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MULHERES QUE FAZEM A DIFERENÇA

Ana Carla e Luciana passaram por cima de suas dores e criaram a ONG Mulheres de Peito

ONG foi criada com o intuito de ajudar e acolher mulheres que estão passando pelo câncer no município de Mongaguá. Duas amigas da época da escola que passaram pela mesma situação, o câncer

Da Redação BS9 - Isabella Monteiro

Da Redação BS9 - Isabella Monteiro

08/03/2023 — quarta-feira às 05h39

Ana Carla e Luciana passaram por cima de suas dores e criaram a ONG Mulheres de Peito

Ana Carla e Luciana são fundadoras da ONG Mulheres de Peito - Foto: Arquivo Pessoal

As taxas de incidência de câncer de mama variam entre as diferentes regiões do planeta, com as maiores taxas nos países desenvolvidos. Para o Brasil, foram estimados em 2021 66.280 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. No Brasil, excluídos os de tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres. Para o ano de 2023 foram estimados 17.010 casos novos, o que representa uma um risco considerado de 13,25 casos a cada 100 mil mulheres (INCA, 2022). 

Ana Carla, mulher, 44 anos, mãe, dois filhos e empreendedora. Descobriu o câncer de mama em abril de 2021 em mais um dia normal de trabalho, quando sentiu o nódulo. Apenas em junho recebeu o diagnóstico de câncer "Foi um soco no meu estômago, eu tinha muitas dificuldades de aceitar, o que me acalentava era os meus momentos fazendo chocolate, era a única coisa que me tirava aquela dor". Carla passou por tratamento em Santos, no Hospital Guilherme Álvaro que é referência em tratamento. 

Enquanto fazia o tratamento Carla observou quantas pessoas são tão precisadas de um, por conta disso decidiu ir para o particular, para poder deixar a sua vaga para outra pessoa que necessita-se mais que ela. Durante o tratamento ela perdeu o seu padrasto para o câncer de pulmão e uma amiga para o câncer de mama. Mesmo hoje já curada, Carla ainda precisa tomar quimioterapia via oral por 10 anos e fazer exames de 3 em 3 meses " Posso dizer que senti os piores sentimentos que tive naquele momento do tratamento, pois foi a única vez que a vontade de desistir veio forte demais. Sou uma vitoriosa e tenho muito orgulho de tudo que passei e passo toda vez que tenho que repetir os exames". 

Luciana Martins, mulher, 44 anos, mãe, dois filhos, professora, modelo, apresentadora, empreendedora e filha adotiva da dona Maria Emília. "Tudo o que eu sou como mulher, como mãe, eu devo tudo a ela". Sua mãe descobriu o câncer no intestino, no dia 27 de julho de 2022, que já estava em um estágio bem avançado. 

"Sempre sábia com palavras pra acolher nossos corações, dizia já ter vivido tudo e ser bem feliz e realizada por ter nós 3 filhos do coração" Em nenhum momento desde o descobrimento do câncer dona Maria Emília esmoreceu, seguiu firme na sua caminhada, até o seu falecimento após 2 meses e meio de ter descoberto o câncer, no dia 3 de outubro "Sua cura foi na alma, algumas pessoas curam a carne pra cumprir seu legado eu prefiro crer que a cura dela foi na alma pois sua missão já tinha sido cumprida com maestria. Ainda me sinto enlutada, mas sinto que minha dor pode ser transformada em acolhimento a tantas outras mulheres que passam por isso".

As duas já eram amigas desde a época do colégio, mas por conta da vida se afastaram, foi novamente na porta do colégio de seus filhos que elas se reencontraram, e o câncer que tirou tanto de ambas as reuniu e transformou essa dor em amor, carinho, sororidade e empatia. 

E dessa iniciativa nasceu a ONG Mulheres de Peito de Mongaguá, uma rede feminina de apoio e combate ao câncer na mulher, que ainda está em fase de crescimento, com a documentação em andamento, mas que tem como o seu pilar ajudar e acolher mulheres que estão passando pela situação de estarem com câncer e suas famílias também "Não é só a mulher que tem câncer, mas a família também adoece junto" afirmou Carla. 

Ainda sem data confirmada para a inauguração, o Mulheres de Peito, terá oficinas para proporcionar autoestima com confecção de perucas e preenchimentos das sobrancelhas, que podem cair com o tratamento de químio ou rádio terapia. Além de já terem feito campanhas de doação de lenços e fraldas. 

"Não estamos no mundo só de passagem" afirmou Luciana. 

 

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