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Aluno autista de 10 anos da Escola de Futebol Boca Juniors se destaca em competição

"No primeiro jogo ele ficou um pouco assustado porque tinha a torcida e precisou se adaptar com o barulho e a agitação. Mas depois se acostumou e já participou mais. Ele estava ansioso e gostou muito de competir"

da Redação BS9 - Victor Persico

09/06/2023 - sexta às 11h30

"É emocionante ver ele tão solto e se destacando junto com os colegas", diz a mãe Michele Ferreira Calado. - Divulgação

Conhecido como o esporte mais popular do mundo, o futebol desperta paixões em milhões de pessoas ao redor do mundo desde a infância. Um sentimento que transcende as fronteiras culturais, sociais e geográficas, e ajuda a superar barreiras.

Isso fica ainda mais evidente quando vemos histórias inspiradoras de meninos como Enzo, de 10 anos, que mora em Praia Grande, é portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e encontrou no esporte uma forma de se expressar e se conectar com o mundo ao seu redor, sendo campeão pela Escola de Futebol Boca Juniors no Festival Arena Omega, que aconteceu no dia 3 de junho de 2023.

“No primeiro jogo ele ficou um pouco assustado porque tinha a torcida e precisou se adaptar com o barulho e a agitação. Mas depois se acostumou e já participou mais. Ele estava ansioso e gostou muito de competir. Mostra pra todo mundo a medalha que ganhou e fala que foi campeão. É emocionante ver ele tão solto e se destacando junto com os colegas”, diz a mãe Michele Ferreira Calado.

Adriel Farias é professor do Enzo da Escola de Futebol Boca Juniors e revelou que sua participação no evento surpreendeu a todos. “Ele já havia jogado em um campeonato interno e com base no desempenho dele, tivemos a ideia dele participar desse festival para jogadores de iniciação. Ele participou dos jogos, correu e se divertiu. Tenho certeza que foi uma experiência única”.

Mas, para chegar até esse momento, não foi fácil. Michele lembra que os desafios começaram após 3 meses de seu nascimento, quando precisou passar por uma cirurgia cardíaca. O tempo passou, ele foi superando cada um de seus limites e sempre teve uma paixão: o futebol.

“Ele gosta de todos os times, assiste todos os jogos e sabe o nome de todos os jogadores. O Enzo não tem um time fixo. Uma hora é corintiano, outra é são paulino, e também palmeirense. Por isso procurei a escola de futebol, para que ele ficasse mais perto do esporte e se desenvolvesse ainda mais”.

Assim, Enzo entrou para a família Boca Juniors de futebol no dia 2 de agosto de 2022. Adriel conta que o trabalho com o garoto começou do zero, iniciando primeiramente o contato com a bola, evoluindo para o treino todo e depois inserindo ele nos circuitos e trabalho de finalização. Sempre tentando adaptar os treinos para que ele pudesse absorver o mais rápido possível.

Com uma rápida adaptação, depois de dois meses ele já estava respondendo aos comandos. “Nosso coordenador Rodrigo Fagundes sugeriu que devíamos inserir o Enzo no jogo com outros alunos nossos. Começamos dois contra dois, depois três contra três e gradativamente ele foi evoluindo, começando a participar do treino coletivo do sub-11”, lembra Adriel.

Além de ser um terreno fértil para o desenvolvimento de habilidades físicas e técnicas, o futebol também oferece um espaço para socialização e amizade. Assim, o desenvolvimento do Enzo emociona. Hoje se sente seguro onde está. Chega conversando com todos os meninos, montando o time dele e entregando os coletes para os amigos.

“Ele é a imagem que queremos mostrar para os nossos outros alunos: sempre alegre, sorridente e disposto a melhorar a cada dia. Não tem recompensa maior do que vê-lo feliz e perceber o quanto o futebol é algo extremamente importante para ele”, afirma Adriel.

Michele, por sua vez, é só gratidão a tudo que a Escola de Futebol Boca Juniors tem proporcionado em suas vidas. “Sou muito grata pela paciência que eles têm com o Enzo e por incentivá-lo a participar desses torneios. São pessoas muito importantes na nossa vida, principalmente na doença do Enzo. Ele é apaixonado pelo Adriel, pelo futebol e o que eu puder fazer para ajudar meu filho, vou estar sempre aqui”.

O próximo passo é realizar outro sonho do menino Enzo: levá-lo para assistir a uma partida de futebol dentro de um estádio. Michele teme pela agitação e barulho do local, mas já pensa em como ajudá-lo a superar mais esse desafio em sua vida.

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