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Fotógrafa vicentina constrói carreira internacional a partir de histórias e emoções

Nayara Andrade começou sem experiência, e, hoje, acumula mais de 240 prêmios em fotografia

Da Redação

Da Redação

30/09/2026 — quarta-feira às 07h10

Fotógrafa vicentina constrói carreira internacional a partir de histórias e emoções

Fotografia

Natural do Jóquei Clube, em São Vicente, a fotógrafa Nayara Andrade construiu uma trajetória que ultrapassou fronteiras. Hoje, a profissional acumula mais de 240 prêmios na produção visual e já recebeu três vezes o chamado Oscar da Fotografia, reconhecimento que veio depois de uma caminhada marcada muito mais pela insistência e pelo aprendizado na prática do que por caminhos tradicionais.

Aos 19 anos, Nayara embarcou em um navio para trabalhar como fotógrafa. O detalhe é que ela ainda não sabia, de fato, fotografar. "Eu não sabia ligar uma câmera fotográfica, eu mal falava algumas palavras em inglês, mas eu tinha muita vontade de aprender". Para conseguir embarcar, chegou a vender a própria moto e investir o dinheiro em equipamentos necessários.

No primeiro dia de trabalho, recebeu uma câmera, e precisou aprender na prática. A missão era simples: fotografar e vender imagens aos passageiros. Para Nayara, porém, era necessário encontrar uma maneira de fazer com que aquelas pessoas quisessem guardar as fotografias. "Na minha cabeça, como as pessoas vão comprar as fotos? Elas têm que sair bonitas. Então eu comecei a inventar algumas coisas com as pessoas, a buscar espontaneidade", lembra.

Em pouco tempo, se tornou a retratista oficial do navio e, posteriormente, fotógrafa oficial das excursões. Durante dez meses embarcada, conheceu 17 países e passou 11 vezes pelo Egito, além de visitar lugares como a Acrópole, na Grécia, o Coliseu, na Itália, e navegar pelo Rio Nilo.

Foi justamente no Egito que aconteceu um dos momentos decisivos de sua relação com a imagem. Depois de fotografar um grupo de crianças que trabalhava próximo às pirâmides, Nayara voltou na semana seguinte levando cópias impressas das captações. A reação delas mudou sua maneira de enxergar o próprio trabalho.
"Eles pegavam aquela foto, olhavam um amigo preso naquele papel, se olhavam presos no papel e ficavam me perguntando: 'Como isso está acontecendo? Como a gente está aqui? Você está aqui dentro?'", recorda.

A experiência fez Nayara perceber que uma fotografia poderia representar muito mais do que uma imagem bonita. Poderia guardar um momento que nunca mais se repetiria. No navio, ela também registrava passageiros que estavam em viagens especiais, como luas de mel, encontros familiares ou até aquela que poderia ser a última grande viagem de suas vidas. "Eu me descobri como fotógrafa no Egito. Ali eu resolvi o que eu queria fazer com o resto da vida: pegar momentos importantes na vida das pessoas e torná-los eternos."

Desde então, passou a carregar essa missão também de uma forma pessoal. "Agradeço ao Criador por me ensinar a criar" é uma frase significativa para ela, presente em sua trajetória desde o início da fotografia, e que acabou eternizada em uma tatuagem na nuca.

De volta ao Brasil, a jovem retornou sem moto, sem relacionamento e sem sequer ter um quarto na casa da mãe. Ainda assim, decidiu continuar na fotografia. Com algumas imagens impressas e um CD com seu trabalho, começou a bater de porta em porta em estúdios da região em busca de uma oportunidade.

Em um dos testes, ouviu de um fotógrafo que suas imagens eram ruins e que deveria procurar outra profissão. Em vez de abandonar o caminho, Nayara transformou a crítica em combustível para construir a própria carreira. "Eu falo que ele fundou a minha empresa. Aquilo me marcou muito. Eu gostava do que fazia e acreditava que aquilo era bom, mesmo não tendo experiência", conta.

A partir dali, passou a buscar clientes que se identificassem com seu estilo. Vieram os primeiros casamentos, festas de família e ensaios. Aos poucos, o olhar que antes era considerado diferente passou a se tornar sua assinatura.

A carreira ganhou novos contornos quando Nayara decidiu ampliar o alcance de seu trabalho e anunciar seus serviços para além da Baixada Santista. A fotografia, entretanto, deixou de ser apenas uma profissão para se tornar uma espécie de missão pessoal.

Durante a pandemia, quando o setor de eventos parou, Nayara teve tempo para olhar para a própria trajetória e compreender o significado de tantas imagens produzidas ao longo dos anos. "90% das minhas fotos premiadas são de momentos decisivos, que, se eu fizesse a foto um segundo antes ou um segundo depois, ela não ia existir", explica.

Depois de mais de 15 anos de carreira, Nayara também passou por um período de pausa e reavaliação. Em 2026, reduziu os trabalhos e recusou convites e contratos, enquanto se dedicava a reorganizar a própria vida. Foi nesse processo que voltou para São Vicente e construiu, praticamente do zero, o espaço onde hoje trabalha.

A nova fase também representa uma reinvenção profissional. Mesmo depois de tantas premiações e experiências, ela continua buscando novas formas de trabalhar com fotografia e audiovisual. "Depois de 15 anos, ainda quero me reinventar. E, se perguntarem hoje quais seriam meus planos futuros, é continuar minha missão", diz.

Para Nayara, o reconhecimento mais importante não está necessariamente nos troféus acumulados ao longo da carreira. Está naquilo que uma fotografia consegue provocar anos depois de ser feita: a possibilidade de voltar a um momento, lembrar de alguém e sentir novamente aquilo que estava sendo vivido. "Independentemente daquilo que você faça, primeiro, você tem que amar. Tudo que você faz com amor e com vontade dá dinheiro, não só pelo valor financeiro, mas pelo reconhecimento e pela satisfação. E saber que realmente está fazendo a diferença".

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