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A relação Porto/Cidade

Sandro Olímpio Kbsa - Trabalhador portuário

Sandro Kbsa

29/05/2022 - domingo às 00h00

Até onde essa relação realmente é importante para as cidades Portuárias? O que realmente é importante para as autoridades? São os cifrõe$ gerados ou a empregabilidade, a qualidade de vida e os benefícios sociais que podem ser gerados pelo Porto?

Vamos falar dessa relação onde podemos citar neste artigo diversos portos e cidades pelo Brasil, mas acredito que seja ela qual for as conclusões serão as mesmas.

Basta dar uma volta pelas cidades portuárias, parar para beber um cafezinho no bar ou na padaria que nos deparamos com empresários, advogados, médicos, servidores públicos, policiais, enfermeiros, vereadores, prefeitos, deputados e em um bate papo rápido sempre encontramos um assunto em comum: “ah você é estivador? Você trabalha no Porto? Meu pai foi estivador, ah meu pai foi doqueiro, ah meu pai foi trabalhador Portuário, meu tio, meu avô, sempre encontramos um ou mais membros das famílias que residem em torno dos portos pelo Brasil que foram trabalhadores Portuários”.

E um outro assunto bem tradicional, se hoje eu sou o que sou foi porque meu pai, ou meu avô que através do trabalho no porto me deu a condição de ser o que sou, mais essa relação até onde vai? Quem ficou, não tem esse mesmo direito? Porque são vistos com outros olhos?

Os mesmos que hoje são autoridades em suas cidades e que exaltam seus familiares que foram trabalhadores Portuários, infelizmente não dão o mesmo valor aos que hoje atuam nos portos pelo Brasil.

O trabalho não mudou, o sofrimento é o mesmo só que a remuneração é menor e as leis  muito piores  para os trabalhadores.

Será que o benefício aos cidadãos das cidades portuárias realmente é importante para as autoridades ou somente os cifrões gerados pelo Porto interessam? Enfatizamos essa pergunta porque é notória a degradação das cidades ao redor dos portos, os comércios fechados, casas abandonadas, um reflexo das privatizações, do desemprego e do aviltamento de salários dos trabalhadores.

As autoridades fecham os olhos para essas consequências e esse desequilíbrio social, e abrem as mãos para os cifrões gerados. Uma consequência drástica e trágica para a sociedade e o cidadão trabalhador.

Acredito que a relação Porto cidade tem que ir além dos cifrões, tem que ir para garantia de trabalho e emprego, de um comércio forte, de educação para formação de cidadãos, de saúde de qualidade, de moradias e qualidade de vida! Esses cifrões teriam que ser enxergados dessa maneira, serem investidos nas cidades que tem o Porto como parte dela e vice versa.

Poderíamos falar aqui sobre a Bahia, Belém, Imbituba, Rio Grande, Itajaí, Maceió, e vários outros portos e cidades pelo Brasil, mas vamos trazer novamente à tona o que houve em Manaus como exemplo onde simplesmente tiraram todo o trabalho do porto público, levaram todas as cargas para o Porto privado, abriram aquela velha estratégia do edital de novas vagas de trabalho no Porto onde contrataram meia dúzia de trabalhadores e deixaram quem sempre sobreviveu do porto desempregados, a estratégia do edital de vagas para vínculo, do desemprego, passam para opinião pública de estão contratando, trazendo empregos, onde na verdade estão desempregados milhares de trabalhadores existentes e aviltando salários, trazendo prejuízos irreversíveis às cidades portuárias, socialmente.

 Esses trabalhadores portuários que atuavam no porto de Manaus hoje se encontram sem trabalho se virando como podem, como autônomos, ambulantes ou fazendo bicos. Uma vergonha, sem nenhum tipo de auxílio, sem garantia de trabalho, sem garantia de renda, sem benefício social algum!  E essa situação também já encontramos em Santos no maior Porto da América Latina, temos um prejuízo muito maior na cidade de Santos, os terminais privados do porto público de Santos simplesmente fecharam as portas para os trabalhadores portuários avulsos e pior, aos poucos estão tirando as cargas do porto público deixando os trabalhadores ainda mais prejudicados.

Essa relação vai além da relação capital e trabalho, essa relação teria que ser vista pela relação Porto cidade, porque traz desemprego, traz aviltamento de salários,  traz prejuízos sociais e financeiros aos cofres das cidades. Esses trabalhadores antes que tinham a condição de dar um plano de saúde a sua família, ter seus filhos em escolas particulares, hoje  utilizam dos serviços públicos da cidade.

As portas dos comércios se  fechando porque os trabalhadores não se alimentam e não compram mais em torno do porto, vimos a ruas antes movimentadas com trabalhadores dia e noite indo e vindo do porto hoje vazias, abandonadas, portas de  comércios arriadas, reflexo do desemprego e desmando gerado pelas privatizações.

Temos agora uma nova etapa no Porto de Santos a implantação do PDZ plano de desenvolvimento e zoneamento do porto e a desestatização do Porto de Santos, esse é o momento certo das autoridades locais arregaçarem as mangas e se debruçarem nesse assunto tão importante com seriedade, comprometimento, responsabilidade e verem as consequências que serão geradas aos trabalhadores, aos cidadãos, as famílias portuárias, ao comércio e a cidade.

O PDZ traz no seu bojo o fim, o extermínio do porto público, consequentemente cerca de 16, dezesseis, operadores portuários do porto público que operam nessa área, que movimenta cerca de 7% da carga do Porto de Santos, mais que empregam 70% , setenta por cento da mão de obra existente, 70% da mão de obra avulsa do Porto. Como vão ficar esses trabalhadores? Como vão ficar essas famílias?

Os operadores terão suas operações finalizadas, além dos Portuários requisitados temos os funcionários desses operadores que também são muitos diretos e indiretos, empresas de aluguel de equipamentos de movimentação de cargas e seus funcionários porque o Porto será totalmente privado, não haverá espaço para o Porto público, para esses operadores realizarem essas operações, essas cargas migraram para os terminais que não utilizam a mão de obra avulsa.

Um impacto sócio econômico sem tamanho, um caos social será gerado e não estamos vendo a devida preocupação pelas autoridades regionais. As famílias portuárias aguardam uma solução, audiências públicas de verdade teriam que ser feitas, para que a sociedade tenha o conhecimento da verdade, o que está por trás dessas mudanças.

E o mais importante, que essas mudanças estão sendo geradas pelo governo federal, o governo federal está mexendo nas estruturas familiares e sociais das cidades portuárias através de benefícios gerados aos empresários que levam suas riquezas para fora do país. Deixando as famílias portuárias socialmente desamparadas, na miséria.

Os grandes operadores chegaram nos portos do Brasil encontraram trabalhadores dispostos a enfrentarem os perigos do trabalho portuário, deixando suas vidas nos portos e porões dos navios, gerando riquezas ao país e aos empresários com as movimentações de cargas sem nenhum tipo de segurança e hoje estão sendo simplesmente descartados sem nenhuma garantia de trabalho nem de renda.

Os trabalhadores do porto de Santos e dos Portos do Brasil querem seus direitos mantidos, querem garantia de trabalho, querem trabalhar!

Que o ministério público se mobilize e possa trazer esse assunto para ser discutido, que os deputados federais das cidades portuárias, governadores, prefeitos e vereadores levem esses assuntos para serem discutidos com seriedade e que possam trazer uma solução para as famílias portuárias.

Que os direitos dos trabalhadores sejam mantidos!

O trabalhador só quer trabalhar!

E os trabalhadores precisam estar atentos e terem a consciência de que somente a Luta e Resistência fará com que seus direitos sejam mantidos.

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