ELEIÇÕES 2022
Nomes como o do tenente Mosart Aragão e do ex-vereador Gil do Conselho devem engrossar a lista de postulantes
Por Cláudio Barazal - BS9 Litoral e Vale
11/02/2022 - sexta às 00h01
Da esquerda para a direita: Paulo Alexndre, Tenente Mosart, Gil do Conselho, Rosana Valle, Júnior Bozzella, Telma, Mourão, Danilo Morgado e Samuel Moreira - Arte: BS9
Ainda que as movimentações estejam mais nos bastidores, a verdade é que as eleições gerais de outubro já têm provocado intensos trabalhos de articulação política e, até mesmo, de montagem de equipes. A contar de hoje, faltam apenas 233 dias para o pleito, menos de oito meses.
Atuais parlamentares e ex-prefeitos que deixaram seus cargos no final de 2020, sobretudo eles, passam os dias fazendo contas: financeiras e de possíveis votos, afinal a disputa tem tudo para ser pra lá de acirrada, com nomes de peso disputando as vagas.
Juntas, as regiões da Baixada Santista e do Vale do Ribeira possuem mais de 1,6 milhão de eleitores o que, tranquila e matematicamente, daria para eleger uns 18 deputados federais, fortalecendo a representatividade local e garantindo mais recursos e investimentos.
O que se vê, no entanto, em termos de Câmara Federal, e considerando a atual legislatura, é uma representação composta tão somente por três deputados com base eleitoral na Baixada Santista e ou no Vale do Ribeira. São eles: Júnior Bozzela, eleito pelo PSL, em 2018, com 78.712 votos; Rosana Valle, PSB, que alcançou 106.100 votos; e Samuel Moreira, do PSDB, reeleito com 103.215 votos.
E por que tão poucos parlamentares da região são eleitos? São duas as principais explicações: a primeira, e mais importante, é o lançamento de inúmeras candidaturas. De um jeito ou de outro muita gente acha que tem chances de ser eleita, que tem potencial de voto, e acaba se aventurando em busca de um mandato.
No meio dessa gente, tem muitos parlamentares reeleitos e ou eleitos para as câmaras municipais, e que decidem abandonar os seus mandatos nos legislativos municipais a fim de respirarem os ares de Brasília. Então o que se vê é um exército de candidatos locais, o que pulveriza a destinação dos votos e consequentemente coloca em xeque um possível crescimento da bancada regional.
A outra explicação, menos importante, mas pra lá de questionável, é maciça destinação de votos para candidatos que não têm qualquer relação com as cidades da Baixada e do Vale. Na prática, a eleição para os legislativos federal e estadual é a hora da reciprocidade, onde prefeitos e vereadores que conseguiram se eleger, com o apoio de caciques partidários, têm que pagar a conta, garantindo em seus municípios votos para esses candidatos de fora. Mais uma das tristes nuances do jogo político. Uma mão lava a outra e o povo lava o... rosto.
Nomes pipocando
O pipocar aqui é mesmo no sentido da grande quantidade. Aliás, quem vislumbra ser candidato a única coisa que não faz, em busca de viabilizar sua candidatura, é pipocar. Para a Câmara dos Deputados, em Brasília, é quase certo que veremos nas urnas os nomes de Rosana Valle (PSB), Samuel Moreira (PSDB), Júnior Bozzella (União Brasil), Telma de Souza (PT), Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), Alberto Mourão (PSDB), Danilo Morgado (sem partido), Gil do Conselho (PSDB), Tenente Mosart Aragão (sem partido), entre tantos outros. Tantos outros mesmo.
Boa parte desses nomes confirmou à reportagem do Portal BS9 – Litoral e Vale a disposição de concorrer. E confirmou, também, que o momento é de intensa movimentação política. Nem poderia ser diferente. Em geral, nos grandes partidos, como o PT, o PSDB e o MDB, a nota de corte, isto é, a quantidade mínima de votos para se eleger, é alta.
No PT, o deputado federal Alencar Santana, o menos votado da legenda, precisou de quase 68 mil votos para assegurar uma cadeira. No PSDB esse número foi lá pra cima: Eduardo Cury precisou de 94.282 votos para garantir o seu crachá de deputado federal. No MDB, o último foi Herculano Passos, com 49.653 votos.
O bom momento do PT e de Lula, líder nas pesquisas de opinião, é uma das justificativas da vereadora Telma de Souza, de Santos, para tentar um novo mandato na Câmara Federal. Os três atuais deputados, Júnior Bozzela, Rosana Valle e Samuel Moreira, são naturais candidatos à reeleição e se movimentam no sentido apenas de decidirem por qual partido disputarão o pleito.
Praia Grande terá a chance de escolher entre o sempre prefeito Alberto Mourão, que não respondeu à reportagem, e Danilo Morgado, que quase levou a eleição municipal, forçando o segundo turno. Danilo conversa com partidos políticos e deve tirar votos de Mourão, que terá de buscar a diferença na vizinhança.
Já o ex-prefeito de Santos, candidatíssimo, Paulo Alexandre Barbosa, tem tudo para ser o mais votado de toda a região, fruto não só da aprovação obtida por sua gestão à frente da Prefeitura de Santos, mas, principalmente, pelo poder de articulação política, compondo dobradas (chapa deputado federal-deputado estadual) com nomes fortes em cada um dos municípios.
O ex-vereador Gil do Conselho, em São Vicente, que começa a ensaiar uma candidatura, certamente deve ter enxergado um vácuo na representação federal desde que Márcio França deixou a Câmara dos Deputados. Candidato, é provável que tire votos de Rosana Valle e Júnior Bozzela, por ter um perfil muito parecido com o do eleitor vicentino.
O tenente Mosart Aragão, ainda sem partido, vai carregar a bandeira do Bolsonarismo na Região e deve, graças a isso, conquistar uma legião de votos. Pouco conhecido, não terá dificuldade para reverter essa condição quando juntar sua imagem à do presidente da República.
E é claro que os campeões de voto, a turma que se elege e puxa outros, também bicaram votação na Baixada e no Vale, casos de Eduardo Bolsonaro, Joyce Hasselmann, Kim Kataguiri, Tábata Amaral, Tiririca e Celso Russomanno. Essa turma, só para se ter uma ideia, teve mais votos em Santos do que o ex-prefeito e ex-deputado Beto Mansur.
Então, se prepare!
A grande verdade é que a partir de 1º de março estará aberta a temporada de caça ao eleitor. Como ainda não será possível fazer campanha, oficialmente, não vão faltar publicações, de todo tipo (de bom e mau gosto), no face, no insta, no tiktok. Os donos de mandato, esses adoram publicar os valores das emendas que “destinaram” aos municípios. Valores, emendas, mas, em muitos casos, o dinheiro na prática nem chegou aos cofres das prefeituras. Tudo culpa da burocracia.
Não distante disso, o voto, e ainda mais o voto consciente, continua sendo a grande arma da democracia e a principal ferramenta de transformação da vida, pra melhor, da sociedade. Por isso escolher bem é tão importante. E convenhamos, escolher candidatos das cidades da região fortalece a possibilidade de cobrança, afinal de contas são políticos que estão diariamente ao alcance dos nossos olhos.
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