TODOS CONTRA A XENOFOBIA
Presidente do Compir diz que ainda não recebeu nenhuma resposta das autoridades sobre o caso
Redação BS9
18/03/2022 — sexta-feira às 09h58
Representantes de coletivos e cubatenses se mostraram ser contra a xenofobia - (foto: divulgação)
O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) de Cubatão promoveu um ato de repúdio em frente a unidade do Bom Prato de Cubatão nesta sexta-feira, dia 18, às 11h, contra o caso de xenofobia que foi praticado contra o ganês Kofi Boakye Yeboah Acheampong, por gestores do local na última sexta-feira, dia 11.
"Foi um ato pacífico. Compareceram representantes dos coletivos Unegro, Mulheres Negras no Front, Educafro, Cut Baixada Santista e o Kofi também estava lá. Apareceram alguns representantes do Bom Prato, que chamaram viaturas militares, mas não houve nenhuma interferência", contou Paloma dos Santos, presidente do Compir.
Ela disse ainda que, até o momento, nenhum órgão respondeu aos e-mails que o Conselho da Igualdade Racial enviou pedindo explicações sobre o caso "O silêncio está reinando", afirmou.
Kofi, que foi ofendido com o filho há uma semana, voltou ao local para participar do protesto pacífico (foto: divulgação)Entenda o caso
Kofi Boakye Yeboah Acheampong é africano, natural de Gana, e mora em Cubatão há dez anos. Desempregado, ele vai todos os dias ao restaurante almoçar com o filho de 10 anos - a única refeição que fazem.
Neste dia, ele e o garoto estavam separados por cinco pessoa na fila, e quando seu filho pegou a bandeja do almoço, viu que um homem, que seria gerente do local, começou a gritar dizendo que ele estava atrapalhando a fila.
Foi então que Kofi, para defender o menino, se dirigiu ao gerente dizendo para ele não gritar pois era apenas uma criança. O gerente, então, pegou a bandeja, colocou em cima de uma mesa e pediu para conversar com Kofi do lado de fora.
Ele foi apresentado a um outro homem conhecido como Zumbi, que disse ser chefe daquela unidade. Zumbi, na verdade, é Sebastião Ribeiro, secretário municipal de Assistência Social.
Kofi afirma que, durante a conversa, o gerente tentou agredi-lo e Zumbi disse que ele não tinha direito de ir ao Bom Prato por não ser brasileiro. Antes de sair do local, ele ainda ouviu o secretário dizer para outras pessoas da fila que "ele veio de uma país de bosta".
O ganês chegou a confrontá-lo e depois foi até a Prefeitura e a Câmara Municipal para fazer uma reclamação formal sobre o caso. Ele disse ainda por enquanto não vai mais aparecer no local pois está com medo pelo que aconteceu. Para ele, o secretário e o gerente deveriam ser punidos, por toda humilhação que fizeram Kofi e seu filho passar na frente de tantas pessoas.
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