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ELEIÇÕES 2022

Enquanto Doria diz que não seria vice de ladrão, PF apura suspeita de superfaturamento em sua gestão

Governador comentou sobre a possibilidade de Alckmin fazer parte da chapa de Lula na eleição presidencial

Redação BS9 e Folhapress

Redação BS9 e Folhapress

22/02/2022 — terça-feira às 18h00

Enquanto Doria diz que não seria vice de ladrão, PF apura suspeita de superfaturamento em sua gestão

A gestão de Doria é investigada suposto superfaturamento de mais de R$ 63 milhões na compra de ventiladores pulmonares - Governo de São Paulo

No mesmo dia em que João Doria (PSDB) disse em um evento que "jamais aceitaria ser vice de ladrão", criticando a possibilidade de seu ex-colega de partido Geraldo Alckmin (sem partido) sair como vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial deste ano, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão como parte da investigação sobre o suposto superfaturamento de mais de R$ 63 milhões na compra de ventiladores pulmonares pela gestão do governador de São Paulo, no início da pandemia da Covid-19, em abril de 2020.

A PF afirma ter cumprido na terça-feira, dia 22, os mandados na capital paulista, em Porto Feliz (118 km de capital), no Rio de Janeiro e também em Brasília. Os locais exatos não foram informados pela instituição ou pelo governo estadual.

O secretário executivo da Saúde estadual, Eduardo Ribeiro Adriano, afirmou na manhã de terça que a ação da PF foi "espetaculosa" por ser deflagrada "em ano eleitoral", além de contar com "motivação política".

"Venho expressar a indignação do governo do estado e da Secretaria de Estado da Saúde, que tomou conhecimento [da operação policial] por meio de nota à imprensa da PF, sobre a execução de uma operação relacionada à aquisição do governo do estado na compra de respiradores para o enfrentamento da pandemia", afirmou em entrevista.

A PF afirmou, na nota mencionada pelo secretário, que o governo estadual pagou R$ 242.247.500 por 1.280 ventiladores pulmonares de origem chinesa, em abril de 2020, logo no início da pandemia do coronavírus. E que peritos federais analisaram o processo de compra e compararam com outras contratações semelhantes, realizadas em outras localidades do país.

Com base neste cotejamento, a PF afirma ter identificado um sobrepreço na ordem de R$ 63.318.356, além de "elementos que indicam o direcionamento indevido" do dinheiro.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo também identificou preços incompatíveis com os valores de mercado para este tipo de equipamento hospitalar, segundo a polícia.

"Além da fraude no procedimento aquisitivo, os indícios também sugerem a ocorrência de lavagem de dinheiro por meio de tipologia em que a empresa intermediária, que recebe os valores do governo contratante, envia uma parcela para pagamento de vantagens indevidas e outra parcela para pagamento do fornecedor do produto", diz nota da Polícia Federal.

O cumprimento dos sete mandados de busca desta terça ocorre, segundo a PF, para apurar indícios de suposto crime de associação criminosa, além de corrupção passiva e ativa.

Saúde estadual
Eduardo Ribeiro Adriano, secretário executivo da Saúde estadual, afirmou que a operação desta terça "causou profunda indignação".

"O processo [de compra] foi amplamente divulgado. A imprensa acompanha desde o início da execução, em abril de 2020. A secretaria prestou todos os esclarecimentos solicitados ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público Estadual e Federal e à comissão de saúde da Alesp [Assembleia Legislativa]. O processo seguiu à época todos os ritos administrativos da legislação vigente", afirmou.

Ele disse ainda que, por causa da compra dos 1.280 respiradores, o estado de São Paulo evitou o colapso em seu sistema de saúde, como ocorreu no Amazonas. "Nenhum paciente morreu na porta de hospital por falta de oxigênio", pontuou.

A Secretaria de Estado da Saúde, da gestão João Doria, afirmou estar à disposição da polícia para prestar qualquer tipo de esclarecimento, acrescentando que "irá colaborar com as investigações."

A pasta disse ainda que a compra emergencial contribuiu para a ampliação da rede pública de saúde, com um total de 4.000 novos equipamentos no Sistema Único de Saúde.
"Os aparelhos foram adquiridos com recursos do tesouro estadual e a aquisição cumpriu as exigências legais e os decretos estadual e nacional de calamidade pública, prevendo multa em situação de descumprimento e até devolução do recurso", diz trecho de nota.

A Saúde ainda afirmou ter iniciado, à época, os trâmites para a rescisão do contrato "devido a descumprimento de prazo" para entrega dos equipamentos. A empresa, porém, ainda de acordo com a pasta, conseguiu uma liminar judicial para finalizar o negócio e entregar os equipamentos, mesmo com atraso.

"Vice de ladrão"
Enquanto a Polícia Federal cumpria os mandados de busca e apreensão, João Doria participava de um evento organizado pelo BTG Pactual. Ao comentar sobre possibilidade de Alckmin decidir se aliar a Lula, o governador e pré-candidato do PSDB à presidência da República disparou: "Eu jamais aceitaria ser vice de ladrão". O petista chegou a ser preso por corrupção, mas as ações contra ele foram anuladas.

A provocação de Doria não foi direcionada apenas a Lula, mas também a Alckmin. À época governador de São Paulo, ele foi um padrinho político do empresário, que se lançou candidato à prefeito de São Paulo em 2016, vencendo a eleição. Os dois rachariam durante a campanha eleitoral de 2018. Candidato ao governo do Estado, Doria não apoiou Alckmin, que disputava a presidência, preferindo o hoje desafeto Jair Bolsonaro, à época no PSL.

Para a eleição presidencial, Doria se apresenta como uma terceira via, fazendo oposição tanto a Bolsonaro como a Lula.

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