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Mortos em Petrópolis sobem para 136 e total de desaparecidos chega a 218

Entre os 120 corpos que já chegaram ao IML, 79 são mulheres e 41 são homens

Por Júlia Barbon - Folhapress

Por Júlia Barbon - Folhapress

18/02/2022 — sexta-feira às 21h00

Mortos em Petrópolis sobem para 136 e total de desaparecidos chega a 218

petropolis tania rego ab - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A tragédia em Petrópolis (RJ) completa quatro dias com ao menos 136 mortos e 218 desaparecidos. As buscas na lama continuam sendo feitas por bombeiros e moradores nesta sexta-feira, dia 18, assim como o atendimento às quase mil pessoas abrigadas que não podem voltar para casa.

Entre os 120 corpos que já chegaram ao IML (Instituto Médico-Legal), 79 são mulheres e 41 são homens, incluindo 21 menores de idade, segundo os números mais recentes da Polícia Civil. Entre eles, 72 foram identificados e 53 foram liberados para enterros ou cremações.

Na porta da unidade, parentes aguardam a leitura dos nomes por funcionários. Para facilitar o acesso a informações, a corporação antecipou a implementação de um Portal de Desaparecidos, que permite a consulta de nomes e fotografias pelos familiares que fizeram o registro.

As salas de velórios estão cheias, e os enterros estão sendo feitos em sequência no Cemitério Municipal de Petrópolis desde a tarde de quarta-feira, dia 16. A prefeitura abriu novas covas rasas (menos profundas e mais baratas) e descartou um grande enterro coletivo "para respeitar a programação das famílias".

Nas ruas, moradores seguem limpando casas, comércios e prédios históricos, sirenes de viaturas e ambulâncias passam de um lado para o outro, e voluntários circulam com doações por escolas e igrejas, sob um forte cheiro de lama misturada com lixo em alguns locais. Segundo o Corpo de Bombeiros, 41 cães farejadores serão levados de outros estados para auxiliar nas buscas -atualmente são 16 animais, que precisam de 12 horas de descanso. Há muitos casos de moradores cavando a lama sozinhos, se queixando da falta de agentes para localizar os corpos.

Temporal

A cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro foi arrasada por um forte temporal na tarde da última terça (15). Foram mais de 400 deslizamentos desde então, somando 553 ocorrências no total registradas pela Defesa Civil, incluindo alagamentos e avaliações de risco.

O município revive agora um desastre que já viveu de maneiras parecidas em ao menos dois verões, em 1988 e em 2011. Petrópolis tem 234 locais de risco alto ou muito alto, o que equivale a 18% do território e 12 mil moradias, de acordo com o Plano Municipal de Redução de Riscos de 2018.

A vacinação contra a Covid-19 foi paralisada, e parte da população segue sem energia elétrica e água (Estrada da Saudade, Sargento Boening, parte do Boa Vista, Quitandinha, Floresta, 24 de Maio e partes altas do Valparaíso).

As pessoas que precisam sair dos imóveis e não podem ficar com familiares estão sendo orientadas a procurar as 19 escolas que viraram pontos de apoio espalhados pela cidade. São 849 pessoas abrigadas até agora, segundo o último boletim do órgão. Agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) estão percorrendo esses locais para preencher formulários e depois cruzá-los com os dados do IML. Durante esse trabalho, 3 desaparecidos foram localizados no Colégio Estadual Rui Barbosa, 15 tiveram o óbito confirmado e 6 identificações estavam duplicadas.

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