PINACOTECA
Em cartaz até 13 de setembro, com entrada gratuita, a mostra articula três pinturas por meio de uma sequência de trocas e propõe uma reflexão sobre afeto, reciprocidade e circulação da arte.
Da Redação
25/08/2026 — terça-feira às 07h22
A exposição promove um diálogo entre diferentes gerações de artistas ligados à cidade - Divulgação
A Pinacoteca Benedito Calixto recebe, até 13 de setembro, Amadores, primeira exposição individual do artista santista Ilê Sartuzi na cidade. Com curadoria de Thamyres VM, a mostra foi aberta ao público no último sábado, 22 de agosto, e pode ser visitada gratuitamente de terça-feira a domingo, das 9h às 18h.
Após consolidar uma trajetória no Brasil e no exterior, Sartuzi retorna à cidade onde nasceu com um projeto que parte de uma história familiar para construir uma reflexão sensível sobre afeto, reciprocidade e os diferentes significados que as obras de arte adquirem ao longo de sua circulação.
Assim como Sartuzi, a curadora Thamyres VM também é natural de Santos. A exposição promove um diálogo entre diferentes gerações de artistas ligados à cidade, aproximando a produção contemporânea do artista do legado de Benedito Calixto.
Amadores nasce do desejo do artista de presentear seu avô, João Alves Franco - ele próprio um pintor amador na juventude - com uma pintura de Benedito Calixto, um dos principais nomes da história da arte santista, por quem sempre nutriu profunda admiração. Para tornar esse gesto possível, Sartuzi realiza uma sequência de duas trocas envolvendo uma colecionadora, seu avô e três pinturas distintas.
A primeira dessas transações ocorre entre o artista e a colecionadora: uma pintura de autoria de Sartuzi é permutada por uma pintura certificada de Benedito Calixto. A segunda troca acontece entre o neto e o avô, quando a pintura de Benedito Calixto é oferecida em troca de uma pintura de João Alves Franco. Ao final das trocas, a colecionadora passa a deter a obra de Sartuzi; o avô recebe a pintura de Benedito Calixto; e o artista incorpora ao seu acervo pessoal uma obra realizada por João Alves Franco.
As três pinturas passam a existir, a partir desse momento, não apenas como obras autônomas, mas também como partes constituintes do trabalho de Sartuzi. Conhecido por sua abordagem conceitual, o artista encontra, em Amadores, uma forma particularmente íntima de refletir sobre vínculos e valores que permeiam a produção e a circulação da arte. Os contratos que formalizam as trocas também integram a exposição, revelando uma dimensão normalmente invisível das relações que sustentam o sistema da arte.
"Me pareceu claro que, depois das paisagens pintadas por Benedito Calixto e pelo meu avô, eu deveria também retratar minha terra natal", reflete o artista. "Depois de uma grande pesquisa sobre a iconografia das paisagens da Baixada Santista, encontrei uma imagem que parecia ideal: uma vista quase aérea da orla da praia em direção à Ilha Porchat. Ao continuar a pesquisa sobre a origem dessa imagem, descobri que ela havia sido publicada no jornal A Tribuna, em 17 de setembro de 1995, o dia exato do meu nascimento. Não tive mais dúvidas de que aquela seria a imagem ideal para este projeto."
Sobre o artista
Ilê Sartuzi (1995, vive e trabalha em Londres) é artista formado pela Universidade de São Paulo (USP) e com mestrado pela Goldsmiths, University of London. Recebeu o Prêmio PIPA (2021). Suas exposições e projetos individuais recentes incluem to vanish, Pedro Cera (Madrid, 2026); Contrato, Luisa Strina (São Paulo, 2025); A CRIME, A CONFESSION AND A TRADE, NıCOLETTı (Londres, 2025); Truque, Museu de Arte Contemporânea (São Paulo, 2025); Vaudeville, Pedro Cera (Lisboa, 2023); cabeça oca espuma de boneca, SESC Pompéia (São Paulo, 2022); e A. E A de novo., auroras (São Paulo, 2021). Participou de exposições em instituições como Pinacoteca do Estado de São Paulo (2021); Videobrasil (2021); Museu Oscar Niemeyer (2022); Bienal SUR (2021); Instituto Moreira Salles (2020); SESC (Pompéia, 2022; Pinheiros, 2022; Ribeirão Preto, 2019; Distrito Federal, 2018); CCSP - Centro Cultural São Paulo (2018); Museu de Arte de Ribeirão Preto (2020; 2017; 2015).
Seu trabalho esteve em destaque em alguns dos principais jornais e publicações de arte, como The New York Times, The Guardian, The Times, Frieze, The Art Newspaper, ArtReview, Artforum, Folha de S.Paulo e O Globo, entre outros, e está presente em coleções públicas e privadas, como as da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP), da coleção moraes-barbosa, do Instituto PIPA, do Videobrasil e do British Museum.
Sobre a curadora
Thamyres VM (Brasil, 1987) é curadora e gestora cultural e vive em Berlim. Com formação em arte, cinema e estudos culturais, sua prática é orientada por um olhar crítico sobre a cultura contemporânea. Interessa-se por metodologias curatoriais e institucionais, investigando como estratégias site-responsive podem contribuir para aproximar as organizações dos contextos em que atuam. Transitando por diferentes formatos, desenvolve projetos que estimulam reflexão, troca e engajamento crítico.
É formada em Cinema pela FAAP (São Paulo), possui um CAS em Curadoria pela ZHdK (Zurique) e é mestre em Indústria Cultural pela Goldsmiths (Londres) e em Práticas Artísticas pelo Dutch Art Institute (Amsterdã). É fundadora e foi diretora artística do VALONGO Festival Internacional da Imagem, realizado em Santos entre 2016 e 2020. Entre seus projetos recentes estão a cycle is a cycle, projeto de edição e curadoria para a bienal foodculture days (Vevey, 2022-2024); a atuação como curadora assistente da Manifesta 15 e a cocuradoria de Memoria del Humo, projeto especial desenvolvido para a bienal (Barcelona, 2024); e a curadoria da exposição coletiva Speculative Reflexive, na NARS Foundation (Nova York, 2025).
Serviço
Ilê Sartuzi: Amadores
Curadoria de Thamyres VM
Período: até 13 de setembro de 2026
Local: Pinacoteca Benedito Calixto | Av. Bartholomeu de Gusmão, 15 - Santos, SP
Visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 18h
Entrada: gratuita
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