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RÚSSIA ATACA UCRÂNIA

Putin inicia guerra contra a Ucrânia; Kiev fala em invasão total e liga sirenes; veja vídeos

Há explosões ouvidas em diversos pontos do país

Por Igor Gielow - Da Folhapress

Por Igor Gielow - Da Folhapress

24/02/2022 — quinta-feira às 03h03

Putin inicia guerra contra a Ucrânia; Kiev fala em invasão total e liga sirenes; veja vídeos

Tanques que estariam invadindo o norte da Ucrânia a partir da Belarus - (foto: reprodução Facebook)

Após quatro meses de crise com o Ocidente, a Rússia decidiu atacar a Ucrânia nesta quinta-feira, dia 24, naquilo que Kiev chamou de invasão total. É a mais grave crise militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

O presidente Vladimir Putin foi à TV para dizer que faria uma "operação militar especial" no Donbass, a área de maioria russa étnica no leste do vizinho. Seu comando militar, contudo, confirmou que "armas de precisão estão degradando a infraestrutura militar, bases aéreas e aviação das Forças Armadas ucranianas".

Além disso, o comando militar das repúblicas rebeldes afirma que está avançando com suporte russo rumo às fronteiras que consideram suas, violando assim território ucraniano que estava sob Kiev. O nome disso é guerra, invasão ainda que não total.

Ataques
Há explosões ouvidas em diversos pontos do país e uma chuva de versões em redes sociais. Houve relatos de Kiev, negados depois pelo governo, de forças russas desembarcando em Odessa, importante porto no mar Negro. Na cidade, segundo o governo ucraniano, morreram ao menos seis pessoas em ataques com mísseis.

TVs mostraram tanques que estariam invadindo o norte do país a partir da Belarus, sem confirmação independente. Por outro lado, Moscou falou que forças ucranianas "não estão resistindo a unidades russas", sem dizer onde. Também foi relatada a derrubada de cinco aviões e um helicóptero russos, além da morte de 50 soldados invasores, o que Moscou nega.

Equipes da TV CNN as ouviram ao longe na capital Kiev e em Kharkiv, importante centro no leste do país. Sirenes antiaéreas começaram a soar na capital às 7h06 locais (2h06 em Brasília), mas até agora não houve relatos de bombardeio da cidade. O comando militar russo disse que não está mirando civis.

Segundo disse por telefone um morador de Rostov-do-Don à reportagem, Mariupol está sob fogo também. A agência Reuters divulgou fotografia de tanques russos entrando na cidade, corroborando a ideia de invasão de território ucraniano.

A cidade portuária no mar Negro fica a 180 km da capital da região de Rostov e é um ponto importante perto da chamada linha de contato, a fronteira de 430 km entre os rebeldes pró-Rússia e as forças de Kiev. Segundo Kiev, morreram ao menos duas pessoas lá.

É incerto o que acontece lá: se os russos estão fazendo o que Putin anunciou, "desmilitarizar" a região em torno das ditas repúblicas rebeldes, ou se é o prenúncio de uma ocupação generalizada. Esta é a questão central que preocupa planejadores ocidentais desde a segunda.

Ao anunciar que iria enviar tropas quando a situação exigisse para apoiar o Donbass, Putin não deixou claro se falava das fronteiras atuais, estabelecidas após uma guerra civil que já matou 14 mil desde 2014, ou aquelas anteriores, das antigas províncias ucranianas de Donetsk e Lugansk.

O cenário desenhado até aqui é o de incapacitação das Forças Armadas ucranianas, em um grau semelhante ao imposto à Geórgia pelo mesmo motivo de aproximação com o Ocidente em 2008, restando saber até onde o Kremlin pretende ir. Os sinais não são auspiciosos para Kiev.

Durante debate da ONU
Putin anunciou o ataque à Ucrânia enquanto Organização das Nações Unidas (ONU) realizava uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para debater a crise entre Rússia e Ucrânia.

O encontro começou perto de 21h40 em Nova York (23h40 em Brasília), e terminou sem que medidas fossem adotadas -o que de resto era previsível.

O primeiro discurso foi de António Guterres, secretário-geral da ONU. Ele fez um apelo claro ao presidente russo Vladimir Putin: "Se uma operação está sendo preparada, eu só tenho uma coisa a dizer, do fundo do meu coração: impeça suas tropas de atacar a Ucrânia. Dê uma chance a paz. Muitas pessoas já morreram".

A operação estava prestes a estourar. Poucos minutos após a fala de Guterres, Putin anunciou em discurso na TV estatal russa uma operação militar em território ucraniano.

A reunião na ONU, no entanto, prosseguiu no mesmo tom por mais de uma hora. Os representantes dos integrantes do Conselho de Segurança seguiram lendo seus discursos em que pediam, de modo geral, para resolver a questão por modos diplomáticos, apesar dos alertas da gravidade da situação.

Discurso gravado dois dias antes
O discurso no qual Vladimir Putin anunciou a guerra contra a Ucrânia foi gravado na segunda-feira, dia 21, o dia em que ele havia dito que iria reconhecer as autoproclamadas repúblicas rebeldes russas no leste do país vizinho.

É o que indicam dados e evidências. Segundo a análise de metadados do arquivo do vídeo de Putin, baixado pelo jornal independente Novaia Gazeta do site do Kremlin, a gravação de 28min03s foi feita às 19h de segunda. Ou seja, antes de ele divulgar em rede nacional sua decisão anterior, sobre as repúblicas.

Por óbvio, alguém poderá argumentar que tudo isso era contingência para a necessidade de algo ser feito. Mas como ações militares do porte em curso agora na Ucrânia são tudo, menos pouco planejadas, os vídeos gravados antes mostram que o lado midiático da ação já estava pronto neste ponto inicial.

Opinião norte-americana
O presidente americano Joe Biden condenou a invasão anunciada e colocada em marcha por Vladimir Putin nas primeiras horas desta quinta-feira da Ucrânia. Ele afirmou que o ataque é "premeditado e injustificado".

"A Rússia sozinha será a responsável por perdas catastróficas de vidas perdidas e sofrimento humano", afirmou Biden.

O presidente americano também disse que irá coordenar com aliados da Otan (aliança militar ocidental) para garantir uma resposta "unida e forte" às ações russas. Biden pretende fazer pronunciamento no início da tarde desta quinta.

Enquanto isso, em Moscou...
Ao mesmo tempo em que sirenes soavam em Kiev e outras cidades ucranianas, anunciando a ofensiva russa contra o país, Moscou acordou para uma quinta-feira quase normal em sua superfície.

Houve até aqui um incidente isolado, de uma manifestante chamada Irina que tentou levantar um cartaz contra a guerra junto ao popular monumento ao poeta Alexander Púchkin (1799-1837), na elegante rua Tverskaia. Na Rússia, é proibido fazer atos sem permissão prévia das prefeituras.

A reportagem andou por lá, pouco ao norte do Kremlin, e também ao sul, passando, passando pelo centro nervoso da cidade, a praça Vermelha. Havia um número algo maior de policiais na região, concentrados discretamente nos cantos do logradouro, mas nada tão chamativo.

Turistas locais tiravam fotos junto ao mausoléu de Vladimir Lênin, o fundador da União Soviética cujo xará Putin disse ser o criador de uma ficção chamada Estado ucraniano, como sempre. Eram poucos, cortesia da pandemia e do frio de zero grau sob um céu plúmbeo.

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