SUA SAÚDE
Consumidores apresentam índices de nicotina no organismo equivalentes a fumar 20 cigarros convencionais por dia e Congresso da SOCESP debaterá formas de prevenção e tratamento
Da Redação
29/05/2024 — quarta-feira às 09h03
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Moda entre os jovens e artifício utilizado pelos mais velhos para evitar o tabaco convencional, os cigarros eletrônicos – também conhecidos como vapes – reduzem em até 14 anos a expectativa de vida das mulheres e em 10 a dos homens. A conclusão é de uma análise global de estudos internacionais. O tema será um dos destaques do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), que ocorrerá em São Paulo, nos dias 30, 31 de maio e 1º de junho, com debates sobre os diversos aspectos do impacto do fumo no sistema cardiovascular. O Dia Mundial sem Tabaco será no meio do evento (31 de maio).
A assessora científica da SOCESP e especialista no tratamento do tabagismo, Jaqueline Scholz, explica que a redução da expectativa de vida se dá por que os consumidores de cigarros eletrônicos apresentam índices de nicotina no organismo equivalentes a fumar 20 cigarros convencionais por dia. “O coração é o órgão mais prejudicado pela nicotina. A substância é responsável por liberar adrenalina, que acelera o coração, aumenta o consumo de oxigênio e a pressão arterial. Este processo favorece a aterosclerose, o infarto, a morte súbita e o AVC”, afirma a cardiologista, que será palestrante no Congresso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de oito milhões de pessoas morrem por ano por causa do tabaco.
Em meio a polêmica sobre a legalização do cigarro eletrônico no país, pesquisas mostram que, em nações que legalizaram o uso, o número de usuários é o triplo em comparação com o próprio Brasil e Tailândia, por exemplo, onde existe a proibição. “Alguns modelos funcionam com o ‘sal de nicotina (pods)’, que produz dependência mais rápida que o cigarro convencional. Uma vez inalada, ela estimula a liberação de neurotransmissores como a dopamina, responsável pela sensação de prazer, bem-estar e relaxamento. Apesar de não expor o usuário ao monóxido de carbono, uma vez que não ocorre combustão (o aquecimento é feito por bateria), o vape promove a dependência de nicotina”, explica Jaqueline Scholz. E tem mais: os eletrônicos emitem mais nanopartículas que os cigarros convencionais. Estas partículas ultrafinas (100 nanômetros) são responsáveis pela asma e por agravos ao endotélio, corroborando para o infarto e o AVC.
Seja o cigarro convencional ou o eletrônico, é fundamental tratar a dependência, com ajuda de especialistas. Estimativas da SOCESP, com base em estudos nacionais e internacionais, apontam que apenas entre 3 e 5% daqueles que tentam parar de fumar sem ajuda são bem-sucedidos. “Existem tratamentos que podem incluir reposição de nicotina e medicamentos que, a critério médico, serão escolhidos. O tratamento não é para a vida toda, dura três meses. Parar de fumar não é substituir um produto por outro, como alguns usuários do eletrônico afirmam. A adoção do conceito de redução de danos, indevidamente apropriada pela indústria do tabaco, não passa de mais uma estratégia de marketing”, alerta a assessora científica da SOCESP.
Existe ainda o risco para os fumantes passivos. Que são muitos. Uma pesquisa feita pela SOCESP, com 2.764 entrevistados das cidades de Araçatuba, Araraquara, Bauru, Osasco, Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio Preto, Sorocaba, Vale do Paraíba e na capital, aponta que 23% dos paulistas respiram a fumaça dos outros regularmente. “O cigarro mata mais de 440 pessoas por dia no Brasil. Precisamos seguir encontrando meios para acabar com todas as formas de tabagismo”, finaliza Jaqueline Scholz.
Serviço:
44º Congresso de Cardiologia da SOCESP
Data do evento: 30 de maio a 1º de junho de 2024
Local: Transamerica Expo Center, São Paulo/SP
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