SAÚDE
Com acompanhamento multiprofissional, Eloah avançou na comunicação, mobilidade e interação com a família
Da Redação
07/10/2026 — quarta-feira às 09h00
Divulgação
Quando percebeu que a filha apresentava atrasos no desenvolvimento, Isabela Gomes iniciou uma busca por respostas e pelo atendimento adequado para Eloah. O caminho levou mãe e filha ao Centro de Reabilitação Física Infantil São Camilo, em São Vicente, onde a menina recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral e iniciou um acompanhamento multiprofissional. Desde então, Eloah vem conquistando avanços na comunicação, na mobilidade e na interação com a família.
"Quando notei os atrasos no desenvolvimento, fui ao convênio que eu tinha na época e fiz os exames. A médica me disse que era um quadro de convulsão e eu só fui saber do diagnóstico correto quando uma amiga minha, que passa aqui no São Camilo, me falou para buscar ajuda. Com o mesmo exame que tinha feito no convênio em mãos, a médica diagnosticou a Eloah com paralisia cerebral", compartilhou a mãe.
A paralisia cerebral é um grupo de condições que afetam o desenvolvimento do movimento e da postura e podem causar limitações nas atividades. A condição ocorre devido a uma lesão ou alteração no cérebro em desenvolvimento, podendo acontecer durante a gestação, no parto ou nos primeiros anos de vida.
Com o primeiro diagnóstico recebido aos nove meses, Isabela só descobriu que Eloah tinha paralisia cerebral quando a filha já estava com mais de dois anos. Por esse motivo, o impacto da notícia e a percepção do tempo perdido foram alguns dos obstáculos encontrados no caminho para o tratamento da filha.
"Eu parei de trabalhar, tive depressão e desenvolvi ansiedade. Só que eu vivo um dia de cada vez. O chão abriu e fechou ao mesmo tempo, porque eu sabia agora o que ela tinha e poderia correr atrás do tempo perdido", conta Isabela.
Eloah chegou ao São Camilo sem se comunicar, andar ou interagir com a mãe. Ao longo do tempo, porém, apresentou evolução com a persistência de Isabela e o acompanhamento dos profissionais responsáveis pelo caso. A menina começou a falar algumas palavras, responder à mãe e se locomover melhor, sempre com o auxílio dos profissionais e o incentivo da mãe, que permaneceu ao seu lado durante todo o processo.
"Um dia ela virou para mim e falou o meu nome. Foi gratificante. Quando você recebe o diagnóstico, vêm muitas coisas à sua cabeça. A acessibilidade aos equipamentos é muito difícil. Então, ver que ela consegue falar, se comunicar do jeitinho dela e se locomover do jeitinho dela é gratificante. Algumas pessoas dizem: 'Ah, não aceito o diagnóstico', e acabam atrasando o tratamento do filho. Eu aceitei e fui atrás do melhor", relata.
A primeira cadeira de rodas de Eloah foi adquirida por meio de uma vaquinha organizada por Isabela para arrecadar o dinheiro necessário. Mais tarde, quando a cadeira antiga ficou pequena e desconfortável, Eloah recebeu uma nova cadeira de rodas por meio da Prefeitura de São Vicente. Além desse atendimento, Isabela e a filha também participaram da entrega de órteses realizada pelo São Camilo.
"Eu precisei fazer a vaquinha para conseguir a primeira cadeira e não sabia desse projeto. Logo em seguida, quando a cadeira começou a ficar pequena, pedi para participar e busquei ajuda. Conseguimos a cadeira de rodas, que é muito cara, e também a órtese para Eloah", comentou a mãe.
Isabela continua acompanhando de perto o tratamento de Eloah, mantendo a frequência nos atendimentos e buscando novas evoluções. A rede de apoio e o foco no processo de desenvolvimento e na qualidade de vida da filha permanecem como prioridades. Para Isabela, o essencial é batalhar e viver um dia de cada vez, respeitando o processo de cada criança e de cada família.
"Eu sempre digo para todas as mães que cada uma tem seu filho e nem todos têm o mesmo processo. O foco é batalhar para poder dar o melhor para os nossos filhos e nunca desistir. Parece difícil, mas, no final, vale a pena", completou Isabela.
Dia Mundial da Paralisia Cerebral
Celebrada em 6 de outubro, a data tem como objetivo promover a conscientização sobre a condição, os direitos, a empatia e a inclusão das pessoas com paralisia cerebral na sociedade.
Na Cidade, além do Centro São Camilo, que atende crianças de até 12 anos com deficiência física ou neurológica, incluindo paralisia cerebral, a rede municipal conta com os Reabilitar I e II, que oferecem atendimento multiprofissional, com fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisiatria, psicologia, nutrição e serviço social.
ver todos