CRIMES
Como um assassino em série escapou da policia coreana por mais de 30 anos
Da Redação
21/10/2026 — quarta-feira às 02h51
Memórias de um Assassino
O filme Memórias de um Assassino, lançado em 2003 e dirigido pelo Bong Joon-ho, foi inspirado em um dos casos criminais mais conhecidos da história da Coreia do Sul. O filme ficou muito famoso mas muita gente nao sabe a historia real que inspirou a obra. Entre 1986 e 1991, a região de Hwaseong, localizada no sul de Seul, foi aterrorizada por uma sequência de assassinatos de mulheres em noites que choviam. Ao todo, dez vítimas foram encontradas mortas durante apenas esse período, com idades que foram de 13 a 71 anos. Muitas delas haviam sido atacadas enquanto voltavam para casa, outras foram em estradas e outras em áreas rurais com menos movimento de pessoas. Os crimes tinham um padrao, como violência sexual e estrangulamento, o que fez a polícia acreditar que todos poderiam ter sido cometidos pela mesma pessoa. O caso muito rapido virou uma das maiores investigações criminais do país, mas mesmo depois de anos procurando pistas as autoridades não conseguiram descobrir quem era o assassino e o caso ficou sem solucao por bastante tempo
As investigações também ficaram marcadas no pais e no mundo inteiro por uma série de erros cometidos pela polícia sul-coreana. Na época, o país ainda não tinha os recursos tecnológicos e os métodos de análise genética utilizados atualmente, entao muita coisa errada foi feita no desespero pra tentar achar um culpado. A pressão para encontrar o assassino era enorme e alguns investigadores acabaram recorrendo ate a violência e a interrogatórios que nao seguiam as leis da epoca para conseguir confissões dos suspeitos que eles tinham. Um dos episódios mais graves aconteceu em 1989, quando um homem chamado Yoon Seong-yeo foi preso e depois de um tempo foi condenado pelo assassinato de uma adolescente de 13 anos. Ele falou varias vezes que havia confessado o crime por causa da pressão policial, e mesmo assim ele acabou passando aproximadamente 20 anos na prisão por um assassinato que não cometeu. Esse caso se tornou um dos maiores exemplos de como a obsessão em encontrar um culpado pode levar a injustiças tão graves quanto os próprios crimes que estavam sendo investigados
O verdadeiro responsável pelos assassinatos foi descoberto e era Lee Chun-jae, um homem que conseguiu permanecer sem ser identificado pelos crimes durante mais de 30 anos. O mais impressionante é que ele já estava preso desde a decada de 1990, cumprindo prisão perpétua pelo estupro e assassinato de sua cunhada, ou seja ele ja tinha feito outros crimes e foi preso enquanto ninguem sabia que ele era o serial killer que escapou ileso dos assassinatos famosos, e no final ele acabou sendo preso justamente pelo crime contra a cunhada, que foi cometido em 1994. Foi somente em setembro de 2019 que novas análises de DNA encontrado em evidências antigas dos crimes permitiram fazer a ligacao do Lee aos assassinatos de Hwaseong. No comeco ele negou qualquer envolvimento, mas acabou confessando ter cometido 14 assassinatos e aproximadamente 30 estupros e tentativas de estupro entre 1986 e 1994. Em 2020, a polícia concluiu que ele havia sido responsável pelos dez assassinatos originalmente investigados em Hwaseong, além de outros quatro. A descoberta encerrou um mistério que havia assombrado a Coreia do Sul por décadas, mas apesar disso terem achado ele so deixou a populacao com mais raiva ja que pela lei da Coreia ele nao podia ser julgado ja que os crimes ja haviam passado do prazo pro julgamento.
Uma das coisas mais interessantes sobre o filme Memórias de um Assassino é que, quando Bong Joon-ho produziu ele, em 2003, ninguém sabia quem realmente havia cometido os assassinatos. Por isso, ao contrário de muitos filmes policiais, a história não termina com uma grande revelação ou um final feliz. Na última cena, o detetive interpretado por Song Kang-ho olha diretamente para a câmera, como se estivesse procurando o assassino entre as próprias pessoas que assistem ao filme, isso foi porque eles acharam que o assassino ia ir assistir o filme sobre a historia dele. Essa cena ganhou um significado ainda maior depois de 2019, quando a identidade de Lee Chun-jae finalmente foi descoberta. Talvez seja justamente isso que torne o filme tão perturbador, porque a história não fala somente de um criminoso que conseguiu escapar da justiça, mas também de todas as pessoas que acabaram sofrendo enquanto ele permanecia sem ser identificado
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