CRISE NO GOVERNO
Em áudio vazado, Milton Ribeiro diz que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados por dois pastores que não têm cargo
Da Redação BS9 e da Folhapress
28/03/2022 — segunda-feira às 10h06
Milton Ribeiro, que é de São Vicente, entregou a carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro - Celia Viana/Câmara dos Deputados
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu exoneração do cargo na tarde desta segunda-feira, dia 28. Ele ficou com a imagem bastante desgastada após a divulgação de um gabinete paralelo no MEC formado por pastores evangélicos sem cargo no governo federal.
Milton Ribeiro tomou a decisão em reunião com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Na ocasião, o ministro entregou uma carta de demissão. A expectativa inicial era de que ele se licenciasse, mas questões jurídicas impediram essa manobra.
O secretário-executivo da pasta, Victor Godoy Veiga, é o mais cotado para substituir o ministro. A troca no comando do MEC deverá ser efetivada até o final desta semana.
Entenda o caso
A situação do ministro se agravou na segunda-feira, após a revelação pelo jornal Folha de S.Paulo de áudio em que Milton Ribeiro afirma que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.
Na gravação, o ministro diz ainda que isso atende a uma solicitação do presidente Bolsonaro e menciona pedidos de apoio que seriam supostamente direcionados para construção de igrejas. "Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", diz o ministro na conversa em que participaram prefeitos e os dois religiosos.
Nascido em 1958, em São Vicente, Milton Ribeiro é advogado, pastor, teólogo e professor.
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