SAÚDE
Ação vai até dia 10 e visa prevenir a gravidez indesejada na adolescência
Da Redação BS9 - Marina Estevão
09/02/2023 — quinta-feira às 04h18
É necessário morar em São Vicente e estar matriculada numa escola da rede municipal ou estadual na Cidade - Divulgação
Uma gestação não planejada na adolescência pode gerar consequências graves tanto para a mãe quanto para o bebê. Pensando nisso, a Secretaria de Saúde de São Vicente abriu cadastro para implante contraceptivo subcutâneo para adolescentes de 15 a 17 anos. A ação visa chamar a atenção sobre o tema e evitar a gravidez prematura, já que a taxa mundial de gestação em adolescentes é estimada em 46 nascimentos para cada mil meninas de 15 a 19 anos.
Basta preencher um formulário pelo link https://bit.ly/PrevencaoGravidezAdolescencia até o dia 10 de fevereiro. É necessário ser moradora de São Vicente e estar matriculada numa escola da rede municipal ou estadual na Cidade. Conforme o cadastramento, a equipe da Diretoria de Saúde da Mulher entrará em contato para agendar a data para o implante.
No dia da inserção do contraceptivo, as adolescentes participarão, também, de uma aula explicativa, roda de conversa e oficina sobre métodos anticoncepcionais e importância da prevenção não só da gravidez, mas também de doenças sexualmente transmissíveis.
Vale lembrar que já existe um protocolo na Cidade que disponibiliza, por meio de mutirão, o contraceptivo para um público específico. São adolescentes que já tiveram um filho; mulheres em situação de rua; portadoras de HIV; drogaditas e profissionais do sexo. Até o momento, mais de 100 munícipes receberam o Implanon durante os mutirões.
Esse método é considerado um dos mais eficazes da atualidade, com mais de 99% de eficácia durante cerca de três anos. O etonogestrel, componente ativo dele, impede que o óvulo seja liberado do ovário e altera o colo do útero, dificultando a entrada de espermatozóides.
O Implanon é reversível, podendo ser retirado posteriormente através de um procedimento simples.
Importância
A assessora da Juventude de São Vicente, Geovana Albuquerque, ressalta a importância dessas ações. "Quanto mais informações elas tiverem, mais vão se cuidar e pensar em outras coisas, como estudo, carreira. Esse é o nosso objetivo".
Geovana afirma que muitas adolescentes não têm acesso à informações relacionadas ao tema. Ela relembra que, durante um encontro do projeto "Entre elas", que visa amenizar a pobreza menstrual, algumas delas tinham dúvidas relacionadas ao início da vida sexual. Foi um espaço confortável que encontraram para sanar as questões. "As meninas acabam indo muito por influência dos meninos ou das amigas mais velhas. E não têm informação sobre como [a vida sexual] funciona. Têm vergonha de perguntar para professores ou alguém da família".
As unidades de saúde vicentinas atendem mulheres menores de idade sem precisar do acompanhamento dos responsáveis. "Ela tem a autonomia de ir na UBS e procurar um ginecologista sem precisar do aval do responsável. Elas têm esse direito. Muitas delas não sabem disso e não vão porque têm vergonha", completa.
Semana da prevenção à gravidez na adolescência
Entre os dias 1 e 8 de fevereiro, é comemorada a Semana da prevenção à gravidez na adolesência. A data, instituída pela Lei nº 13.798/2.019, tem o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência.
Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que, no Brasil, um em cada sete bebês é filho de mãe adolescente. Além da falta de informação sobre sexualidade e direitos sexuais, questões emocionais, psicossociais e contextuais também contribuem para isso. Das gestações que ocorrem na adolescência, 66% são não intencionais.
Deixe a sua opinião
ver todos