Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,14

EuroR$ 5,85

Santos

16ºC

Ana Paula Viveiros Valeiras

Ganhar ou perder

Ana Paula Nunes Viveiros Valeiras - Chefe do Departamento de Vigilância em Saúde de Santos

22/07/2021 — quinta-feira às 09h42

Ganhar ou perder

Estamos tentando vencer a COVID-19 há mais de um ano e meio, e apesar da realização da vacinação, não podemos deixar de alertar para o risco que a doença ainda oferece, pois novas variantes do coronavírus estão se disseminando no Brasil, transformando o momento ainda mais preocupante.

Já foram computados milhares de óbitos, as famílias estão fragilizadas, muitas pessoas desmotivadas pela crise financeira e pela incerteza da economia, a rede de saúde cansada, não tendo soluções rápidas para os desafios que surgem a cada dia. Mas, apesar desse panorama, podemos perceber uma desaceleração nos indicadores de saúde, nas últimas semanas, demonstrando uma queda simultânea dos casos e óbitos, além da diminuição da taxa de ocupação de leitos de UTI e a melhoria nos números de internação em leitos hospitalares. Esse fato está intimamente relacionado com a vacinação que iniciamos há seis meses no país, porém é necessário destacar que o ritmo da vacinação no Brasil ainda é muito sofrível. E a situação do país exige cuidados, porque não é hora de relaxar nas medidas de proteção contra o vírus, medidas higiênicas e sanitárias devem ser seguidas, como o uso de máscara e o distanciamento social.

Temos conhecimento de que vários países onde a vacinação da população está adiantada e que, mesmo assim, estão enfrentando uma nova onda de aumento de casos e óbitos devido ao fato das novas variantes surgirem, destacando principalmente a variante Delta, que foi identificada inicialmente na Índia e com a confirmação de casos na população do Brasil, principalmente em dois grandes centros, no Rio de Janeiro e São Paulo.

Ao longo da existência humana, várias situações de crise de saúde, social e econômica causadas por questões do meio ambiente, causas sociais e de preconceitos raciais e religiosos, de novas e antigas doenças surgindo na população, sempre repercutem em instabilidades mentais, sociais, econômicas e políticas. E é justamente nesse momento que há a necessidade de criar novas e rápidas soluções, utilizando a ciência e a tecnologia a favor da humanidade, pois o equilíbrio deve ser restabelecido em toda a população afetada pensando no bem da coletividade. Apesar das diferenças entre as pessoas, cada vez mais o momento é de união.

Se estamos cansados? Sim, estamos. Temos necessidades de voltar às nossas atividades do cotidiano? Ao convívio com a família e amigos? Temos necessidade emocional de estar novamente convivendo com as pessoas, em grupo? Sim, temos todas essas necessidades. Porém estamos ainda numa situação muito instável e se quisermos passar por essa crise que nos acomete, é necessário o comprometimento de todos. É imprescindível pensar no coletivo, para que o individual não seja prejudicado.

Sobreviveremos, porque encontraremos um caminho que, apesar de longo e dolorido, só se resolverá com a assistência e prevenção para todos. Não podemos fechar os nossos olhos a esse vírus invisível, achar que ele não existe ou que não causa malefício. Não podemos nos perder e muito menos chegarmos ao esgotamento da saúde. Estamos suscetíveis de adoecermos, de transmitirmos o vírus na comunidade e em nossas famílias. E somente a vacinação em massa irá nos ajudar a passar esse momento.

Estamos lutando contra uma pandemia onde a falta de conhecimento, onde os interesses políticos muitas vezes ultrapassam os verdadeiros interesses da coletividade.  Precisamos pensar no outro e não lutar contra nós mesmos. Quando procuramos e queremos escolher essa ou outra vacina, quando não nos comprometemos a tomar a segunda dose de algumas vacinas,
quando lutamos em não seguir as medidas sanitárias preconizadas, estamos  lutando contra nós mesmos e esse pensamento egoísta só nos faz perder a vida e tudo de bom que ela oferece. Vale a pena repensarmos nossas atitudes antes que seja tarde demais.

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

Cobertura vacinal: a missão de alcançarmos excelência em saúde pública

Ana Paula Viveiros Valeiras

Cobertura vacinal: a missão de alcançarmos excelência em saúde pública

Superando incertezas: A difícil arte de vencer os desafios na saúde

Ana Paula Viveiros Valeiras

Superando incertezas: A difícil arte de vencer os desafios na saúde

Milhões de pessoas enxugam lágrimas...

Ana Paula Viveiros Valeiras

Milhões de pessoas enxugam lágrimas...

2
Entre em nosso grupo