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MULHERES QUE FAZEM DIFERENÇA

De Peruíbe, Juíza cria projeto "Somos Marias" acolhendo mulheres que sofrem violência doméstica

O projeto trabalha com várias frentes de atendimentos. Formamos uma rede pública de atendimento para atender todas as demandas da mulher que quer romper o ciclo de violência, envolvendo atendimento psicológico, assistencial, jurídico e outros

da Redação BS9 - Victor Persico

da Redação BS9 - Victor Persico

08/03/2023 — quarta-feira às 13h00

De Peruíbe, Juíza cria projeto "Somos Marias" acolhendo mulheres que sofrem violência doméstica

Danielle (segunda da direita para esquerda) é a idealizadora do projeto "Somos Marias" - Facebook

Surgido da percepção diária aos processos judiciais, a juíza Danielle Câmara Takahashi Consentino Grandinetti criou "Somos Marias", projeto que tem como objetivo apoiar e acolher mulheres que sofreram violência doméstica em Peruíbe. 

Segundo Danielle, o Somos Maria "surgiu de uma percepção diária deste tipo de violência, relegadapela sociedade, normalizada por eventuais dificuldades do agressor em controlar sua raiva. Essa percepção me incomodou muito". Se questionando o porquê da violência urbana ser tão condenada pela sociedade, diferente da doméstica que não recebe a mesma reprovabilidade, mesmo com os altos índices de violência doméstica ao redor do mundo, surgiu a instituição.

"O projeto trabalha com várias frentes de atendimentos. Formamos uma rede pública de atendimento para atender todas as demandas da mulher que quer romper o ciclo de violência, envolvendo atendimento psicológico, assistencial, jurídico e outros", reintera Danielle.

Além das mulheres, o projeto também atende o agressor e os filhos do núcleo familiar. O João de Barro é um braço do projeto que ajuda o agressor com grupos reflexivos, enquanto com os filhos é tratado de modo transgeracional, onde a violência e o modo de se resolver conflitos é passada de pai para filho e a submissão ao comportamento violento de mãe para filha. "Como a família é sepre nosso primeiro agente socializador, se não trabalharmos principalmente o aspecto psicológico das crianças e adolescente expostos à violência, estaremos permitindo que ela se transfira como uma herança. Por isso, é potente poder trabalhar com crianças neste contexto, pois precisamos libertar as próximas gerações da ideia de que os conflitos se resolvem com violência", explica.

A intenção é permitir que o homem reflita sobre o próprio comportamento e que possa encontrar no grupo um lugar para tratar das suas subjetividades e aprender sobre masculinidade tóxica, controle de raiva, lei penal e outros fatores. Com os grupos, se pretende efetivamente que o homem que cometeu a violência não reincida, para que aquele ciclo violento com aquela vítima se encerre, mas que também que o homem não se repita o comportamento com a próxima companheira.

"Temos também o objetivo de sensibilizar toda a sociedade acerca da importância de enfrentar a violência doméstica. Precisamos abandonar, definitivamente, a ideia de que "Em briga de marido e mulher não se mete a colher". É desta noção que o agressor se aproveita para agredir sua companheira de todas as formas, com a segurança de que ninguém irá fazer absolutamente nada! Em briga de marido e mulher se mete a colher sim! Ainda que seja para simplista chamar a polícia", ressalta.

"A sociedade precisa, sim, que a violência doméstica é familiar. É sim um problema de ordem pública, que ultrapassa os interesses particulares de uma família. Violência contra mulher é a raiz de uma sociedade violenta. É combatendo que poderemos sonhar com uma sociedade mais justa, livre e igualitária", finaliza Danielle.

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