SAÚDE
Capacitação do Programa Ação Protetiva 360 orienta profissionais sobre acolhimento, coleta e preservação de vestígios
Da Redação
12/10/2026 — segunda-feira às 06h00
Divulgação
Garantir que vítimas de violência sexual sejam acolhidas de forma adequada desde o primeiro atendimento exige preparo e integração entre os profissionais envolvidos. Com esse objetivo, equipes da rede municipal de São Vicente participaram, nesta quarta-feira (7), de uma capacitação do Programa Ação Protetiva 360, realizada na sede da Secretaria da Saúde. A atividade abordou os procedimentos de atendimento e preservação de vestígios e foi promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), em parceria com a Polícia Civil do Estado de São Paulo.
A formação abordou temas como proteção às vítimas, atualização da legislação, coleta e preservação de vestígios genéticos e os procedimentos necessários para a implementação do protocolo-piloto. A proposta é ampliar e qualificar a assistência, especialmente em situações nas quais a vítima pode não se sentir confortável em procurar diretamente uma unidade policial.
Participaram da capacitação enfermeiros, psicólogos, profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), assistentes sociais e ginecologistas. A iniciativa também busca fortalecer a atuação conjunta entre a Saúde, a Polícia Civil e a Polícia Científica, estabelecendo um fluxo de atendimento mais seguro, acolhedor e eficiente.
Para Jamille de Cássia Palmeira, enfermeira responsável técnica da Maternidade Municipal de São Vicente, a preparação da equipe é fundamental para que os profissionais saibam como agir diante de uma situação de violência sexual e possam auxiliar pacientes que já estão na unidade de saúde em busca de ajuda.
"Muitas vezes, a equipe de saúde é a primeira a ter contato com a vítima, e uma conduta inadequada ou tardia pode comprometer evidências importantes para a investigação. Quando Saúde e Segurança atuam de forma integrada, conseguimos estabelecer um fluxo mais seguro, orientar corretamente a vítima, preservar os vestígios e garantir os encaminhamentos necessários, respeitando as competências de cada serviço", explica Jamille.
O acolhimento oferecido dentro da própria unidade de saúde também pode contribuir para que a vítima se sinta mais segura durante o atendimento e a coleta de vestígios. É o que destaca Márcia Renata de Oliveira Veloso, assistente social e responsável técnica da Saúde Mental do Hospital Dr. Olavo Hourneaux de Moura.
"A vítima precisa de acolhimento e de escuta qualificada. Então, com esse protocolo, podemos colaborar com as investigações e com a polícia, ao mesmo tempo em que mantemos a pessoa vitimizada em um ambiente no qual se sinta mais confortável e tenha mais suporte da equipe do hospital. Além disso, evitamos um deslocamento que pode fazer com que a vítima desista de prosseguir por conta do constrangimento", explica a assistente social.
Responsável pela palestra e representante da Polícia Civil do Estado de São Paulo na capacitação, a médica legista Dra. Marina Marques explicou os procedimentos necessários para a implementação do protocolo-piloto. Segundo ela, a integração com a rede de saúde pode contribuir para reduzir o tempo entre a violência e a coleta de material, além de ampliar o acesso das vítimas ao atendimento.
"É muito importante essa relação da Polícia Civil e da Polícia Científica com a saúde pública do município para encurtar o tempo de coleta de material e acelerar o processo de reconhecimento desses agressores. Hoje, essa coleta é 100% feita em ambiente policial, e muitas vítimas não se sentem confortáveis em procurar o serviço. Ao atender também por meio do serviço de saúde, vamos ampliar o acesso e proporcionar mais conforto para as vítimas que desejam denunciar", destaca a médica legista.
Para Marcelo Cesar, diretor da Atenção de Urgência e Emergência (DAHUE) de São Vicente, a iniciativa representa um avanço na qualificação do atendimento às pessoas vítimas de violência sexual, além de contribuir para o esclarecimento dos crimes.
"Do ponto de vista assistencial, é justamente qualificar a assistência, tornar o atendimento às vítimas de violência sexual mais humanizado, organizado e com uma ação mais protetiva. Queremos que as pessoas vítimas de violência tenham a oportunidade de identificar esses agressores por meio da coleta precoce de material genético. Existe uma nova legislação que traz para o município um papel também importante nesse contexto, junto com a Polícia Civil e a Polícia Científica do Estado. Entendemos que o serviço precisa se organizar para cumprir essa missão, e isso vai colaborar muito para o esclarecimento de crimes de violência sexual, tanto contra adultos quanto contra adolescentes e crianças", afirma.
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