PELA SAÚDE DAS CRIANÇAS
Infectologista Marcos Caseiro fala da importância da vacinação
Por Lucas Campos - Redação BS9
20/05/2022 — sexta-feira às 05h15
As notificações da doença foram feitas em 20 países, mas outros 13 investigam possíveis casos - (foto: Freepik)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou em seu último boletim que o número de casos da hepatite aguda de origem desconhecida em crianças subiu para 348 no mundo. As notificações foram feitas em 20 países, mas outros 13 investigam possíveis casos. Ainda de acordo com a entidade, 70 episódios suspeitos estão sendo avaliados.
"Apesar dos casos testados terem sido muito poucos [cerca de 18%], talvez haja sim uma correlação dos indivíduos que se infectaram por Covid e depois se infectam pelo adenovírus, que é uma infecção muito comum e pode começar com diarreia e vômito. Essa sequência de infecções podem criar o que a gente chama de superantígenos e a pessoa tem uma reação imunológica com lesão hepática", explica o médico infectologista Marcos Montani Caseiro.
Um levantamento feito no dia 25 de abril mostrou que 17 crianças precisaram fazer transplante de fígado, mas Caseiro explica que "isso está sendo melhor investigado, mas as evidências estão levando muito fortemente a crer que esses casos de hepatite em crianças podem sim estar relacionados com infecção prévia por Covid secundária a uma infecção por adenovírus do subtipo 41, que causa gastroenterite (inflamação gastrointestinal)".
E como prevenir? O infectologista responde sem hesitar: "com vacina! Ainda que as pessoas estejam achando que já está tudo meio resolvido e tudo tranquilo, não é verdade. Estamos vendo que a Covid pode deixar muitas sequelas e parece essa ser mais uma complicação dele. O ideal é não pegar Covid, se proteger e se vacinar. Não é verdade? A vacina é muito importante".
Sobre a hepatite
A hepatite é uma inflamação que atinge o fígado e, na maioria dos episódios, é causada por vírus, mas pode ter relação com o uso de substâncias tóxicas, incluindo medicamentos, consumo de álcool, doenças hereditárias e distúrbios autoimunes.
"Existe uma tríade sintomática clássica na hepatite que é a colúria, o famoso "xixi cor de Coca-Cola", bem escuro, as fezes mais esbranquiçadas, que a gente chama de massa de vidraceiro e a icterícia, que é o aparecimento de coloração amarelada na pele ou nos olhos. Crianças normalmente são sintomáticas e apresentam essa tríade", explica Caseiro.
Ela também pode vir com uma febrezinha baixa, às vezes com sintomas gastrointestinais como diarreia, e eventualmente com náuseas e vômitos. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue para pesquisa de anticorpos da hepatite A, hepatite B e hepatite C, que já são documentadas.
Normalmente na infância a hepatite mais prevalente é a hepatite tipo A. E a transmissão dela por água contaminada, alimento contaminado e por consequência a prevenção é utilizar água filtrada e evitar muito marisco, ostra, que são chamados animais filtradores.
Por fim, Caseiro explica que "não há um tratamento específico para hepatites virais, então o próprio organismo vai criar anticorpos. Nas hepatites crônicas como pelos vírus B e C, existem medicamentos específicos".
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