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HISTÓRIA

Quem foi José do Patrocínio, jornalista e poeta que dá nome à rua do Macuco?

Tendo ocupado cargos de destaque no Rio de Janeiro e assumido principais jornais da cidade, José do Patrocínio se destaca por ter sido uma figura proeminente no movimento abolicionista do país

da Redação BS9 - Victor Persico

25/01/2024 - quinta às 11h25

José do Patrocínio (9 de outubro de 1853 - 29 de janeiro de 1905) - Reprodução

Nascido em Campos dos Goytacazes em 9 de outubro de 1853, José Carlos do Patrocínio foi um farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro.

José se destacou como uma figura proeminente no movimento abolicionista do país, sendo também idealizador da Guarda Negra, composta por negros e ex-escravos, desempenhando um papel pioneiro no movimento negro brasileiro. A Guarda Negra tinha o intuito de proteger a Família Imperial contra a aristocracia e os militares.

No ano de 1874, concluiu a Faculdade de Medicina como aluno de farmácia. Logo em seguida, viria a morar no bairro de São Cristóvão, na casa de um amigo, onde viria a lecionar, como forma de pagamento, aos filhos de capitão Emiliano Rosa Sena. 

No Clube Republicano, que funcionava na residência, do qual faziam parte Quintino Bocaiuva, Lopes Trovão e Pardal Mallet, conheceu Maria Henriqueta, uma das filhas do militar. Na mesma época, iniciou a carreira jornalística junto de Dermeval da Fonseca, publicando o quinzenário "Os Ferrões", assinando como Notus Ferrão.

Em 1880, em parceria com Joaquim Nabuco, José Carlos do Patrocínio foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Após a morte de Ferreira de Meneses em 1881, ele adquiriu a Gazeta da Tarde com recursos provenientes de seu sogro, assumindo a direção do jornal. No mês de maio de 1883, desempenhou um papel fundamental ao articular a Confederação Abolicionista, unindo todos os clubes abolicionistas do país

Ele redigiu e assinou o manifesto dessa confederação junto com João Clapp, André Rebouças e Aristides Lobo. 



Seis anos mais tarde, iniciou-se na política, sendo eleito vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, com votação maciça. 

Em setembro de 1887, José Carlos do Patrocínio deixou a Gazeta da Tarde para fundar e assumir a direção de um novo jornal chamado A Cidade do Rio. Sob sua liderança neste periódico, intensificou sua participação política. Nele, alguns dos jornalistas mais destacados da época foram moldados e incentivados pelo próprio Patrocínio. Foi através desse veículo que, após uma década de ativa militância, ele saudou, em 13 de maio de 1888, a chegada da abolição.

Enquanto vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, tomou a iniciativa de proclamar a República, por volta das 18h, perante um grupo reunido na Câmara, enquanto Marechal Deodoro da Fonseca ainda elaborava a mudança de regime.

Após a proclamação da República em 1889, José Carlos do Patrocínio entrou em conflito com o governo do marechal Floriano Peixoto em 1892 ao apoiar a Revolta da Armada contra o regime republicano recém-instaurado. Por esse apoio, foi detido e posteriormente deportado para Cucuí, no alto rio Negro, no estado do Amazonas.

Em 1893, retornou discretamente ao Rio de Janeiro. No entanto, com o estado de sítio ainda em vigor, a publicação do A Cidade do Rio permaneceu suspensa. Diante da falta de fonte de renda, Patrocínio passou a residir no subúrbio, em Inhaúma.

José do Patrocínio faleceu aos 51 anos, no dia 29 de janeiro de 1905, após ser acometido de uma hemoptise, sintoma da tuberculose, durante um discurso em homenagem a Santos Dumont.

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