Segunda, 14 de setembro de 2026

Santos

19ºC

ELEIÇÕES 2026

Paulo Alexandre e Rosana lideram lembrança para federal na Baixada, mas eleição proporcional exige outra leitura

Pesquisa Badra mostra vantagem regional dos dois deputados; resultado, porém, retrata cinco cidades do litoral e não pode ser convertido em previsão sobre as 70 cadeiras paulistas na Câmara

13/09/2026 — domingo às 21h02

Paulo Alexandre e Rosana lideram lembrança para federal na Baixada, mas eleição proporcional exige outra leitura

Divulgação

Quando o eleitor responde espontaneamente em quem pretende votar para deputado federal, ele oferece uma informação diferente daquela captada numa pesquisa para presidente ou governador. Mais do que antecipar quem será eleito, revela quais nomes já conseguiram ocupar espaço em sua memória antes mesmo de qualquer lista ser apresentada.

 

É sob essa perspectiva que devem ser lidos os números da mais recente pesquisa Badra realizada em cinco municípios da Baixada Santista. Paulo Alexandre Barbosa aparece com 10,6% das citações espontâneas e Rosana Valle com 6,4%. Bem atrás vêm Jefferson Cezarolli, com 1,5%; Nikolas Ferreira, 1,3%; Erika Hilton, 1,1%; e Cássio Navarro, também na faixa de 1%.

 

Há dois cuidados indispensáveis. O primeiro é geográfico: a pesquisa ouviu eleitores de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão, e não do Estado de São Paulo inteiro. O segundo é próprio do sistema proporcional. Deputado federal não é eleito simplesmente porque ficou entre os 70 candidatos individualmente mais votados. A distribuição das cadeiras depende também do desempenho do partido ou federação, dos quocientes eleitoral e partidário e das regras de preenchimento das vagas.

 

Por isso, o levantamento não deve ser entendido como uma “pesquisa de quem será eleito”. Ele mede, sobretudo, lembrança espontânea, presença eleitoral e densidade política regional.

 

DESEMPENHO EXPRESSIVO

Nesse aspecto, o desempenho de Paulo Alexandre Barbosa é expressivo. Seus 10,6% significam que aproximadamente um em cada dez eleitores entrevistados cita espontaneamente seu nome em uma disputa na qual dezenas de candidaturas concorrem simultaneamente. E isso ocorre em um cenário em que 40,2% ainda não sabem dizer em quem votar e 28,3% respondem ninguém ou nenhum.

 

Os cruzamentos reforçam a capilaridade regional do ex-prefeito de Santos. Paulo Alexandre registra 10,1% entre mulheres e 11,3% entre homens. Oscila pouco entre as faixas etárias e alcança 12,2% entre os eleitores com 60 anos ou mais. Chega ainda a 12,8% entre aqueles com ensino superior e a 13,4% entre católicos.

 

Não se trata de um nome testado pela primeira vez em eleição estadual. Em 2022, Paulo Alexandre foi eleito deputado federal por São Paulo com 170.378 votos, distribuídos pelos 645 municípios paulistas, segundo dados eleitorais compilados a partir do TSE. Antes disso, havia sido eleito deputado estadual em 2010 e prefeito de Santos em 2012 e 2016. A pesquisa sugere, portanto, que a passagem para uma eleição estadualizada não diluiu seu principal patrimônio eleitoral, ou seja, a lembrança muito elevada na região em que construiu sua trajetória.

 

A situação de Rosana Valle é semelhante em um ponto e diferente em outro. Com 6,4%, ela está isoladamente na segunda posição da Badra e também apresenta um recall muito acima do restante do campo. Mas seu perfil é mais marcado pela idade. Rosana tem apenas 2,5% entre eleitores de 16 a 24 anos, passa para 4,5% entre 25 e 44, chega a 6,1% entre 45 e 59 e alcança expressivos 10,8% entre os eleitores com 60 anos ou mais. Entre aqueles com ensino superior, marca 10%.

 

Sua trajetória eleitoral ajuda a explicar esse grau de reconhecimento. Eleita pela primeira vez deputada federal em 2018 (e por um partido de esquerda, o PSB) com 106.100 votos, Rosana praticamente dobrou sua votação quatro anos depois.  Alcançou, surfando a onda bolsonarista, 216.437 votos em 2022, crescimento superior a 100%, e conquistou o segundo mandato. A votação de 2022 veio de 436 municípios paulistas, embora fortemente ancorada na Baixada Santista.

 

Isso torna particularmente interessante a comparação entre os dois primeiros. Paulo Alexandre está à frente na lembrança regional atual, mas Rosana chegou à eleição passada com votação estadual maior: 216,4 mil votos contra 170,3 mil de Paulo. A pesquisa Badra não permite concluir que essa ordem se inverterá em outubro. Permite dizer algo diferente: neste momento, na Baixada, Paulo Alexandre ocupa maior espaço espontâneo na memória eleitoral.

 

DOIS NÍVEIS DE DISPUTA

Depois dos dois, há uma ruptura importante. Jefferson Cezarolli aparece com 1,5%, menos de um quarto do percentual de Rosana e muito distante dos 10,6% de Paulo Alexandre. O dado mostra que existe, pelo menos por enquanto, uma eleição regional em dois níveis, isto é, dois nomes com recall consolidado e um contingente amplo de candidaturas tentando ocupar o espaço ainda disponível.

 

Os cruzamentos de Cezarolli revelam uma concentração interessante. Seus 1,5% gerais sobem para 2,8% entre eleitores de 25 a 44 anos, 2,4% entre os de ensino superior e também 2,4% entre evangélicos. É um desenho que aponta nichos de crescimento, mas ainda não uma presença homogênea semelhante à dos dois primeiros.

 

O quarto nome do levantamento produz uma das informações mais curiosas da pesquisa. Nikolas Ferreira é citado espontaneamente por 1,3% dos entrevistados, embora seja deputado federal eleito por Minas Gerais. Sua presença na lista, portanto, não deve ser lida automaticamente como intenção válida de voto numa candidatura paulista. Trata-se, antes, de um ótimo exemplo do funcionamento de uma pergunta espontânea. O entrevistador não oferece nomes e registra aquilo que o eleitor efetivamente responde.

 

Nesse sentido, Nikolas funciona quase como um indicador de notoriedade política nacional. Ele chega a 3,1% entre os entrevistados de renda superior a R$ 8 mil e registra 1,9% entre os jovens de 16 a 24 anos. A permanência de seu domicílio eleitoral e candidatura em Minas Gerais é confirmada pelo noticiário eleitoral recente, que continua a identificá-lo como deputado federal do PL mineiro.

 

Esse detalhe, longe de diminuir a pesquisa, mostra por que uma pergunta espontânea para deputado deve ser interpretada como lembrança eleitoral, e não apenas como uma urna simulada.

 

Outro caso bastante diferente é o de Erika Hilton, com 1,1%. Se o desempenho dela na Baixada parece modesto em comparação com Paulo Alexandre e Rosana Valle, sua realidade eleitoral estadual é outra. Erika foi eleita em 2022 com 256.903 votos, resultado superior ao dos próprios líderes regionais da Badra. Sua base, porém, está fortemente concentrada fora do litoral. Quase metade de sua votação de 2022 veio da cidade de São Paulo, seguida por municípios como Campinas e Guarulhos.

 

Na pesquisa Badra, Erika encontra seu melhor desempenho justamente entre os jovens de 16 a 24 anos, com 2,5%, e entre os eleitores com ensino superior, com 2,8%. É outro exemplo perfeito de porque uma pesquisa regional não pode medir isoladamente “quem tem mais chances de ser eleito”. Um candidato pode aparecer pouco na Baixada e possuir enorme votação na capital e em outras regiões paulistas.

 

Cássio Navarro, por sua vez, aparece com aproximadamente 1% das citações. Seu nome tem trajetória política ligada diretamente à Baixada e, por isso, sua presença espontânea deve ser lida sobretudo como ponto de partida para uma candidatura que precisará alargar sua territorialidade. Em 2022, Navarro disputou uma cadeira de deputado estadual pelo MDB; agora, a lembrança registrada para federal indica reconhecimento regional, mas ainda em dimensão bastante inferior aos dois nomes que encabeçam o levantamento.

 

Talvez o resultado mais relevante da Badra, portanto, não esteja apenas na ordem dos candidatos. Está na distância entre os dois primeiros e todo o restante.

 

Paulo Alexandre, com 10,6%, e Rosana Valle, com 6,4%, parecem chegar à reta final com ativos que os demais candidatos ainda buscam construir na região: memória consolidada, experiência eleitoral estadual e bases locais reconhecíveis. Ambos já demonstraram, além disso, capacidade de obter votação fora dos cinco municípios pesquisados.

 

Isso não assegura reeleição porque, em eleição proporcional, ninguém concorre sozinho. O desempenho da legenda, a composição da chapa, o volume de votos estaduais e a distribuição das cadeiras continuam decisivos. Mas indica que os dois começam a reta decisiva com uma vantagem que não é pequena. O eleitor da Baixada já sabe quem eles são e, em proporção relevante, lembra espontaneamente deles quando pensa em deputado federal.

 

O restante do campo disputa sobretudo o enorme espaço ainda não ocupado. Quatro em cada dez eleitores não conseguem citar candidato e quase três em cada dez respondem que não escolheriam ninguém. Nas próximas semanas, esse vazio tende a se tornar o principal campo de batalha das campanhas proporcionais.

 

Em eleição para deputado, portanto, mais importante do que perguntar quem “está ganhando” talvez seja perguntar quem já entrou na cabeça do eleitor e quem ainda precisa chegar até ela. Na Baixada Santista, a resposta da Badra, neste momento, coloca Paulo Alexandre e Rosana Valle claramente um passo à frente.

 

METODOLOGIA

O levantamento Badra foi realizado presencialmente entre 8 e 10 de setembro de 2026 em Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Cubatão. A pesquisa é não probabilística por cotas, com controle de região de moradia, sexo e faixa etária e aproximações para escolaridade e renda, além de ponderação posterior. O caderno informa 1.506 entrevistas nos resultados publicados, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. Os levantamentos estão registrados no PesqEle sob os números SP-04248/2026 e BR-02142/2026.

Leia Mais

ver todos

Solange Freitas, Caio França e Tiago Peretto lideram intenção de voto para deputado estadual

ELEIÇÕES 2026

Solange Freitas, Caio França e Tiago Peretto lideram intenção de voto para deputado estadual

Badra: Celina abre quase 16 pontos no DF; Bia Kicis se fortalece na disputa pela segunda vaga ao Senado

ELEIÇÕES 2026

Badra: Celina abre quase 16 pontos no DF; Bia Kicis se fortalece na disputa pela segunda vaga ao Senado

Badra mede intenção de voto dos eleitores da Baixada Santista na reta final das eleições

PESQUISA BADRA

Badra mede intenção de voto dos eleitores da Baixada Santista na reta final das eleições

2
Entre em nosso grupo