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LITERATURA

Dia Nacional do Livro: "Sem o financiamento, meu sonho não teria saído do papel", diz escritora apoiada pelo Banco do Povo

Moradora de Atibaia, empreendedora utilizou crédito para publicar livros infantis sobre prevenção de violências

Da Redação

Da Redação

30/10/2026 — sexta-feira às 16h01

Dia Nacional do Livro: "Sem o financiamento, meu sonho não teria saído do papel", diz escritora apoiada pelo Banco do Povo

Dia do Livro

O Dia Mundial do Livro foi comemorado nesta quinta-feira (29) e a autora Anna Luiza Calixto transformou o sonho de escrever livros em negócio. Moradora de Atibaia, a escritora está à frente do Projeto Bem Me Quer, iniciativa que utiliza a literatura infantojuvenil para abordar temas como os direitos das crianças e dos adolescentes. Com o apoio do Banco do Povo Paulista (BPP), programa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE), ela conseguiu ampliar suas publicações e alcançar novos leitores.

 

Em todo estado de São Paulo, o BPP contribui para fortalecer empreendimentos ligados ao comércio e à produção de livros, oferecendo acesso ao microcrédito para quem deseja investir e expandir suas atividades. Desde 2023, foram mais de 1 milhão de microcréditos disponibilizados pelo Banco do Povo para empreendedores do setor em 65 operações.

 

"A literatura infantil é imprescindível ao desenvolvimento de pensamento crítico e elaboração consciente da realidade desde a primeira infância. Por isso, linhas de crédito como a do Banco do Povo nos mantêm, como autores, em movimento e crescimento no mercado", destaca.

Para ampliar o alcance de suas publicações, Anna encontrou no Banco do Povo Paulista uma oportunidade de investir na produção editorial. Ela conheceu o programa pelas redes sociais, ao pesquisar linhas de financiamento voltadas a mulheres empreendedoras.

 

O recurso foi utilizado para custear ilustrações, diagramação e impressão de livros que abordam temas como bullying e adultização infantil.

 

"Com o apoio do Banco do Povo, consegui imprimir edições lindas e alcançar um público ainda maior. Nosso livro Cresça e apareça foi o nosso primeiro produto voltado à primeira infância e, sem o financiamento, provavelmente não teria saído do papel", conta Anna.

 

Sonho da juventude virou negócio

O interesse de Anna pela escrita começou ainda na adolescência. Em 2015, aos 14 anos, ela criou o Projeto Bem Me Quer como uma iniciativa voluntária e percorreu as 26 escolas municipais de Atibaia para conversar com estudantes sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o direito à participação cidadã.

 

Três anos depois, em 2018, o projeto se tornou uma microempresa e passou a oferecer palestras, cursos e treinamentos para profissionais que atuam na proteção de crianças e adolescentes, como professores, psicólogos, assistentes sociais e conselheiros tutelares.

 

Atualmente, o negócio desenvolve atividades itinerantes em 14 estados brasileiros e conta com oito livros publicados, que se tornaram seu principal produto e instrumento de comunicação com o público.

 

Literatura infantil nas telas

Em um mercado que precisa acompanhar as mudanças nos hábitos de consumo, Anna aposta na diversificação dos formatos para aproximar as crianças dos livros.

 

Além das publicações impressas, o Projeto Bem Me Quer trabalha com e-books, contações de histórias e palestras literárias e educativas. A proposta é estimular a leitura desde cedo e oferecer às famílias alternativas ao tempo excessivo diante das telas.

 

"O verdadeiro desafio é a necessidade contínua de inovação no modo como nos comunicamos e estimulamos o público infantojuvenil ao hábito da leitura, ainda mais com temas tão desafiadores como a violência sexual e o trabalho infantil", explica.

 

Com planos de ampliar o catálogo, Anna pretende lançar materiais sobre novos desafios relacionados aos direitos de crianças e adolescentes, além de desenvolver uma mentoria para incentivar novos autores e profissionais do mercado editorial.

 

"Iniciativas de apoio financeiro a empreendedores do setor literário são uma verdadeira injeção de ânimo num mercado que se reinventa diariamente para não perder contato com um novo público consumidor que é exigente e precisa de estímulos em linguagens diversas", afirma.

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