SAÚDE
Endometriose é um problema de saúde que afeta cerca de 180 milhões de mulheres ao redor do mundo e aproximadamente 7 milhões de brasileiras. Dr. Gerson Aranha explica sobre suas causas e procedimentos
da Redação BS9 - Victor Persico
17/03/2023 — sexta-feira às 04h42
Doença afeta cerca de 180 milhões de mulheres no mundo - Freepik
O mês de março é dedicado à conscientização sobre os problemas de saúde feminina. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 180 milhões de mulheres no mundo e aproximadamente 7 milhões de brasileiras. Ainda que tenha uma alta prevalência, o diagnóstico costuma demorar para ser definido e iniciar uma orientação terapêutica. Em média, leva-se sete anos para descobrir a doença.
A endometriose se caracteriza por dores intensas que normalmente iniciam com as primeiras menstruações. Segundo o Dr. Gerson Aranha, "a principal causa das endometrioses é o fluxo reverso da menstruação, ou seja: a paciente menstrua, mas parte dessa menstruação retroage e volta para as trompas, assim atingindo os ovários e a cavidade abdominal".
A menstruação retrógrada vem carregada de tecido endomentrial, que vai se fixar nessas regiões, causando o problema. "Esse tecido vai responder da mesma forma que responde o endométrio natural do útero, causando dor durante o período menstrual", explica.
Contudo, outra forma que existe é se infiltrar na parede uterina, tecido que reveste o interior do útero. Invadindo os tecidos uterinos, principalmente a camada muscular, torna-se uma adenomiose. Assim, os principais sintomas são dores, que aparecem durante a menstruação, sendo a mais grave quando há dor fora do período menstrual.
As trompas uterinas e os ovários são as regiões mais afetadas, transcorrendo para o peritônio visceral e parietal, podendo atingir outras regiões. Para tratamento, "depende do grau e da intensidade do estadiamento da endometriose. Pode ser feito com anticoncepcionais combinados ou só de progesterona, tendo também outras medicações que fazem a menstruação parar. Isso faz com que os tecidos recrudesçam", segundo Dr. Aranha.
Segundo o médico, se houver necessidade de tratamento cirúrgico, o procedimento é feito a partir da videolaparoscopia. "Quando há necessidade, 99% dos casos são feitos deste modo, adentrando na cavidade com uma sonda, cotendo uma espécie de câmera em sua ponta, e pinças que passam por esta sonda. Deste modo, cauteriza-se os focos de endometriose no peritônio e nos ovários, que quando estão carregados de sangue, podem ser retirados. O procedimento é tranquilo e resolve as dores da paciente.
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