professor Luiz Filho, gestor pedagógico da Fábrica de Talentos, a atividade debateu o conceito de "inteligência periférica" e como as vivências nesses territórios moldam formas próprias de criar, resolver problemas e produzir conhecimento. Expressões como música, dança, literatura, artes visuais e cultura digital foram utilizadas para ilustrar o impacto dessa produção.
"Quando olhamos para a periferia, muitas vezes o primeiro olhar se volta para aquilo que falta. Mas existe uma produção imensa de saberes nesses territórios. As pessoas criam, encontram soluções, desenvolvem linguagens e produzem cultura a partir de suas próprias experiências. Reconhecer isso é validar a inteligência que pulsa ali", explicou Luiz Filho.
A discussão também passou pela questão da visibilidade. Nem todos os que produzem cultura conseguem ter acesso às informações, referências e ferramentas necessárias para divulgar seu trabalho. Com isso, histórias, ideias e talentos podem permanecer restritos aos próprios territórios, sem chegar a outros públicos.
Diante disso, o acesso à informação foi apontado como um fator decisivo para expandir as possibilidades de criação. Descobrir novos caminhos, linguagens e ferramentas ajuda a transformar uma vivência cotidiana em uma obra de arte, um projeto estruturado ou uma iniciativa social. Por outro lado, o encontro reforçou o valor do saber que já existe e é compartilhado diariamente nas relações comunitárias.
A roda propôs, ainda, uma nova perspectiva sobre o que significa estar "à margem". Ficar fora dos grandes centros de decisão ou de circulação comercial não anula a capacidade de produzir conhecimento. Pelo contrário: em muitos casos, o distanciamento geográfico e social permite olhares inovadores sobre problemas e experiências do cotidiano.
Ao longo da conversa, os jovens foram convidados a se reconhecer como produtores de cultura. Suas histórias, os bairros onde vivem, as referências que carregam, as dificuldades enfrentadas e os planos para o futuro podem servir como ponto de partida para diferentes formas de criação.
Ao integrar essa atividade à programação, o FEMC cumpriu o papel de aproximar a prática cultural da reflexão crítica sobre democratização do acesso, representatividade e legitimação do saber. Colocando a juventude no centro do debate, o festival deu voz a quem vive e transforma os territórios a partir de dentro.
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