SAÚDE
Válvula de escape: solução para o estresse ou um risco silencioso?
Leo Barbieri
14/04/2026 - terça às 15h30
Essa expressão é muito utilizada quando queremos fugir da nossa realidade, dos problemas do cotidiano e até de questões de saúde, como a ansiedade e o estresse.
Muitas pessoas recorrem a atividades físicas, hobbies, artes, música ou até mesmo à jardinagem. Cada um tem a sua válvula de escape, mas por quê?
Por meio dela, conseguimos aliviar a pressão constante que colocamos em nós mesmos ou que os outros colocam sobre nós, seja após um dia estressante no trabalho ou até mesmo depois de uma briga com um familiar. Eu mesmo utilizo a minha diariamente, por meio de atividades físicas ou videogame.
Você deve estar se perguntando: “Então é um método muito bom, certo?”
Em alguns casos, não é tão simples quanto parece. Às vezes, as pessoas se aprofundam tanto em seu próprio mundo, por meio da válvula de escape, que acabam não reconhecendo mais o que é a realidade. Ao longo dos anos, vimos muitas crianças sendo moldadas pela era digital, tornando-se dependentes de jogos e tendo dificuldade em diferenciar o real do fictício.
Busquei entender o quanto uma válvula de escape pode ser positiva e o quanto também pode ser prejudicial. Pelo lado positivo, ela alivia o estresse e traz uma sensação de leveza. Por outro lado, pode deixar a pessoa mais vulnerável à autocobrança, aumentando a pressão sentida no dia a dia.
De acordo com Ana Beatriz Rezende, educadora do Colégio Objetivo de São Vicente:
“Essa expressão pode ser compreendida sob duas perspectivas. A primeira diz respeito aos pais, que muitas vezes utilizam os filhos como uma forma de válvula de escape, descarregando neles as frustrações, o estresse e as emoções acumuladas do cotidiano. Nesse contexto, a criança acaba sendo alvo desses sentimentos, recebendo cargas emocionais que não lhe pertencem e assumindo, ainda que de forma involuntária, um papel inadequado dentro da dinâmica familiar.
Além disso, Ana Beatriz destacou que as próprias crianças, na atualidade, enfrentam dificuldades para lidar com o acúmulo de emoções. Para ela, isso está diretamente relacionado à ausência de espaços adequados para que essas emoções sejam expressas de forma saudável.
A educadora enfatiza que a infância deve ser marcada por experiências como brincar, passear, interagir e explorar o ambiente. Essas vivências funcionam como verdadeiras formas de liberação emocional, essenciais para o desenvolvimento infantil. No entanto, ela observa que muitas crianças estão excessivamente inseridas no mundo digital, o que pode comprometer a socialização e dificultar a construção de habilidades emocionais.
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