CURIOSIDADES DO FUTEBOL
A história de Silvio Gazzaniga, o italiano que venceu mais de 50 concorrentes e criou o ícone mais famoso do futebol — e por que nenhuma seleção fica com o original
19/07/2026 — domingo às 04h21
Expectativa é de partida acirrada entre as seleções
Toda vez que uma seleção ergue a taça dourada ao final de uma Copa do Mundo, poucos se lembram de quem, de fato, desenhou aquele objeto. O responsável foi o escultor italiano Silvio Gazzaniga, nascido em Milão em 1921, e sua criação se tornou um dos símbolos mais reconhecidos do esporte mundial — mais até do que muitos jogadores que a ergueram.
A história começa em 1970, quando o Brasil conquistou seu terceiro título mundial. Pelas regras da época, a seleção brasileira ganhou o direito de ficar em definitivo com a Taça Jules Rimet, o antigo troféu da competição. Sem a peça original, a FIFA precisava de um novo símbolo — e decidiu abrir um concurso internacional para encontrá-lo.
Mais de 50 propostas de escultores de sete países diferentes chegaram à entidade. Gazzaniga, que já trabalhava esculpindo medalhas e troféus para a empresa italiana Bertoni, decidiu ir além do que fora pedido: em vez de enviar apenas esboços, apresentou um modelo em gesso, em tamanho real, do seu projeto. A aposta funcionou. O júri, liderado pelo então presidente da FIFA Stanley Rous, entendeu de imediato que aquela peça era fotogênica e prática de erguer — e escolheu o design de Gazzaniga como vencedor.
O resultado final retrata duas figuras humanas estilizadas, em movimento espiral, sustentando o globo terrestre acima de suas cabeças — uma representação do momento de vitória e da força do atleta. O próprio Gazzaniga descreveu sua obra como um símbolo da energia que "brota da base, sobe em espiral, se estende para receber o mundo".
Feito em ouro 18 quilates, o troféu tem 36,8 centímetros de altura e pesa cerca de 6,1 quilos, com uma base de malaquita verde — a mesma cor de um campo de futebol. Desde sua estreia na Copa de 1974, na Alemanha Ocidental, já foi erguido por seleções como Alemanha, Argentina, Itália, Brasil, França e Espanha.
Diferentemente do que ocorria com a Taça Jules Rimet, a regra mudou: nenhuma federação pode manter definitivamente o troféu original, não importa quantas vezes vença. Cada seleção campeã recebe, para guardar, apenas uma réplica banhada a ouro — a peça verdadeira retorna sempre à sede da FIFA, em Zurique, onde hoje fica em exibição permanente no FIFA Museum.
Segundo a família do escultor, a intenção da FIFA é manter esse mesmo troféu em uso pelo menos até 2038, quando o espaço reservado para gravar os nomes dos futuros campeões estará completo.
Silvio Gazzaniga morreu em 2016, aos 95 anos, sem nunca deter os direitos de imagem sobre sua própria criação — uma condição do próprio concurso da FIFA. Ainda assim, o sucesso do troféu abriu portas para outros trabalhos: ele também assinou a taça da Copa da UEFA (1972) e da Supercopa da UEFA (1973), entre outras peças esportivas.
Hoje, seu nome talvez não seja tão conhecido quanto o de Pelé ou Maradona, mas dificilmente existe objeto mais fotografado, replicado e desejado no esporte mundial do que a taça que ele esculpiu em seu ateliê, no bairro de Brera, em Milão.
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