MEIO-AMBIENTE
Evento promovido pelo IPA reuniu agricultores, pesquisadores e parceiros para compartilhar avanços do sistema agroflorestal com a palmeira-juçara e discutir perspectivas de expansão do projeto
Da Redação
02/09/2026 — quarta-feira às 15h00
Divulgação
O Projeto SAF Juçara, iniciativa que alia conservação da Mata Atlântica, pesquisa e geração de renda no Vale do Ribeira, já reúne 64 agricultores e está ampliando sua atuação para Cananéia e Tapiraí. Os avanços foram apresentados nesta quarta-feira (26), em Registro, durante o XII Seminário do Projeto SAF Juçara, promovido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
O evento teve como objetivo apresentar os resultados do Sistema Agroflorestal (SAF) Juçara, desenvolvido de forma colaborativa desde 2012. O seminário reuniu agricultores, técnicos, pesquisadores e demais interessados para a troca de experiências e a divulgação de resultados relacionados ao cultivo sustentável da palmeira-juçara (Euterpe edulis) no Vale do Ribeira.
O projeto integra recuperação da Mata Atlântica, pesquisa, geração de renda e inovação produtiva. Entre as atividades desenvolvidas estão o cultivo consorciado de espécies como banana, café e chá artesanal em antigos chazais, além do incentivo ao turismo rural e da valorização da polpa da juçara, considerada uma superfruta rica em antocianinas.
Representando o diretor do IPA, Marco Aurélio Nalon, o pesquisador científico Ocimar José Baptista Bim abriu o evento abordando o histórico do projeto no Vale do Ribeira, as ações de combate à extração ilegal da juçara e o desenvolvimento da polpa do fruto como alternativa econômica sustentável.
"A pesquisa pública contribui para o desenvolvimento sustentável. Quem sabe, no futuro, o fruto da juçara esteja na mesa de todos os brasileiros", afirmou.
Junichi Mukaichi, presidente da ONG Versta, do Japão, relembrou que o projeto teve origem com a aprovação de recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente do governo japonês, obtidos pela entidade em parceria com o pesquisador aposentado Guenji Yamazoe, do então Instituto Florestal, hoje incorporado ao IPA.
"Nós, da Versta, estamos comprometidos com a recuperação da Mata Atlântica, o combate às mudanças climáticas, a expansão dos SAFs de Juçara e a meta de plantar 100 mil árvores até 2030 no Vale do Ribeira", destacou.
A presidente da Associação dos Bolsistas JICA-SP, Regina Yamada, ressaltou as ações da entidade na área ambiental e no fortalecimento do intercâmbio entre Brasil e Japão por meio de bolsas de estudo destinadas a estudantes, pesquisadores e produtores rurais.
"Este seminário conecta pesquisa e prática, unindo conhecimento e experiência. O SAF Juçara combina conservação ambiental e geração de renda por meio de pessoas que acreditam ser possível construir um futuro mais sustentável", afirmou.
Na palestra Situação Atual e Perspectivas do Projeto SAF Juçara, Yoshikazu Onose, diretor-superintendente da Versta, destacou a evolução da iniciativa, que começou com seis agricultores e atualmente conta 64 participantes em diferentes municípios do Vale do Ribeira.
"O Brasil abriga a maior comunidade de descendentes japoneses fora do Japão. Além de sua contribuição para diversos setores da economia, a imigração japonesa participou da expansão da agricultura brasileira. Há alguns anos começamos a investir no cultivo da juçara em Sete Barras e nosso objetivo é expandir a iniciativa para outros estados, contribuindo para a recuperação da Mata Atlântica por meio dos sistemas agroflorestais. O projeto já foi reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão, que destinou recursos para mais um ano de atividades", explicou.
O presidente da Iniciativa Verde, Roberto Resende, apresentou projetos de restauração ecológica que utilizam a palmeira-juçara como espécie estratégica para a recuperação ambiental.
"Há duas décadas atuamos com desenvolvimento rural sustentável, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, melhoria de serviços ecossistêmicos e restauração florestal. A juçara é uma espécie-chave para o Vale do Ribeira, pois sua sombra favorece, por exemplo, o cultivo de chá sombreado, um produto artesanal e valorizado, associado à conservação da Mata Atlântica", afirmou.
Roberto também destacou a ampliação do projeto SAF Juçara para os munícipios de Cananéia e na aldeia indígena Tekoá Guera-Pepó, em Tapiraí.
O estudante de Engenharia Agronômica da Unesp de Registro e ex-bolsista da JICA, Joy Takahashi, compartilhou sua experiência em programas de intercâmbio e sua vivência com sistemas agroflorestais de Satoyama, no Japão.
"Com o intercâmbio, conheci não apenas a agricultura japonesa, mas também experiências de países como Sri Lanka, Bolívia, Índia e Paquistão, por intermédio dos colegas do curso", relatou.
Takahashi destacou ainda que o desenvolvimento sustentável depende do equilíbrio entre os aspectos ambiental, social e econômico.
"Sem preservação ambiental, o desenvolvimento gera degradação; sem viabilidade econômica, não há geração de renda nem oportunidades para as comunidades; e sem inclusão social, os benefícios não são distribuídos de forma justa. O equilíbrio entre esses três pilares é essencial para evitar problemas como o êxodo rural. Por isso, projetos como o SAF Juçara são tão importantes", ressaltou.
Encerrando a programação, o engenheiro agrônomo e consultor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Mário Terashima, apresentou modelos de sistemas agroflorestais que combinam juçara com chá, banana, plantas ornamentais, cacau e café, destacando seus resultados econômicos e ambientais.
Ele abordou ainda temas como implantação dos SAFs, consórcios produtivos, recuperação de áreas degradadas, manejo do solo e sombreamento.
"O Projeto SAF Juçara é uma iniciativa exemplar. Além de contribuir para a preservação de uma espécie ameaçada de extinção, promove a ocupação produtiva de áreas abandonadas, gera renda, favorece a recuperação da Mata Atlântica no Vale do Ribeira e fortalece o turismo rural", concluiu.
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