DESESPERO
Comerciante que cuida de animais resgatados acionou órgãos públicos, mas não teve sucesso
Por Alexandre Fernandes - Redação BS9
02/05/2022 — segunda-feira às 14h15
As abelhas se instalaram no quintal da casa onde ficam os 33 animais, sendo oito cachorros e 25 gatos - Reprodução
Uma família de Praia Grande vem passando por uma situação complicada e inusitada desde domingo, dia 1. Um enxame de abelhas se instalou no quintal da casa, onde também vivem mais de 30 animais resgatados, no bairro Ribeirópolis.
Segundo a proprietária do imóvel, a comerciante Rita Mella, o enxame se formou por volta das 13h30 de domingo. O caso provocou grande repercussão nas redes sociais depois que ela postou um vídeo mostrando a quantidade impressionante de abelhas no local (veja mais abaixo).
Os insetos se juntaram em uma das duas casas do terreno, onde ficam os 33 animais que Rita resgatou das ruas. São oito cachorros e 25 gatos. Num primeiro momento, a comerciante levou 22 bichos para o outro imóvel. Os outros 11 gatos só foram retirados na tarde desta segunda-feira, dia 2.
"Consegui arrombar uma porta que estava desativada dessa casa para não ter que passar por onde elas (abelhas) estão. Retirei o resto dos gatos de lá", disse Rita ao Portal BS9.
Com ela moram o marido, a filha e a neta de 12 anos. Após a entrada dos animais, a menina teve de ir temporariamente para a casa dos pais. "Não há como administrar isso por muito tempo. São cães contra gatos. E alguns cachorros não se dão com outros".
Sem ajuda
Enquanto acomodava todo mundo em casa, Rita acionou órgãos públicos, como o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental para remover o enxame. "Eles não podem. Alegam várias coisas e que o caso não é da competência deles".
Para que as abelhas sejam retiradas de forma segura são necessários apicultores, que usam materiais adequados, como macacão, luvas, botas e chapéu ou máscara com uma tela protetora. Mas o valor do serviço é uma ferroada.
"O valor depende de onde eles vêm. Um de Guarujá só tinha agenda para amanhã (terça, dia 3) por R$ 300 dependendo do caso", explica Rita, que, minutos após a entrevista, citou uma outra solicitação de orçamento, cujo valor apresentado foi de R$ 700.
"Liguei para dois apiários porque estou desorieentada. Mas eles pedem muito caro e eu não tenho como pagar. Os animais aqui são resgatados. Vivemos fazendo rifas para eles", disse a comerciante.
Desmatamento
Rita acredita que as abelhas e outros animais silvestres estão deixando seu habitat por causa do desmatamento da área onde serão construídos o aeroporto de Praia Grande e um complexo empresarial. O local fica no bairro Andaraguá, próximo à casa dela.
"Muitos animais estão se refugiando nas casas. Acho que algum órgão público tinha que avaliar isso porque agora será assim", alertou a comerciante.
Rita é dona de um brechó, cuja renda também é aplicada no amparo aos animais resgatados. Ela deixa à disposição o número de contato para quem quiser contribuir: 13 99147-1089.
Veja o vídeo:
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