MEIO AMBIENTE
Primeira atividade da nova etapa foi realizada nesta sexta-feira (25); programação segue com outros cinco encontros até 22 de outubro
Da Redação
26/09/2026 — sábado às 06h00
Divulgação
O Parque das Bandeiras recebeu, nesta sexta-feira (25), a primeira de uma nova série de Oficinas OPA! (Oficinas Participativas de Avaliação das Ameaças Socioclimáticas), marcando a retomada das atividades do projeto de pesquisa CoopClima em São Vicente. Ao todo, seis encontros serão realizados em diferentes territórios da Cidade até 22 de outubro, ouvindo moradores, especialmente aqueles mais afetados por eventos extremos, para contribuir com a construção de uma política pública municipal voltada à justiça climática.
A iniciativa é desenvolvida pela Prefeitura de São Vicente em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os encontros serão realizados em diferentes territórios da Cidade, com articulação dos equipamentos das redes de Saúde e Assistência Social. A proposta é ouvir moradores sobre as ameaças socioclimáticas presentes em cada região, compreender como elas afetam o cotidiano da população e buscar soluções alinhadas às características de cada território.
Aprovado no final de 2023, após edital de pesquisa voltado a políticas públicas que exigia a cooperação entre universidade e gestão pública, o CoopClima teve início em janeiro de 2024 e tem previsão de encerramento para janeiro de 2028. As oficinas são consideradas o "coração" da proposta, pois permitem mapear as vulnerabilidades de cada região e identificar soluções adequadas à diversidade territorial e populacional de São Vicente.
O projeto parte da premissa de que as mudanças do clima afetam toda a sociedade, mas causam impactos significativamente maiores sobre pessoas em situação de vulnerabilidade social. Problemas como chuvas intensas, alagamentos, calor excessivo e fortes ventanias interferem diretamente na mobilidade e no acesso a serviços básicos.
"A mudança do clima afeta a todos nós, mas alguns que já estão em condições vulneráveis, seja de moradia, renda ou saúde, vão sofrer mais. Os idosos e as crianças são públicos mais vulneráveis. Se as escolas não funcionam por causa de uma chuva, isso prejudica os dias de aula. A oficina é o coração do projeto porque temos a intenção de fazer uma coconstrução de uma política municipal para a justiça climática junto à população mais afetada", destaca a professora Sylmara Dias, coordenadora do CoopClima.
Para a realização dos encontros, a Cidade foi dividida em seis áreas, acompanhando a distribuição territorial adotada pelas redes de Saúde e Assistência Social. A mobilização nos bairros envolve equipamentos públicos como Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), escolas, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV).
A primeira Oficina OPA! foi realizada no Parque das Bandeiras, onde o CRAS articulou a presença de moradores e lideranças de áreas como Quarentenário, Rio Negro, Vila Ema e Samaritá. A integração com a rede socioassistencial busca dar voz a famílias que vivenciam na rotina os efeitos concretos das alterações climáticas, como a impossibilidade de comparecer a consultas médicas ou de levar os filhos à escola devido a enchentes — fator que pode interferir, inclusive, no cumprimento de condicionalidades de programas sociais.
A diretora de Proteção Social Básica, Adriana Borges, e a coordenadora do CRAS Parque das Bandeiras, Cassiane Weizenmann, ressaltam que o tema já faz parte do dia a dia das famílias atendidas pela Assistência Social.
"Vemos como a situação do clima tem afetado nossas famílias. A ideia de trazer esse momento de conscientização é para que homens, mulheres e jovens presentes possam ser multiplicadores em seus territórios. As pessoas entenderam a mensagem e a relação entre as mudanças climáticas e as diferenças entre os bairros", destacam.
A adesão dos moradores ficou evidente no engajamento durante a primeira oficina. Uma das participantes atendidas pelo CRAS optou por remarcar uma consulta médica para não perder o encontro, afirmando que fazia questão de entender e falar sobre o clima.
Entre os públicos priorizados na escuta do projeto estão os idosos. Para Angélica Rodrigues, coordenadora do SCFV Vem Viver – Parque das Bandeiras, a atividade proporcionou uma abordagem diferenciada para as moradoras mais antigas do bairro.
"É importante para que elas conheçam o próprio território, os riscos relacionados às mudanças climáticas e compreendam por que essas transformações estão acontecendo. A sensação ao ver o engajamento de todas foi de vitória", relatou.
As novas Oficinas OPA! serão realizadas em diversos territórios de São Vicente. Confira as datas, horários e locais:
1º de outubro (quinta-feira)
Oficina: CRAS Vila Margarida
Horário: 9h às 11h
Local: U.E. Lúcio Martins dos Rodrigues – Rua Odair Muler de Azevedo Marques, 434 – Vila Margarida
8 de outubro (quinta-feira)
Oficina: CRAS Tancredo Neves
Horário: 13h15 às 15h45
Local: U.E. Sebastião Ribeiro – Rua Quirino Mário Biasoli, 90 – Conjunto Tancredo Neves
9 de outubro (sexta-feira)
Oficina: CRAS Humaitá
Horário: 14h às 16h
Local: ONG Alter do Rê – Rua José Viegas Juca, 147 – Parque Continental
21 de outubro (quarta-feira)
Oficina: CRAS São Vicente
Horário: 10h às 12h30
Local: CRAS São Vicente – Avenida Marechal Deodoro, 169 – Vila Valença
22 de outubro (quinta-feira)
Oficina: CRAS Jockey Clube
Horário: 10h às 12h
Local: U.E. Armando Victório Bei – Rua Carijós, 1020 – Jockey Clube
As oficinas do CoopClima continuarão sendo realizadas em diferentes regiões de São Vicente até o dia 22 de outubro. Moradores interessados em acompanhar o cronograma, obter mais informações ou participar das próximas etapas podem procurar o CRAS de referência de seu bairro.
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