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ELEIÇÕES 2026

Solange Freitas, Caio França e Tiago Peretto lideram intenção de voto para deputado estadual

Solange Freitas, Caio França e Tiago Peretto formam primeiro pelotão regional, mas eleição proporcional impede transformar percentuais em previsão de vitória; pesquisa mede força dos nomes em cinco cidades da Baixada, e não no conjunto do Estado

13/09/2026 — domingo às 21h01

Solange Freitas, Caio França e Tiago Peretto lideram intenção de voto para deputado estadual

Divulgação

Pesquisa para deputado é um bicho diferente. Ao contrário das eleições para presidente, governador ou prefeito, nas quais a intenção de voto pode ser confrontada diretamente com a quantidade de vagas em disputa, a corrida pelas cadeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo passa por uma engrenagem bem mais complexa. Não basta estar entre os mais citados. O destino de cada candidatura depende também da votação alcançada por seu partido ou federação e da distribuição das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP).

 

É com essa cautela que deve ser lido o mais recente levantamento do Instituto Badra na Baixada Santista. Na pergunta espontânea, aquela em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, Solange Freitas aparece com 3,8%, Caio França com 3,7% e Tiago Peretto com 3%. Depois vêm Fabrício Cardoso, com 1,8%, Tenente Coimbra e Lucas Mourão, ambos com 1,5%, além de Eduarda Campopiano, com 1,1%.

 

A fotografia, porém, é regional. O levantamento ouviu eleitores de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão. Portanto, não mede o eleitorado paulista e não permite projetar aqueles percentuais para os mais de 30 milhões de eleitores do Estado. Isso é particularmente importante numa eleição legislativa. Candidatos da Baixada precisam buscar votos fora dela, enquanto nomes com bases eleitorais em outras regiões podem receber votos no litoral pela projeção pública, identificação ideológica, atuação parlamentar ou aderência de suas propostas.

 

Há ainda outro dado que recomenda prudência. Nada menos que 43% dos entrevistados não souberam dizer espontaneamente em quem votar para deputado estadual e outros 29,3% responderam ninguém ou nenhum. Somados, são mais de sete em cada dez eleitores sem indicação nominal de candidato nesse momento. Em vez de uma corrida definida, o levantamento encontra uma disputa ainda em processo de formação. E é certo que muitos desses eleitores decidirão seu voto na véspera do pleito, quando não no caminho para as urnas, no dia da eleição.

 

SIGNIFICADO IMPORTANTE

É justamente por isso que os 3,8% de Solange Freitas ganham significado. Não como projeção de votação estadual, mas como indicador de lembrança em sua região de origem. Eleita deputada estadual em 2022 com 81.870 votos, Solange construiu parte expressiva daquele resultado na própria Baixada. Foram 26.411 votos em São Vicente, 14.535 em Santos, 8.826 em Praia Grande e 6.220 no Guarujá.

 

Os cruzamentos da Badra mostram agora uma presença relativamente distribuída. Solange alcança 4,7% entre eleitores de 25 a 44 anos, 4,6% entre 45 e 59 e 4,2% entre evangélicos. Um dado chama particularmente atenção: marca 5% entre a população não ocupada. Sua vantagem de um décimo sobre Caio França, evidentemente, não configura liderança estatística. O que existe é um primeiro pelotão.

 

E nele está Caio França, com 3,7%, personagem eleitoral bastante conhecido na região e o mais experiente entre os três primeiros quando se observa a disputa estadual. Ele foi eleito deputado em 2014 com 123.138 votos, ampliou para 162.166 em 2018 e voltou à ALESP em 2022 com 105.173 votos. Sua trajetória revela justamente como uma base regional pode ser combinada com votação estadual. em 2022, São Vicente lhe entregou 24.428 votos, mas sua votação esteve espalhada por centenas de municípios paulistas.

 

Na pesquisa Badra, Caio apresenta um desenho interessante. Seus 3,7% sobem para 5% entre os eleitores de 16 a 24 anos, 4,4% entre os homens e 4,9% entre católicos. É um perfil diferente do observado em parte de sua trajetória anterior e sugere capacidade de renovação da base. Para uma candidatura que já demonstrou conseguir votos além da Baixada, a lembrança regional espontânea próxima à liderança representa um ativo relevante, embora, novamente, insuficiente para antecipar o resultado estadual.

 

DESEMPENHO ROBUSTO

A novidade do primeiro grupo é Tiago Peretto. Seus 3% o colocam a menos de um ponto dos dois deputados que encabeçam a pesquisa. E há uma história eleitoral recente que ajuda a entender o número. Em 2022, Peretto tentou chegar à ALESP e recebeu 19.284 votos, ficando como suplente. Dois anos depois, retornou à disputa municipal e foi o vereador mais votado de São Vicente, com 12.668 votos, mais que quadruplicando os 3.053 obtidos para vereador em 2020.

 

O levantamento Badra indica, contudo, que sua força ainda tem características específicas. Peretto chega a 4,4% entre os mais jovens e a 3,9% entre católicos, mas fica em 1,7% entre eleitores com ensino superior. Seu desafio é evidente, ou seja, converter uma votação municipal extraordinariamente forte em São Vicente em capilaridade regional e, sobretudo, estadual. É talvez, entre os três primeiros, o nome cujo desempenho futuro mais dependerá dessa expansão territorial.

 

Logo atrás aparece Fabrício Cardoso, com 1,8%. Vereador de Santos, ele foi reeleito em 2024 com 6.106 votos, segundo colocado entre os candidatos à Câmara santista. Nessa pesquisa, há um cruzamento especialmente expressivo: Fabrício alcança 3,8% entre eleitores com ensino superior e 6,1% na faixa de renda acima de R$ 8 mil. São nichos interessantes, embora o percentual geral ainda revele a necessidade de ampliar conhecimento para além de sua base municipal.

 

Tenente Coimbra, com 1,5%, oferece quase o exemplo inverso. Seu percentual regional é menor, mas seu histórico estadual é muito mais robusto. Eleito em 2018 com 24.109 votos, saltou para impressionantes 209.705 votos em 2022, terminando entre os deputados estaduais mais votados de São Paulo. Claro, surfou a onda bolsonarista. É a demonstração prática de porque a pesquisa da Baixada não pode ser convertida numa tabela de “chances de eleição”. Um candidato pode aparecer atrás regionalmente e possuir musculatura eleitoral muito maior no conjunto do Estado.

 

No fim, a Badra talvez revele mais sobre território eleitoral e memória política do que sobre uma hipotética ordem de chegada. Solange Freitas, Caio França e Tiago Peretto ocupam hoje o primeiro espaço na lembrança espontânea dos eleitores ouvidos, enquanto Fabrício Cardoso, Tenente Coimbra e Lucas Mourão formam um segundo agrupamento. Mas, numa eleição proporcional, a urna conta duas histórias ao mesmo tempo: a do candidato e a da legenda. A votação individual importa muito, porém não caminha sozinha.

 

E há um último componente. A eleição ainda está distante de estar cristalizada na cabeça do eleitor. Com 43% incapazes de mencionar espontaneamente um candidato e 29,3% dizendo não escolher ninguém, existe um território enorme a ser disputado. Nas próximas semanas, estrutura partidária, apoios municipais, prefeitos e vereadores, presença territorial, comunicação e capacidade de transformar conhecimento em voto poderão pesar tanto quanto a posição ocupada nesta fotografia de setembro.

 

METODOLOGIA

O levantamento Badra foi realizado presencialmente entre 8 e 10 de setembro de 2026, em pontos de fluxo de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão. A pesquisa é não probabilística por cotas, com proporções de região de moradia, sexo e faixa etária e aproximações para escolaridade e renda, com ponderação posterior. O caderno informa 1.506 entrevistas nos resultados publicados, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. Os levantamentos estão registrados no PesqEle sob os números SP-04248/2026 e BR-02142/2026.

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