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SAÚDE DA MULHER

Menopausa: de olho no antes, durante e depois

Sintomas neuropsiquiátricos, no entanto, começam a aparecer alguns anos antes da menopausa, em um período chamado de transição menopausal, para o qual os cuidados com a saúde da mulher são fundamentais

Da Redação BS9

Da Redação BS9

03/07/2023 — segunda-feira às 07h00

Menopausa: de olho no antes, durante e depois

como comeca a menopausa 1 - Foto: Reprodução

A menopausa, nome dado à última menstruação e que marca o fim da fase reprodutiva da mulher a partir da quarta década de vida, é um período que requer um olhar muito especial não só dela própria, mas também de todos que a rodeiam. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2030, haverá mais de um bilhão de mulheres na menopausa. A partir daí, 100 milhões entrarão a cada ano. 

Sintomas neuropsiquiátricos, no entanto, começam a aparecer alguns anos antes da menopausa, em um período chamado de transição menopausal, para o qual os cuidados com a saúde da mulher são fundamentais, sobretudo porque, com o aumento da expectativa de vida, ela viverá 1/3 da sua vida na fase pós-menopausal.

"Oitenta por cento das mulheres possuem sintomas durante a transição menopausal, enquanto outras 20% passam assintomáticas, mas isso não significa que isso vai se manter para o resto da vida", afirma a psiquiatra Adriana Pereira, pois atualmente observa-se que algumas mulheres estão se tornando sintomáticas após a 6ª. década de vida. 

“Alteração do humor, desatenção, lapsos de memória, crises de ansiedade e   insônia são queixas frequentes que levam muitas destas mulheres a serem diagnosticadas com depressão e/ou ansiedade. Por fim, entram no circuito da doença com o uso de psicotrópicos por um longo período, pois não têm a causa de seus sintomas investigada e não recebem o tratamento mais adequado”, emenda.

A profissional lembra que o processo pode se iniciar a partir dos 40 anos, mas atualmente observa-se em alguns casos, mais cedo, logo após os 35 anos. 
"Há mulheres que começam com 40, 42, enquanto outras aos 50. Existe uma variação biológica. A idade materna e das tias para a menopausa pode ser um parâmetro. Ultimamente temos mulheres antes dos 40 apresentando sintomas, principalmente aquelas que têm história de menopausa precoce na família.  

Nesta fase, lembra a psiquiatra, a mulher apresenta um declínio da função cognitiva, caracterizado pela chamada névoa cerebral, quando ocorre um processo inflamatório e uma queda da produção de energia celular por conta da queda dos hormônios estradiol e progesterona, deixando a cabeça atordoada, e uma sensação de confusão mental que não é contínua e que se agrava diante os fatores de estresse no dia a dia destas mulheres.

"Falo que é uma época em que a mulher é uma bomba relógio, pois há uma confluência de instabilidade vascular, alterações metabólicas, propensão à depressão e alta carga de estresse. Fatores que, associados, duplica o risco para doença cardiovascular nesta faixa etária”, afirma. “Nessa fase, a mulher está, muitas vezes, no auge profissional, com mais responsabilidades, tem filho pequeno ou adolescente, que ainda solicita muita atenção, e ainda passa por crise no casamento. No ano passado, por exemplo, saiu uma investigação na Inglaterra que a maior quantidade de divórcios ocorre na fase da menopausa ", lista.

Pilares de vida

Como é impossível deter a menopausa e o envelhecimento, o foco da mulher deve ser garantir um futuro mais saudável, de modo a minimizar os sintomas e o impacto da menopausa na saúde. “É preciso instrumentalizar melhor essa mulher para que ela lide com estratégias melhores contra o estresse, por exemplo”, recomenda Adriana. 
É necessário modificar o estilo de vida, apoiando-se em seis importantes pilares:

- Higiene do sono: É durante o sono que temos a ativação do sistema glinfático, que é aquele que faz a limpeza neuronal de todo o estresse oxidativo acumulado durante o dia e a sedimentação da memória de aprendizado. “Sono é um dos pilares fundamentais”, afirma a psiquiatra.

- Alimentação: É preciso modificar a alimentação. É uma fase em que a mulher tem predisposição para ganhar peso e a ficar pré-diabética, pela adaptação natural do corpo à queda hormonal. O corpo vai induzir a mulher a ganhar peso para a gordura ajudar na produção do estrogênio. “Aí é que está o perigo porque a insulina, hormônio que controla a glicemia, dispara e ele, sim, é o hormônio que está mais está associado ao risco de câncer”, acrescenta a profissional. Falar de alimentação, lembra Adriana, é lembrar do intestino, onde vai ocorrer todo o processamento nutricional, matéria-prima para neurotransmissores, funcionamento de enzimas e hormônios. “O colesterol, por exemplo, é a matéria-prima dos hormônios sexuais. Por isso que ele não é tão vilão como se relata”, completa.

- Exercícios físicos: A psiquiatra lembra que as mulheres resistem muito a este pilar da medicina do estilo de vida. “Elas precisam ter um banco de músculos porque é ele que vai ajudar na proteção óssea. Uma das complicações é a osteoporose (doença que se caracteriza pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos enfraquecidos e predispostos a fraturas), que é uma   das justificativas da reposição hormonal atualmente. Só que não adianta fazer a reposição e não ter o banco de músculos, pois, após a 7ª. década de vida, vai desenvolver a osteosarcopenia (redução da massa muscular e óssea) e a dinapenia (redução da força muscular) da mesma forma.

- Controle de substâncias psicoativas: O álcool faz com que o metabolismo hormonal fica prejudicado no fígado, podendo causar complicações. “Incluo também café em excesso, que faz mal para as mulheres nessa fase, o cigarro e outras drogas”, completa Adriana.

- Relacionamentos abusivos e tóxicos: É um importante causador de estresse não só com o companheiro ou com a família, mas também com elas próprias. “Por estarem envelhecendo, algumas mulheres começam a brigar consigo mesmo: se acham velhas e burras por conta dos sintomas da menopausa. Isso é uma carga de estresse que, em muitas ocasiões, leva também à depressão e à ansiedade”, explica a psiquiatra.

- Gerenciamento do estresse: O estresse depende muito da percepção sobre a situação, ajudá-las com estratégias de enfrentamento (mindfullness e autocompaixão), que reduzem a ativação neural ocasionada pelas situações deflagradoras de estresse.

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