Quinta, 30 de Abril de 2026

DólarR$ 4,97

EuroR$ 5,83

Santos

22ºC

DESABRIGADOS EM CUBATÃO

Reintegração de posse em área de linha férrea deixa casas demolidas e famílias sem teto em Cubatão

Vitor Lopes viu a casa construída pelos pais há 13 anos ir ao chão

Por Lucas Campos - Redação BS9

15/02/2022 - terça às 14h54

O documento da casa foi perdido durante a demolição - (foto: arquivo pessoal)

"Minha casa ficava ali há 13 anos e agora, do dia para a noite, foi demolida". Essa é a indignação do balconista Vitor Lopes, de 21 anos, morador da Vila Couto, em Cubatão. Sua casa foi demolida na última quinta-feira, dia 10, após a empresa ferroviária Rumo Logística iniciar um processo de reintegração de posse do terreno onde ela ficava, na Rua Jaime João Olcese.

A cunhada, Fernanda Lopes, de 26 anos, morava em outra casa, na parte de trás do terreno, e também viu tudo ir ao chão. Para as duas famílias, e para outras três que estão sob aviso prévio de 15 dias para demolição, a empresa deveria pagar uma ajuda de custo de seis mil reais, mas o valor ainda não foi depositado e essas pessoas estão sem lugar para morar.

"E mesmo essa quantia não bate com o valor da casa. A gente não consegue nem pagar o calção de uma nova. A Rumo está fazendo a limpa nesses terrenos próximos à linha do trem", lamenta Vitor.

A Rumo fez contato com a família em janeiro de 2021, avisando sobre a reintegração de posse do terreno. De lá pra cá, o caso foi paralisado por conta do avanço da pandemia e só reapareceu no último dia 7 de fevereiro, quando Vitor recebeu uma notificação informando que as casas seriam demolidas.

"Nós entramos em contato com um advogado para revogar a liminar da empresa. Ele mandou um e-mail para eles na segunda-feira, dia 7, às 14h45, e a Rumo respondeu apenas na quarta-feira, dia 9, às 17h13, informando que ela foi revogada e nós tínhamos um prazo total de 12 horas para sair de casa".

Casa construída pelos país de Vitor que foi demolida pela Rumo LogísticaCasa construída pelos pais de Vitor que foi demolida pela empresa Rumo Logística

Na quinta-feira, dia 11, funcionários da empresa chegaram logo cedo na casa de Vitor, com uma ordem judicial, informando que não poderiam fazer nada para adiar a demolição. "Ele ainda disse que a Rumo estava fazendo o melhor para nós. Tiraram todos os móveis da nossa casa, colocaram em um caminhão de mudança e demoliram o imóvel. Às 13h estávamos na rua, sem ter para onde ir".

O documento da casa foi perdido durante a demolição e, no momento, Vitor e outras seis pessoas de sua família estão abrigados na casa de amigos. "Se a gente não tivesse amigos pra ajudar estaríamos na rua até agora. Porque eles não tiveram empatia, não tiveram compaixão e não deram nenhuma ajuda pra gente. Nos deixaram à deriva, no meio da rua, e falaram que se a gente arrumasse um lugar para ir, eles levavam nossos móveis".

O terreno onde a casa foi construída era anteriormente um celeiro de cavalo. A família de Vitor chegou ao local, limpou o terreno e construiu a casa. Agora, ficam só as lembranças dos bons momentos que passaram ali. "Nós só queríamos mais tempo para sair de casa. Meu pai e minha mãe só choram e sequer tiveram ânimo para ir trabalhar".

Confira o depoimento publicado por Vitor nas redes sociais, onde mostra como era a casa em que viveu por 13 anos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A post shared by Vitor Lopes (@vitor_lops)

O outro lado
A empresa Rumo Logística informou, em nota, que o terreno onde foi realizada a reintegração de posse é de uso exclusivo do poder público federal e que os imóveis que foram demolidos estavam em uma faixa de domínio da ferrovia.

Ela diz, ainda, que a preservação da faixa de domínio é uma obrigação da concessionária, firmada em contrato, e o local deve ficar livre de qualquer tipo de ocupação para garantir a segurança da comunidade e da operação ferroviária.

Segundo a empresa, as famílias foram devidamente notificadas sobre a ordem de reintegração antes do dia 10 de fevereiro de 2022, data da demolição, já que vistorias no local e contato direto com os moradores foram realizados em dezembro de 2020 e nos meses de fevereiro e novembro de 2021.

A Rumo reitera que a demolição, que contou com a presença de um assistente social, um caminhão e montadores de móveis para apoio às famílias, aconteceu apenas após a não desocupação voluntária. 

A empresa diz ainda que o valor de seis mil reais foi depositado junto à Justiça como uma ajuda de custo aos moradores que tiveram as moradias demolidas. Para ter acesso a quantia é necessário que o advogado que representa as famílias solicite à Justiça o recebimento.

Deixe a sua opinião

Leia Mais

ver todos

SUSTENTABILIDADE

Semana da Compostagem de Santos tem atrações de educação ambiental, sustentabilidade e agricultura u

EDUCAÇÃO

Fatec de Praia Grande abre inscrições para o vestibular do segundo semestre de 2026

TURISMO

Evento em Cajati reforça atuação integrada para fortalecimento do turismo regional

2
Entre em nosso grupo