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Filme sobre Marilyn Monroe, é criticado por cena de aborto com feto falante

O longa mostra que Monroe fez dois abortos ilegais, ambos contra sua vontade

Folhapress

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02/10/2022 — domingo às 09h30

Filme sobre Marilyn Monroe, é criticado por cena de aborto com feto falante

Ana de Armas estrelando Marilyn Monroe - Foto: divulgação/Netflix

Cenas de um feto falante em "Blonde", filme biográfico sobre Marilyn Monroe que lançou há poucos dias, vêm causando polêmica entre ativistas pró-legalização do aborto.

Isso porque, segundo alguns militantes, o longa estigmatiza o assunto e propaga desinformações, o que é negado pelo diretor, Andrew Dominik.

"Blonde" mostra que Monroe fez dois abortos ilegais, ambos contra sua vontade. Numa das cenas, um feto pergunta à estrela: "Você não vai me machucar desta vez, vai?".

Caren Spruch, diretora de artes e entretenimento da Federação de Planejamento Familiar da América, disse ao site Hollywood Reporter que é problemático retratar um feto como um bebê totalmente formado e, além disso, falante. Segundo ela, isso prejudica discussões sobre aborto.

"Há tempos que fanáticos anti-aborto contribuem para estigmas sobre o tema, usando descrições medicamente imprecisas sobre fetos e gravidez", afirmou Spruch. "Nós, da Federação, respeitamos a liberdade artística. Mas assuntos atrelados à gravidez, sobretudo o aborto, devem ser retratados com sensibilidade, autenticidade e precisão."

No jornal americano The New York Times, Amanda Hess chamou "Blonde" de preguiçoso e disse que, embora o filme seja baseado na "conturbada autoconcepção da estrela", não faz sentido retratar um feto com "imagens fantasiosas da cultura pop inventadas muito depois da morte de Monroe".

Diante dessas e outras críticas que pipocaram pelas redes nos últimos dias, Dominik se defendeu ao The Wrap. O diretor afirmou que "Blonde" não é um filme anti-aborto e que essa percepção é fruto do lançamento da obra vir pouco após da queda do direito constitucional americano ao aborto.

"As pessoas estão obviamente preocupadas com a perda de liberdades", disse ele. "Mas ninguém daria a mínima para isso se eu tivesse feito o filme em 2008. Daqui a quatro anos, provavelmente ninguém vai se importar, e o filme não terá mudado. É apenas o que está acontecendo."

"Blonde", que está disponível na Netflix, alterna entre vida pública e privada da atriz, mostrando o contraste entre a diva das telas e Norma Jeane, vítima de uma indústria machista e de seus traumas da infância.

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