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História iniciada no Fundo Social de São Vicente se transforma em loja de artesanato comandada por três amigas

Após se conhecerem em ações e iniciativas do Fundo Social, artesãs construíram o próprio negócio e hoje conciliam a produção de peças, as vendas e a realização de oficinas

Da Redação

Da Redação

19/10/2026 — segunda-feira às 07h00

História iniciada no Fundo Social de São Vicente se transforma em loja de artesanato comandada por três amigas

Divulgação

O que começou com um encontro em uma ação do Fundo Social de Solidariedade de São Vicente se transformou em uma parceria que vai muito além do artesanato. Úrsula Kunth, de 74 anos, Marlene Costa, de 71, e Cláudia Shiroma, de 45, encontraram na amizade e no trabalho em conjunto a oportunidade de tirar um projeto do papel: a loja Três Marias, empreendimento dedicado à comercialização de peças artesanais produzidas por elas.

A história começou no Quintal de Natal, iniciativa do Fundo Social em que Úrsula e as futuras sócias participaram de uma exposição. Depois, elas se reencontraram na Loja Colaborativa do Fundo Social, espaço que reunia artesãos e permitia a divulgação e a venda dos produtos confeccionados pelos participantes. Durante cerca de dois anos, a experiência contribuiu para que conhecessem clientes, divulgassem o próprio trabalho e ganhassem experiência no comércio.

Com o encerramento das atividades da loja colaborativa, surgiu a ideia de dar um novo passo. A proposta de montar um espaço próprio foi ganhando forma até se transformar na Três Marias, onde as artesãs passaram a ter mais autonomia para organizar a produção, diversificar os produtos e atender aos clientes.

"Tivemos a ideia de montar a nossa loja e convidei a Úrsula e as outras meninas. No começo, éramos cinco, mas depois ficamos só nós três", conta Marlene.

Para ela, a conquista representa muito mais do que abrir um estabelecimento comercial. Marlene relata que passou por um período difícil emocionalmente e encontrou no artesanato, na convivência com as amigas e na oportunidade de construir o próprio negócio uma nova motivação.

"Para mim, está sendo uma coisa especial, porque eu nunca tinha participado disso. Eu fiquei muito tempo triste, mas agora estou bem, estou feliz por causa da minha loja, da loja de nós três. Nós estamos muito bem unidas, gostamos de estar juntas e vamos para frente", afirma.

A parceria também exigiu planejamento e persistência. Entre os desafios estavam a compra dos móveis, a organização do espaço e a necessidade de ampliar a variedade de produtos para atender aos clientes. Segundo Marlene, parte dessa etapa foi facilitada quando conseguiram os móveis necessários para estruturar a loja sem precisar arcar com todos os custos de aquisição.

Úrsula destaca que o começo de um empreendimento exige disposição para enfrentar as incertezas. Na loja colaborativa, as artesãs dividiam o espaço com outros expositores e tinham uma dinâmica de vendas diferente. No negócio próprio, passaram a precisar de uma produção maior, já que, além da loja, também participam de feiras de artesanato.

"Eu acho que o começo sempre é mais difícil. Você pensa: 'Será que vai dar certo?'. Nos primeiros meses, você ainda não tem lucro. Tem que se arriscar e persistir até chegar ao resultado", explica Úrsula.

A rotina das três também exige organização para conciliar as responsabilidades. Além de produzir e vender as próprias peças, elas participam de feiras, atendem encomendas e promovem oficinas. A divisão dos dias de trabalho ajuda a manter o funcionamento do estabelecimento e permite que cada uma organize suas outras atividades.

Para Úrsula, ver o negócio funcionando é motivo de orgulho, especialmente pela forma como as três aprenderam a tomar decisões juntas. A comunicação e o apoio mútuo são pontos importantes para manter a parceria, inclusive nos momentos em que surgem opiniões diferentes.

"Eu tenho muito orgulho de a gente ter conseguido chegar até aqui. Quando uma esmorece, a outra fala: 'Não, vamos, que vai dar certo'. A gente se apoia", conta.

O trabalho da Três Marias inclui crochê, costura criativa e bordados, com diferentes modelos e opções de peças. As artesãs também realizam oficinas no próprio espaço, ampliando as possibilidades de compartilhar conhecimentos e aproximar outras pessoas do artesanato. Entre as atividades estão oficinas de velas e de enfeites natalinos.

A experiência também inspira as três a incentivar outras mulheres que desejam começar um negócio próprio, mas ainda têm receio de dar o primeiro passo.

"Tem que ter coragem, força de vontade e persistência. Muitas vezes, a gente não consegue um bom resultado na primeira tentativa. Vai conseguir com o passar do tempo, com a experiência", aconselha Úrsula.

Olhando para o futuro, o objetivo é manter o empreendimento e continuar crescendo. Entre os planos está a possibilidade de ampliar o espaço e, futuramente, conquistar uma loja maior. Enquanto isso, as artesãs seguem investindo na produção, nas encomendas e nas oficinas.

A trajetória das três mostra a importância de iniciativas que aproximam artesãos do público e ajudam a dar visibilidade à produção local. As feiras e os espaços de comercialização promovidos pelo Fundo Social oferecem oportunidades para que empreendedores divulguem seus trabalhos, conheçam clientes e desenvolvam novas possibilidades de negócio.

Serviço

A loja Três Marias fica na Rua Frei Gaspar, n 498, box 6 e trabalha com crochê, costura criativa e bordados e funciona de segunda a sábado, das 9h às 19h.

Instagram da loja: @loja_3mariasartesanatos

Perfis das artesãs:

Úrsula Kunth: @kunthursula

Marlene Costa: @marlene.costa29

Cláudia Shiroma: @atelieclaudiashiroma

Por Julia Guedes Rodrigues de Lima

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