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MEIO-AMBIENTE

Descarte correto de vidro em contêineres registra aumento de 30% em dois meses

Instalados em pontos estratégicos, coletores têm capacidade para 800 quilos cada um

Da Redação

11/07/2026 - sábado às 11h00

Foto: Will Urbano

Em Praia Grande, a quantidade de embalagens de vidro descartadas nos  novos contêineres instalados desde março pela Prefeitura saltou de  4.075 quilos em abril para 5.310 quilos em junho, um aumento de cerca  de 30%. Na avaliação do secretário adjunto da Secretaria de Serviços  Urbanos (Sesurb), Israel Lucas Evangelista, o aumento indica que a  população está aderindo à iniciativa, em especial os comerciantes que  trabalham com esse tipo de material reciclável, como garrafas long neck.

 


São 15 contêineres localizados em centros comerciais, áreas mapeadas  por agregar múltiplos estabelecimentos, como bares e restaurantes, que  utilizam recipientes de vidro. “A intenção é tentar fazer com que o  comércio local participe, separando e levando o material até os pontos  de coleta. A colaboração de moradores e turistas é muito importante,  mas o volume maior vem dos comércios ao entorno”, explica Evangelista.  “E eles estão aderindo, como demonstra o maior volume coletado”.

 


Para maior engajamento, a Sesurb realiza um trabalho conjunto de  conscientização com a Subsecretaria de Ações e Cidadania em que  equipes desta, previamente informadas sobre o programa, percorrem os  comércios para explicar como funciona. Por meio desta parceria, em  março foram feitas 112 visitas de orientação. “Elas também fazem a  distribuição de folders e colocação de cartazes com informações”,  pontua o secretário adjunto. O material de divulgação, inclusive,  disponibiliza acesso por meio de QRCode.

 


Para melhorar a adesão e otimizar o sistema de descarte também são  feitos remanejamentos de unidades, quando necessário e de acordo com a  demanda.

 


COOPERAÇÃO - Em fevereiro deste ano, as unidades foram instaladas num  acordo de cooperação ligado ao programa “Vidro Vira Vidro”, firmado  entre a Prefeitura e duas empresas: Verallia (produtora de embalagens,  que disponibiliza os contêineres) e a Massfix (responsável pela  destinação final e reciclagem do vidro). Todo o processo ocorreu por  meio da Sesurb, que contou com o apoio, em determinadas etapas, da  Secretaria de Meio Ambiente (Sema).

 


Cada coletor tem capacidade para receber até 800 quilos de material e,  para facilitar a compreensão do público, exibe orientações sobre o  descarte correto. Podem ser dispensados potes, garrafas, frascos de  perfume, copos e vidros quebrados. Não podem ser colocados cristais,  porcelanas, cerâmicas, louças, lâmpadas, telas de tevê, embalagens de  medicamento e lixo hospitalar.
Além de incentivar a reciclagem, preservando os ecossistemas, a  iniciativa ecológica ajuda a promover segurança na destinação adequada  de objetos cortantes, coibindo a dispensação indevida em lixo comum.

 


Segundo a Prefeitura, o projeto se traduz como importante etapa para a  ampliação em Praia Grande da cadeia de logística reversa do vidro,  material 100% reciclável e que pode ser reutilizado sem perder a  qualidade - ou seja, uma garrafa descartada corretamente se transforma  em outra nova. Dessa forma, se evita a extração desnecessária de  matéria-prima (como areia e calcário) da natureza e se reduz a emissão  de CO² (gás carbônico).

 


CICLO INFINITO – A logística reversa é um sistema que permite o  retorno de embalagens para o ciclo produtivo, o que contribui para o  aumento da reciclagem de vidro no país e, consequentemente, para a  redução do descarte inadequado. Mas também apresenta benefícios em  saúde pública, evitando acúmulo de água da chuva em garrafas vazias  que facilita a proliferação de vetores como o mosquito Aedes aegypti,  transmissor da dengue.

 


Produzido principalmente a partir de areia (composta por sílica),  barrilha e calcário a altas temperaturas, o vidro tem um tempo de  decomposição considerado indeterminado. Fontes oficiais e instituições  de pesquisa apontam que pode levar de 4 mil a 1 milhão de anos para se  desgastar e desaparecer. Não é biodegradável, mas passa por lento  processo de erosão física e química.

 


Segundo a Verallia, apesar de ser um material totalmente reciclável,  estima-se que no Brasil 75% dos vidros utilizados vão parar nos  aterros sanitários após o descarte, o que significa que uma pequena  parcela é reciclada atualmente. Alinhado com a lei de Política  Nacional de Resíduos Sólidos, o programa “Vidro Vira Vidro” tem por  objetivo aumentar a circularidade do material e promover a educação  ambiental da sociedade.

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