MUNDO
O que realmente acontece dentro do país mais fechado do mundo?
Pedro Juvenal
26/06/2026 - sexta às 20h30
A Coreia do Norte ficou muito famosa nos últimos anos porque ela é considerada um dos países mais fechados do mundo inteiro, e isso tem um fundo de verdade. Desde quando ele foi criado em 1948, o país é governado pela mesma família, todos os anos, todas a vezes que um nove líder é escolhido, a população não é quem tem o poder de decisão mas sim o líder atual que escolhe quem de sua família vai ser seu sucessor, passando por Kim Il-sung, Kim Jong-il e, atualmente, Kim Jong-un. O governo controla praticamente tudo da vida da população de lá, o acesso à internet é quase inexistente já que pouquíssimas pessoas conseguem usar qualquer tipo de internet, e quando conseguem usar é de maneira extremante limitado, rádios e televisões costumam ser configurados para transmitir apenas canais do próprio estado, porque assim a população não tem informações dos outros lugares do país, viajar para o exterior é extremamente restrito e qualquer tipo de crítica ao regime deles pode resultar em prisão. Acontecem várias denúncias da ONU em relação aos atos do país, essas denúncias incluem tortura, desaparecimentos forçados, execuções e varias outras coisas simplesmente por qualquer coisa que o governo não goste.
Um dos casos mais conhecidos dessas punicoes foi o caso do Otto Warmbier. Ele era um jovem que em 2016 foi visitar o país, na realidade ele era apenas um estudante dos Estados Unidos que queria conhecer de verdade a Coreia do Norte, mas durante sua viagem ele decidiu tentar pegar um cartaz do hotel e levar para casa de recordação, mesmo sem conseguir pegar o cartaz apenas a tentativa foi o suficiente para ser punido, essa punição não veio através de uma multa, trabalho comunitário ou qualquer outra coisa sensata, a punição foi tortura, tortura ao ponto de deixar o jovem em coma, um coma do qual ele nunca acordou.
Outro coisa muita falada sobre a Coreia, são os campos de prisioneiros políticos, uma especie de campo de concentração. Nesses campos qualquer pessoa que o governo considere uma inimiga, fica presa e é forcada a trabalhar pelo tempo que eles quiserem, esses prisioneiros passam por torturas e punições por apenas criticar um governo ditatorial. Um dos relatos que ficaram mais famosos foi o da desertora Yeonmi Park, que fugiu de lá quando ainda era adolescente. Ela descreveu que cresceu acreditando que os líderes do país eram quase divinos e que qualquer crítica poderia colocar toda a família em perigo, já que quando um parente comete um crime contra o governo, toda a família pode pagar por isso. Em um de seus relatos, ela até contou: “Não sabíamos o que era liberdade. Pensávamos que o mundo inteiro vivia como nós.” E isso é muito importante, afinal olhando de fora o absurdo que eles passam é claro, mas para quem não conhece nenhum outro tipo de vida, para aqueles que não sabem o que é liberdade, os maiores absurdos são apenas o normal, eles não se sentem presos, porque nunca se sentiram livres.
E para aqueles que percebem o absurdo dessa vida, fugir da Coreia do Norte continua sendo muito perigoso. A fronteira com a Coreia do Sul tem diversos militares, o que deixa quase impossível atravessar ela. Por isso, muitos tentam escapar nadando o que causa ainda mais mortes, de maneira geral fica claro o absurdo que é permitido nesse país, o medo é ensinado desde o começo da vida dos locais, o simples pensamento de mudança pode fazer você e sua família serem punidos até o último dia de vida de cada um. Não se deve duvidar de nada, não se deve criticar nada, não se deve pensar, apenas obedecer, e assim gerações de pessoas inocentes continuam aprisionadas em uma prisão que eles não sabem quando entraram ou se sequer estiveram fora um dia
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