AINDA NÃO ACABOU
Entenda qual a diferença dessa variante e porque devemos no preocupar com ela
Por Lucas Campos - Redação BS9
26/02/2022 — sábado às 07h44
6righxgze5h5hgytpg4syupn74 - (foto: Freepik)
O primeiro caso confirmado de Covid-19 no Brasil foi há exatamente dois anos, no dia 26 de fevereiro de 2020. De lá pra cá, o Ministério da Saúde confirmou 28.578.647 casos e 647.390 óbitos em razão do novo coronavírus. Na Baixada Santista, foram 210.427 casos confirmados da doença e 7.872 mortes até então.
E mesmo com a aparente melhora vista nos últimos meses, o alerta continua ligado pelos especialistas, que têm um motivo a mais para se preocupar: a confirmação de casos da BA.2 pelo Brasil, uma sublinhagem da Ômicron. Essa é uma versão ainda mais contagiosa da variante e pode, mais uma vez, frustrar as esperanças de uma rápida volta ao normal.
Para se ter uma ideia, essa é uma cepa que pode se espalhar e contaminar pessoas cerca de 30 vezes mais facilmente, como aconteceu em países da Europa, a exemplo da Dinamarca, e também na África do Sul. Mas qual a real diferença da BA.2 e por que devemos nos preocupar tanto com ela? O médico infectologista do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, Ricardo Hayden, responde.
“Ao contrário da ômicron, que tinha um quadro clínico com comprometimento do aparelho respiratório alto, congestão nasal, entupimento de narinas, sinusite e traqueobronquite, essa tem atingido bastante os pulmões, em formas muito mais graves. É uma variante que gera preocupação na expectativa de casos graves e tem sido acompanhada em todos os lugares por onde está se expandindo. A gente acredita que o número de óbitos acima da média móvel que está acontecendo no Brasil esteja ligado a esse fato”.
Hayden explica que a preocupação é total. Inclusive, já foi solicitado que a Organização Mundial de Saúde (OMS) a inclua no rol das variantes de preocupação com potencial de agressão maior. Isso é importante, segundo o infectologista, para criar toda uma expectativa de alerta, de cuidados aumentados e até mesmo de testagem.
“Na verdade, o que se imagina, é que tem muito mais do que esses casos que foram identificados pontualmente. O problema aqui no Brasil é que a gente testa muito pouco. E ao testar muito pouco, a gente não identifica a variante. Por isso, logicamente, precisamos estar alerta, preparados e trabalhar intensivamente para cuidar de mais esse problema”.
As vacinas são eficazes para a BA.2?
Não é novidade para ninguém que as vacinas estão sendo remodeladas. Mas, o fato é que, quando você tem uma pessoa com as três doses, as perspectivas quanto a BA.2 melhoram bastante.
“O ciclo de vacinação completo protege também contra essa cepa, mas não especificamente. Porque a pessoa tem um teor alto de anticorpos, principalmente quando toma o reforço. Por exemplo, estima-se que duas doses da Coronavac com uma dose de reforço da Pfizer possa aumentar em até 175 vezes o teor de anticorpos. E isso com certeza fará uma diferença para essa cepa”.
Hayden afirma que vacinar continua sendo um grande negócio e frisa que a vacina não impede a transmissão, mas dificulta e aumenta a forma de proteção em que o organismo vai encarar o vírus. Afinal, é nítida a desproporção de casos que internam e agravam entre pessoas que não completaram o esquema vacinal e quem tomou as três doses.
“Tudo que puder ser feito para atrapalhar a vida do vírus e impedir que ele passe de uma pessoa para a outra, deve acontecer. O número de casos de crianças acometidas com Covid-19, aqui no Brasil, tem crescido nos últimos 30 ou 40 dias, porque se o vírus não encontra espaço em um segmento, ele vai em busca de um outro mais sensível. Ele precisa pular de uma pessoa para outra para sobreviver. Então ele vai nas crianças, pré-adolescentes e adolescentes, que estão menos vacinados em relação aos adultos e mais desprotegidos”.
Por isso, Hayden diz que é preciso que as pessoas estejam cientes da gravidade da situação. Porque a luta é também contra a descrença na eficácia da vacina, desde o começo, na primeira dose, até a dose de reforço, já que muitos não foram em busca da segunda dose e muito menos da terceira, e isso tudo complica demais o enfrentamento da doença.
“O triste são as pessoas que não acreditam. Muitas vezes até as autoridades, e por vezes pais e mães. Vemos até grupos de educadores que não tomam os devidos cuidados. O número de internações e agravamento em não vacinados tem crescido sim, não é peça de ficção. Os dados estão aí para quem quiser ver. E as internações, complicações e óbitos em crianças passa por tudo isso que estou falando. Temos que fechar essa porta”, finaliza.
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