CINEMA
O que um filme sobre cachorros abandonados pode nos ensinar
Pedro Juvenal
10/08/2026 — segunda-feira às 12h28
Ilha dos Cachorros
Isle of Dogs, do Wes Anderson, é muito mais do que uma animação só sobre cachorros. Alem do estilo visual característico dele (cheio de simetria onde a tela fica preenchida do mesmo jeito nas duas metades, cores marcantes e todo filme dele tem uma cor principal que acompanha o filme inteiro e cenários detalhados com coisas acontecendo ao fundo fora do principal) o filme também consegue contar uma história divertida e, ao mesmo tempo, cheia de críticas e mensagens sobre a sociedade, onde se você assistir a primeira vez talvez não perceba o real significado de varias coisas ali.
A história acontece em um futuro distópico no Japão, onde basicamente uma doença faz com que todos os cães sejam exilados para uma ilha usada como um tipo de depósito de lixo. E nesse futuro os todos os cachorros moram nessa ilha suja e selvagem, o personagem principal é o Atari, um garoto que viaja até essa ilha em busca do seu cachorro, Spots. A partir daí, ele acaba contando com a ajuda de um grupo de cães liderado por Chief.
O mais interessante desse filme nem é a historia em si, porque ela é até considerada simples, mas o interessante é como Wes Anderson transforma essa história simples em uma discussão sobre autoritarismo e preconceito, e através dos diferemtes tipos de cachorro ele faz uma metáfora sobre como os humanos agem. O governo criou uma narrativa de que os cães são uma ameaça, e boa parte da sociedade simplesmente aceita isso sem questionar, isso faz com que ate os próprios cachorros se tratem com desconfiança e lutem entre si, enquanto alguns se juntam em grupos outros ficam sozinhos e atacam todos que chegam perto.
No fim, Isle of Dogs é um filme fantástico, um filme que consegue equilibrar humor, aventura e crítica social sem perder sua identidade, varias vezes filmes que querem falar sobre esses assuntos ficam sérios demais e se perdem, mas esse não é o caso aqui. É um filme sobre cachorros, mas também sobre aquilo que existe de mais humano em nós: a capacidade de criar laços e lutar contra preconceitos na sociedade, mais uma vez, Wes Anderson mostra que é possível contar uma história aparentemente simples de uma maneira extremamente criativa, transformando uma animação sobre cães abandonados em uma obra prima que emociona todo mundo que assiste ela.
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