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Após o câncer de mama, esporte transforma dor em recomeço e fortalece mulheres em Santos

Aos 76 anos, participante do Projeto Kaora celebra a superação, a retomada da autoestima e a força da rede de apoio criada por mulheres que enfrentaram o câncer de mama

Da Redação

Da Redação

25/09/2026 — sexta-feira às 09h00

Após o câncer de mama, esporte transforma dor em recomeço e fortalece mulheres em Santos

Divulgação

Quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 2014, aos 64 anos, a assistente social e empresária Maria do Carmo Cândido da Silva sentiu que sua vida havia mudado completamente. Acostumada a uma rotina intensa de trabalho e atividades físicas, viu-se diante de limitações impostas pelo tratamento e pelo impacto emocional da doença.

 

"Meu mundo caiu", resume Maria do Carmo, hoje com 76 anos. Proprietária de uma empresa de confecção de uniformes escolares há mais de 40 anos, ela precisou interromper parte de suas atividades para enfrentar o tratamento, que incluiu cirurgia, sessões de radioterapia e cinco anos de medicação.

 

Foi nesse período que conheceu uma iniciativa que mudaria sua trajetória. Em 2016, tomou conhecimento de um projeto pioneiro voltado para mulheres sobreviventes do câncer de mama, idealizado pelo campeão mundial de remo Fábio Paiva. A proposta utilizava a canoa havaiana como ferramenta complementar na recuperação física e emocional das pacientes.

 

Apesar de questionamentos iniciais sobre a prática esportiva durante o processo de recuperação, Maria do Carmo decidiu seguir em frente.

"Aprendemos inicialmente em uma canoa instalada em uma piscina. O professor Fábio nos passava muita segurança e sempre reforçava a importância dos exercícios para os membros superiores, acompanhados por profissionais especializados", lembra.

 

Ao longo dos anos, os benefícios ultrapassam a recuperação física. Maria do Carmo afirma que passou a encarar os desafios da vida com mais resistência e otimismo. A experiência também a ajudou a reorganizar prioridades e reduzir o ritmo de trabalho, após compreender o impacto que o estresse teve em sua saúde.

 

"Continuo com a minha confecção, mas reduzi a carga de trabalho de doze para seis horas por dia. Minha doença foi consequência de muito estresse. Hoje aprendi a olhar para a vida de outra forma", conta.

 

A empresária destaca ainda que a convivência com outras mulheres que enfrentaram situações semelhantes fortaleceu sua fé e sua gratidão.

 

"Quando olho para trás, vejo amigas enfrentando situações ainda mais difíceis sem reclamar da vida. Isso aumentou muito a minha fé em Deus e a minha vontade de aproveitar cada momento."

 

Para Maria do Carmo, o maior diferencial do Projeto Kaora está na acolhida oferecida às participantes. "Não é apenas remar". O Projeto Kaora é uma verdadeira rede de apoio físico, emocional, espiritual e social. Mulheres que ainda estão em tratamento ou que já passaram por ele encontram orientação, amizade e suporte para seguir em frente.

 

Atualmente, cerca de 135 mulheres participam das atividades oferecidas pelo projeto, que incluem canoa havaiana, yoga, dança, pilates, alongamento, percussão, além de acompanhamento gratuito com profissionais de diversas áreas da saúde, como médico clínico, cardiologista, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo clínico.

 

10 anos do Festival Ka.Ora

A história de Maria do Carmo se conecta à trajetória do Festival Ka.Ora, que chega à 9ª edição no dia 10 de outubro, em Santos, em uma celebração aos dez anos do projeto. Pioneira do Projeto Kaora, Maria do Carmo segue na iniciativa até hoje e já está inscrita para a 9ª edição do Festival — nunca perdeu o evento como remadora. O evento reunirá mulheres praticantes da canoa havaiana e sobreviventes do câncer de mama em duas categorias: a Wahine, com percurso de dois a três quilômetros e caráter competitivo, e a Ka.Ora, destinada às participantes do projeto, com trajeto de aproximadamente 400 metros. Mais do que a classificação, a proposta é valorizar a união, o acolhimento e as histórias de cada participante. Todas receberão a mesma medalha e o mesmo kit.

 

Com apoio da Liga Santista de Va'a, o festival também busca aproximar diferentes bases da modalidade na Baixada Santista e ampliar a participação feminina no esporte. A programação começa às 8h, na Praia da Aparecida, em frente à Escola Estadual Escolástica Rosa, em Santos.

 

Serviço - 9ª edição do Festival Ka.Ora

Data: 10 de outubro de 2026

Horário: a partir das 8h

Local: Praia da Aparecida, em frente à Escola Estadual Escolástica Rosa, Santos (SP)

 

Patrocinador: DPWORLD

Copatrocinador: Trasmontano

Organização: Canoa Brasil

Supervisão: ABRACHA

Apoiadores: Baraçaí, PROMIFAE, Prefeitura Municipal de Santos, Farmácia Manipulação Huber, Healthia, Dra. Bruna Knudsen, Hotel Confort, Liga Santista de Va'a, AABB, CPS, Tertúlia, Sabesp e Opium

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