ALTA NOS PREÇOS
Líder de caminhoneiros diz que Brasil tem que parar contra aumento da Petrobras
Por Leonardo Vieceli, Nicola Pamplona e Mônica Bergamo - Da Folhapress
10/03/2022 — quinta-feira às 07h27
A Petrobras afirmou que o anúncio vai no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Pressionada pelo avanço das cotações do petróleo com a guerra entre Rússia e Ucrânia, a Petrobras anunciou nesta quinta-feira, dia 10, reajustes nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. As altas entram em vigor a partir de sexta-feira, dia 11.
No caso da gasolina, o reajuste para as distribuidoras é de 18,8%. O preço médio passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro. Para o diesel, o aumento é ainda maior, de 24,9%. O valor subirá quase R$ 1 por litro, de R$ 3,61 para R$ 4,51.
Os reajustes foram anunciados em meio a debate no governo e no Congresso sobre a política de preços dos combustíveis da estatal, que prevê o acompanhamento das cotações internacionais do petróleo. Esta semana, a mudança de modelo ganhou apoio do próprio presidente Jair Bolsonaro (PL).
Considerando que a gasolina vendida pela Petrobras representa 73% da mistura vendida nos postos - o restante é etanol anidro - o reajuste nas refinarias terá impacto de R$ 0,44 por litro, elevando o preço médio nacional para a casa dos R$ 7 pela primeira vez na história.
Já o preço médio do diesel, considerando que todas as outras parcelas se mantenham inalteradas, chegaria a um valor em torno de R$ 6,40 por litro.
Em nota, a Petrobras afirmou que o anúncio "vai no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda". A primeira grande refinaria privada do país, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, havia ajustado seus preços no sábado, dia 5.
O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, diz que mesmo com a redução da defasagem, novas importações demoram a chegar ao país, já que entre a decisão por comprar produtos e a chegada dos navios é necessário um prazo entre 30 a 45 dias.
"O risco de desabastecimento continua. A gente não sabe quantificar, porque não tem informações sobre o estoque, mas continua", afirmou.
Vai parar?
Um dos principais líderes da greve de caminhoneiros de 2018, Wanderlei Alves, o Dedeco, diz que o Brasil tem que parar em protesto contra o aumento dos combustíveis divulgado pela Petrobras -de 18,8% para a gasolina, 16,1% para o gás de cozinha e 24,9% para o diesel nas refinarias.
"Os caminhoneiros autônomos e os empresários de transporte têm que se unir e parar o país. Ninguém vai aguentar. As transportadoras que têm 500, mil caminhões, com milhares de funcionários para pagar, vão quebrar", afirma Dedeco.
Em Mato Grosso, onde parou o caminhão que está dirigindo para abastecer e seguir viagem até Presidente Prudente, em São Paulo, ele afirma que pagou R$ 6,8 o litro. "E agora vai para mais de R$ 8", protesta. As altas entram em vigor a partir de sexta-feira, dia 11.
Dedeco afirma que a guerra da Rússia contra a Ucrânia está servindo como "desculpa para enriquecer ainda mais os donos da Petrobras".
"Eles já tiveram um lucro absurdo, doentio com os aumentos mais recentes, e estão ficando milionários às custas da tragédia de todos nós. Só quem está feliz hoje no país são os investidores da Petrobras", segue.
Dedeco afirma que caminhoneiros e transportadoras são os primeiros a sentir o baque, mas logo os preços são repassados e chegam "na gôndola dos supermercados, em todos os produtos", penalizando a população brasileira.
Em nota, a Petrobras afirmou que o anúncio vem após 57 dias sem reajustes. Segundo a companhia, esse movimento "vai no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda".
"Apesar da disparada dos preços do petróleo e seus derivados em todo o mundo, nas últimas semanas, como decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia, a Petrobras decidiu não repassar a volatilidade do mercado de imediato, realizando um monitoramento diário dos preços de petróleo", disse a estatal.
No caso da gasolina, o preço médio nas refinarias passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro.
Para o diesel, o valor subirá quase R$ 1 por litro, de R$ 3,61 para R$ 4,51.
A Petrobras também anunciou reajuste nos preços do GLP, o gás de cozinha. O preço médio de venda, para as distribuidoras, passará de R$ 3,86 para R$ 4,48 por quilo.
Para o diesel, o aumento é ainda maior, de 24,9%. O valor subirá quase R$ 1 por litro, de R$ 3,61 para R$ 4,51.
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