Terça, 14 de julho de 2026

DólarR$ 5,15

EuroR$ 5,87

Santos

16ºC

Brasil

Queiroga deve discutir com gestores do SUS prazo para transição do fim da emergência sanitária

O ministro acrescentou que deve conversar com gestores do SUS para discutir o prazo de transição

Raquel Lopes - Folhapress

Raquel Lopes - Folhapress

20/04/2022 — quarta-feira às 11h30

Queiroga deve discutir com gestores do SUS prazo para transição do fim da emergência sanitária

Queiroga declarou na noite do último domingo, dia 17, em cadeia de rádio e TV, o fim na emergência sanitária provocada pela Covid-19 - (foto: TV Brasil)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a portaria que declara o fim da emergência sanitária deve ser publicada até a próxima sexta-feira, dia 22. Ele acrescentou que deve conversar com gestores do SUS para discutir o prazo de transição para a portaria entrar em vigor.

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) encaminharam um ofício para o ministro nesta terça-feira, dia 19, pedindo prazo de 90 dias para a transição.

A intenção dos gestores é que nesse período ocorra a elaboração de um plano de retomada capaz de definir indicadores e estratégias de controle com vigilância integrada das síndromes respiratórias.

"Vou discutir com o Conass e o Conasems, vou fazer uma análise técnica disso aí. Eles me encaminharam um ofício, mas o ofício não aponta de maneira objetiva quais são os pontos que precisam ter uma duração maior do que 30 dias. Se trouxerem dados objetivos mostrando essa necessidade, o Ministério da Saúde está aberto para discutir", disse em entrevista nesta quarta-feira, dia 20, à Jovem Pan.

Em entrevista coletiva na segunda, dia 18, entretanto, ele havia dado prazo para publicar a portaria até quarta, sendo que ela entraria em vigor dentro de 30 dias.

Os gestores do SUS argumentaram no documento que estados e municípios promoveram grande ampliação de vigilância em saúde e de serviços assistenciais, sobretudo com a ampliação de leitos, a necessária contratação temporária de um grande contingente de profissionais, somada às contratações para aquisição de insumos necessários ao enfrentamento da pandemia.

"Desse modo, é imperativa a readequação dos serviços e o remanejamento dos profissionais, além da adequação de contratos já celebrados e que estão em andamento, o que demandará considerável esforço dos municípios e dos estados, o que não poderá ser concluído em curto espaço de tempo", disse no documento.

Queiroga declarou na noite do último domingo, dia 17, em cadeia de rádio e TV, o fim na emergência sanitária provocada pela Covid-19. Em sua fala, destacou investimentos federais na pandemia e prestou solidariedade às vítimas da doença.

Desde fevereiro o ministro vem tratando publicamente do assunto. Nos bastidores, o Palácio do Planalto vinha pressionando pela medida, visto que o presidente Jair Bolsonaro (PL) irá disputar a reeleição. Além disso, Queiroga tinha a expectativa de ser reconhecido como o gestor que terminou com a crise sanitária no Brasil.

Queiroga disse, em entrevista na segunda, que nenhuma política pública de saúde será interrompida. Somente no Ministério da Saúde 170 regras podem ser impactadas com o fim da emergência sanitária. No entanto, não deu muitos detalhes.

A chamada Espin (Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional) dá lastro ao uso emergencial de vacinas, compras sem licitação e outras regras ligadas à pandemia.

O Ministério da Saúde fez o pedido para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorize por mais um ano o uso emergencial da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, mesmo com o fim da emergência sanitária em saúde.

Com o fim da emergência sanitária, o uso da vacina Coronavac contra a Covid-19 deve ser restrito a crianças e adolescentes de 5 a 18 anos.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, disse na entrevista que algumas medidas serão mantidas mesmo com o fim da Espin, como a testagem rápida nas farmácias. Ele também defende o fortalecimento da telessaúde.

Desde o seu início, a pandemia de Covid-19 causou oficialmente a morte de mais de 660 mil brasileiros.

Bolsonaro sempre foi um crítico das medidas preconizadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), mencionando supostos malefícios mais graves com a paralisia da economia e estimulou discursos e práticas negacionistas por vários meses, entre as quais o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a doença.

Queiroga e Bolsonaro chegaram a prometer acabar com a pandemia no Brasil e declarar que a Covid-19 se tornou uma endemia. O plano era reforçar a versão de que o governo venceu a crise sanitária, além de desestimular o uso de máscaras e outras medidas de proteção contra o vírus.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, Queiroga modulou o discurso ao ser alertado por auxiliares que não tem poder de encerrar a pandemia, a tarefa cabe apenas à OMS.

O ministro conseguiria apenas revogar a Espin. Esse seria o principal caminho para esvaziar as restrições contra a Covid. A Saúde passou então a mirar o fim de regras que são tidas como desnecessárias neste momento.

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

Preço de alimentos recua, e inflação oficial de junho fica em 0,16%

ECONOMIA

Preço de alimentos recua, e inflação oficial de junho fica em 0,16%

Vacinas contra covid-19 serão atualizadas contra novas variantes

SAÚDE

Vacinas contra covid-19 serão atualizadas contra novas variantes

Sebrae-SP abre credenciamento para profissionais da Economia Criativa

SEBRAE SP

Sebrae-SP abre credenciamento para profissionais da Economia Criativa

2
Entre em nosso grupo