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ENTREVISTA DE DOMINGO

Heitor Gonzalez se dispõe a ajudar outros empresários da região

Ele é presidente do Sindicato de Hotéis e Restaurantes da Baixada Santista

Por Lucas Campos - Redação BS9

20/02/2022 - domingo às 00h01

Ele contou como enxerga esse momento de retomada econômica e quais são os desafios esperados para o setor em 2022 - (foto: arquivo pessoal)

O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (Sinhores) é um órgão que representa os mais de 16 mil estabelecimentos da categoria na região perante os órgãos públicos e privados.
 
Heitor Henrique Gonzalez Takuma é presidente da instituição e, engenheiro de formação, entrou no ramo por acaso, por meio de um tio que era dono de um estabelecimento comercial e o convidou para ajudar em seu trabalho, há 40 anos.
 
De lá para cá, muita coisa mudou, menos o que motiva sua vida profissional: a vontade de fazer as coisas darem certo. Heitor gosta de empreender e de gerar emprego e economia. Está sempre procurando fazer algo novo, não apenas no ramo de restaurante e hotéis, mas sempre participando de outros projetos. Já foi também presidente da Associação Comercial da cidade e assim tudo vai se completando em sua vida.
 
Ao mesmo tempo, sabe que é muito difícil ser empresário no Brasil, tendo centenas de pessoas que dependem do seu trabalho com, segundo ele, um governo que anda para um lado e a justiça que anda para o outro.
 
E sabendo de toda essa dificuldade, se dispõe a ser presidente exatamente para ajudar outros empresários que tem menos tempo e menos condições de entender o que está acontecendo. Confira na entrevista a seguir como Heitor enxerga esse momento de retomada econômica e, entre vários assuntos, o que ele pensa da mão de obra na Baixada Santista e quais são os desafios esperados para 2022.
 
1- Agora que a retomada econômica teve início, o que você acha que ainda precisa ser feito para alavancar de vez?
Na verdade, o principal que precisa ser feito é não parar de fazer o que já está sendo feito. Não parar de vacinar, não parar de tomar todas as precauções dos protocolos higiênicos que todos precisam tomar, principalmente o álcool e a máscara, para que assim a gente evite o que nós estamos mais uma vez presenciando na Europa, com aumentos significativos de casos de Covid, por sorte sem grande repercussão ainda nos hospitais, mas números extremamente elevados. Por enquanto, aqui no Brasil, estamos vivendo algo com cerca de 5 mil casos com 210 mil habitantes, e lá tem países que já estão com 70 mil casos por dia como na Inglaterra e 30 mil casos na Espanha. Então isso deixa a gente com medo de que possa prejudicar a retomada que estamos fazendo. Uma retomada bastante e significativa forte desde agosto.
 
2- Quais as orientações para os empresários do setor de gastronomia nesse período em que estamos vivendo?
As orientações que o Sinhores tem dado é que todos mantenham seus protocolos, não esmoreçam, negociem e acreditem no que vamos viver nesse verão e que já estamos vivendo nos últimos três meses. Os empresários têm muitos problemas, a maioria ainda sobrevive porque postergou impostos, postergou aluguéis e financiamentos. Então, na verdade, toda ajuda que existiu foi de postergações, com exceção do Governo Federal, que realmente auxiliou nos salários durante um bom tempo. Caso não fosse isso, mais da metade do nosso segmento já teria fechado as portas. Mas sobrou essas sequelas que precisam ser encaradas agora e todos os empresários têm que botar a cabeça no travesseiro e administrar isso com muito cuidado. Mas graças a retomada que vivemos é possível sair dessa encrenca que a pandemia nos colocou.
 
3- Você consegue mencionar qual foi o tamanho do estrago no setor de bares, hotéis e restaurantes na pior fase da pandemia?
É difícil de imaginar e quantificar o estrago. Até porque, nós ainda não saímos do perigo desse estrago. Todas as postergações precisam ser pagas. E pagas exatamente em conjunto com a que é do mês. Então se estamos devendo aluguel e foram diluídos em dez meses, por exemplo, temos que pagar a parcela do aluguel do mês mais essa postergação do aluguel não pago. E assim vale para impostos e financiamentos. Ou seja, é bastante difícil fazer isso. Mas a gente tem uma ideia bastante boa. Principalmente os pequenos empresários, eu diria que uma faixa de 10% a 15%, acabaram fechando as portas. E hoje temos pelo menos 30% desses empresários fazendo e pagando essas postergações, ainda com problemas. Os maiores, obviamente, geralmente têm recursos e conseguiram passar por esses dois anos usando todas as ferramentas que foram colocadas à disposição pelo Governo Estadual, Federal, Municipal, pelos próprios sindicatos e bancos. Conseguiram atravessar essa tormenta e iniciam agora uma nova fase da sua vida. Então, resumindo, 50% passaram sem ter agora grandes problemas para enfrentar, a não ser recuperar o que foi gasto. E dos outros 50%, 15% fecharam e 35% estão com dificuldades de resolver os problemas que foram gerados nesses dois anos.
 
4- Quais são as ações que o sindicado está propondo para o poder público neste momento de retomada?
O sindicato atuou fortemente com o poder público. Não só durante a pandemia, mas também agora nessa retomada. Durante a pandemia, foi vital para muitas empresas a atuação do sindicato, negociando diversos aditivos que deixavam a situação das empresas um pouco mais favoráveis. Negociamos quanto tempo os estabelecimentos ficariam abertos e todas as loucuras que aconteciam no dia a dia, no abre e fecha de todas as empresas. E continuamos negociando novas situações de postergações de impostos, de horários e de condições de trabalho.
 
5- O Sinhores oferece diversos cursos para a população. Qual o principal objetivo dessas capacitações?
Durante a pandemia nós perdemos muita mão de obra, que migrou para outras atividades que permaneciam abertas, como farmácias, açougues, quitandas, supermercados e construção civil. Agora, com a retomada, nós nos vimos sem a mão de obra que tínhamos e perdemos e sem a mão de obra extra que todo ano, nesse final, a gente contrata. Então, a capacitação é muito importante. A nossa especialização na Baixada Santista já não é das melhores. Ela exige essa capacitação constante. Agora, perdendo essa mão de obra, estamos sofrendo muito com isso. Desde novembro estamos fazendo contratações no mercado e não é fácil. Estamos tendo que pegar pessoas sem experiência e treiná-las internamente nos restaurantes. O sindicato tem ajudado muito, capacitando de 100 a 200 pessoas por mês nos mais diversos ramos, como higiene, camareiras, barmen, garçons, cozinheiros, mas poderíamos e vamos ter que fazer muito mais pensando no próximo ano.
 
6- Consegue dizer quantas pessoas o local já ajudou e qual a importância desse projeto para a região?
A importância é vital. O nível de especialização na Baixada é baixo. Toda essa gama de trabalhadores do nosso segmento precisaria melhorar muito e para isso não é só trabalhar que vai evoluir. É preciso fazer cursos, treinar e se capacitar. Então, algumas prefeituras têm acordado para isso e têm ajudado nesse sentido. O sindicato conseguiu arrumar verbas e a partir de então tem deixado isso muito mais forte. O ano de 2022 será marcado exatamente por um ano onde a gente vai investir muito em cursos no sindicato visando exatamente capacitar todos esses trabalhadores que nós precisamos.
 
7- Você acredita que a mão de obra qualificada é um problema na Baixada Santista?
Sem dúvida. A mão de obra qualificada na Baixada é um problema há muitos anos. Ela tem melhorado, mas com esses dois anos da pandemia essa mão de obra se espalhou e saiu do nosso mercado, o que vai fazer com que a gente tenha um ano de 2022 bastante difícil. Por isso o investimento que vamos fazer para aumentar a quantidade de pessoas que vamos treinar. Temos que fazer isso.
 
8- Qual a previsão do turismo na região para a temporada de verão? Já está mais próximo do que era antes da pandemia começar?
A previsão é a melhor possível para a temporada de verão. Porque a gente vem de uma retomada muito forte desde agosto. O dólar é um parâmetro importante para nós, e ele está alto. Viajar de máscara 12 horas para Europa e Estados Unidos é extremamente incômodo. Ter que fazer exames no exterior para voltar ao País é muito chato e muito problemático. Os surtos que estão acontecendo na Europa nesse momento são preocupantes. Então tudo isso faz a pessoa desistir de uma viagem internacional e ela passa a optar por uma viagem nacional. Ou vai para o Nordeste, que são três horas de voo, ou escolhe a nossa região e vem para a Baixada Santista. Portanto, ponderando tudo isso, a gente chega a uma conclusão óbvia de que a Baixada vai receber uma quantidade muito grande de turistas. Todos vão procurar o verão, as praias e as nossas facilidades. Isso já se demonstra na grande ocupação já reservada de hotéis e pousadas para o Ano Novo, que já estão com números bastante elevados e tudo isso nos leva a ter a certeza de que teremos uma temporada de verão das melhores dos últimos dez anos. Levando em conta que uma das melhores temporadas foi 2012. Após isso começou uma recessão que atingiu seu auge em 2016 e 2017. Tivemos em 2018 uma melhora, aumentando significativamente em 2019 sendo o melhor ano depois de 2012, e aí os dois anos da pandemia muito ruins. Então essa é a previsão.
 
9- E para o próximo ano? Quais são os principais desafios que você já enxerga para o setor em 2022?
Vai ser um ano importantíssimo. O grande desafio é ficar vivo e permanecer no mercado. Sem dúvida a prova de fogo é agora. Como eu disse, 50% do nosso mercado já se safou do problema chamado pandemia e daqui para a frente é vida nova. Mas, dos outros 50%, alguns fecharam e outros têm problemas muito grandes para serem resolvidos. Então será um ano de lutas constantes, onde tem que ser feito uma gestão muito precisa do seu comércio para continuar permanecendo vivo. A ideia é que toda essa parcela do mercado possa dizer, entre o final de 2022 e março de 2023, que está normal novamente como estava em março de 2020. Esses são os principais desafios para 2022.

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