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LITERATURA

Morre Cormac McCarthy, escritor que renovou a literatura americana, aos 89

McCarthy não poupava o leitor de cenas sanguinolentas de tortura e decepamento de membros, por exemplo, uma depuração tanto de seu pessimismo quanto da pura fidelidade aos fatos que aconteciam nas jornadas de expansão das fronteiras do país no século 19

da Folha Press/Walter Porto

da Folha Press/Walter Porto

14/06/2023 — quarta-feira às 03h10

Morre Cormac McCarthy, escritor que renovou a literatura americana, aos 89

McCarthy é conhecido como um dos renovadores da literatura americana - Reprodução

O escritor americano Cormac McCarthy morreu em sua casa na cidade de Santa Fe, nesta terça-feira, aos 89 anos, segundo a editora Knopf, que o publica em seu país.

McCarthy é conhecido como um dos renovadores da literatura americana, com romances mergulhados no niilismo e na violência, como "Meridiano de Sangue" e "Onde os Velhos Não Têm Vez".

Foi premiado com o Pulitzer de ficção por "A Estrada", romance pós-apocalíptico que avança seus principais temas, oferecendo um retrato desolador do futuro da humanidade por meio de um pai que vaga com seu filho por regiões desérticas.

É uma sinopse que se assemelha à de outros livros do autor, que explorou uma ambientação clássica da arte feita nos Estados Unidos, a aridez do meio-oeste, em busca de reflexões existenciais de profundidade marcante.

McCarthy não poupava o leitor de cenas sanguinolentas de tortura e decepamento de membros, por exemplo, uma depuração tanto de seu pessimismo quanto da pura fidelidade aos fatos que aconteciam nas jornadas de expansão das fronteiras do país, durante o século 19.

O escritor, contudo, nasceu em Rhode Island, a nordeste de Nova York, mas se aproximou da região que o consagraria para cursar faculdade no Tennessee.

Sua carreira começou nos anos 1960, mas a repercussão mais ampla só veio com "Meridiano de Sangue", em 1985.

O livro não foi premiado como outros de sua carreira -"Todos os Belos Cavalos" levou o National Book Award nos anos 1990, por exemplo-, mas é considerado como sua principal obra por boa parte da crítica.

O antagonista, juiz Holden, virou um dos grandes personagens da literatura americana com sua faceta sádica e impiedosa, deixando um rastro de sangue pelo caminho enquanto compartilha reflexões filosóficas de alta voltagem com seus parceiros de jornada.

É um perfil que lembra o personagem mais famoso de McCarthy nas telas de cinema, Anton Chigurh, o assassino de aluguel interpretado por Javier Bardem na adaptação "Onde os Fracos Não Têm Vez", dos irmãos Coen. "A Estrada" também ganhou os cinemas num filme elogiado e dirigido por John Hillcoat, com Viggo Mortensen.

O americano encerrou sua obra de 12 livros com um díptico, "O Passageiro" e "Stella Maris", que mostra dois pontos de vista diferentes sobre a relação algo incestuosa de dois irmãos geniais que vivem à sombra da tragédia da bomba atômica.

Tão conhecido por seu talento quanto por seu perfil recluso, McCarthy não falava com jornalistas, e o último registro de que o autor tenha dado uma entrevista foi numa conversa com estudantes de um colégio, quando deu depoimentos turrões e divertidos sobre sua literatura.

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